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Foto: Jorge Glas / Facebook

Equador: estado de Jorge Glas é “extremamente grave” e prisão constitui “tortura”, alerta defesa

Pedido de habeas corpus solicita que Jorge Glas, sequestrado da embaixada do México em Quito a mando de Noboa, receba cuidados médicos com sua família
Orlando Pérez
La Jornada
Quito

Tradução:

Beatriz Cannabrava

Nesta quarta-feira (3), foi convocada a audiência para conhecer o pedido do ex-vice-presidente Jorge Glas para que, como medida de reparação, seja transferido para a casa de sua mãe para receber atenção médica urgente, adequada e oportuna, já que sua saúde está muito deteriorada e também em razão de sua situação psicológica após quase três meses detido na prisão La Roca.

Tudo isso ocorreu depois que o juiz Patricio Vidal, da Unidade de Garantias Penitenciárias de Guayaquil, na segunda-feira aceitou para tramitação uma ação de habeas corpus apresentada pela advogada Karen Gómez, pois, além disso, existe um alto risco de que ele volte a atentar contra sua vida, segundo consta na demanda.

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Nesse mesmo escrito se alude ao estado físico e mental de Glas, desde seu sequestro em 6 de abril, quando se encontrava refugiado na embaixada do México, pois “têm se deteriorado gradualmente”. Trata-se de um recurso constitucional interposto na sexta-feira, 28 de junho, contra Luis Zaldumbide, diretor do Serviço Nacional de Atenção Integral a Pessoas Adultas Privadas de Liberdade (SNAI), e Juan Carlos Larrea, procurador-geral do Estado.

O texto da demanda também indica que em 8 de abril o ex-segundo mandatário foi encontrado inconsciente em sua cela. Imediatamente foi levado a dois hospitais de administração militar. No entanto, apesar de que tinha uma “precária condição de saúde física e mental”, recebeu alta e foi levado de volta à La Roca, “sem ter recebido atenção psiquiátrica especializada“.

Jorge Glas tentou suicídio

Nesse documento, se sublinha: “Hoje sabemos que o ex-vice-presidente Jorge Glas, naquele 8 de abril de 2024, tentou tirar a própria vida por meio de uma overdose de medicamentos” e acrescenta que, com a história clínica fornecida a Glas pelo Ministério da Defesa, no dia 22 de maio, “se corrobora” que no dia 8 de abril o ex-segundo mandatário foi internado no Hospital Naval “por intoxicação por benzodiazepinas, intoxicação aguda por sedativos e pneumonia adquirida na comunidade”.

No relatório consta uma avaliação psiquiátrica de 14 de junho que aponta a tentativa de suicídio e conclui que “o estado mental atual do senhor Jorge Glas é extremamente grave” e que “será impossível” que Glas receba um tratamento psiquiátrico e psicoterapêutico adequado dentro de uma prisão, menos ainda em La Roca, com um regime de confinamento de 23 horas diárias.

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Em uma nota anterior já havíamos indicado que, além disso, Glas sofre de espondilite anquilosante, que é uma forma de artrose crônica e incurável, doença que requer atenção médica especializada e tratamento de reabilitação que a prisão não pode proporcionar. O ex-segundo mandatário deve tomar essa medicação regularmente, mas na prisão o fornecimento não é regular nem diário.

Com todos esses elementos, Gómez Subía solicita que se declare que as condições que Glas tem na prisão violam, entre outros, seu direito a não ser torturado, tratado de forma cruel, desumana ou degradante.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Orlando Pérez Correspondente do La Jornada em Quito.

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