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Kast amplia poder repressivo do Estado sob discurso de combate ao crime no Chile

Presidente chileno apresenta pacote de 30 projetos que amplia poderes das forças de segurança, endurece penas, reforça a proteção jurídica a policiais e facilita a detenção e expulsão de imigrantes.

Aldo Anfossi
La Jornada
Santiago

Tradução:

Tradução: Isabelle Paiva

José Antonio Kast, o presidente ultradireitista do Chile, anunciou em 5 de agosto que promoverá uma “agenda contra o crime organizado e o terrorismo” (ACOT), com 30 projetos de lei para dar ao Estado mais poder no combate à criminalidade, constitucionalizando que a segurança é um dever do Estado, endurecendo as penas, o controle migratório e o regime penitenciário para impedir que as quadrilhas operem a partir das prisões.

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kast no senado Chileno – Fotografía: Karin Pozo/ Senado

“Hoje damos um passo adicional para recuperar a segurança em nosso país, que marcará um antes e um depois, tal como nos comprometemos durante a campanha.

Vamos perseguir, capturar, julgar e condenar todos aqueles que buscam destruir nossa sociedade. Seremos implacáveis. Não haverá desculpas nem tréguas”, disse em pronunciamento em cadeia nacional.

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Mantendo seu habitual discurso punitivista, continuou dizendo que “a mensagem é clara e direta: os chilenos vão recuperar sua liberdade, e os criminosos e narcotraficantes a perderão para sempre.

Pela primeira vez, o Estado dirá em sua própria Constituição que proteger seu povo não é apenas mais uma opção, mas uma obrigação. Será um mandato que nenhum governo, de qualquer orientação política, poderá ignorar”.

Também prometeu uma espécie de impunidade para a atuação repressiva, ao afirmar que “o carabineiro, o policial, o agente penitenciário ou integrante de qualquer um dos ramos das Forças Armadas que atue em legítima defesa, protegendo sua própria vida ou a de terceiros, não será tratado pela lei como se fosse o criminoso”.

Fiel a essa postura, na manhã de 6 de agosto compareceu a uma operação policial, onde disse aos agentes: “vocês são o que há de mais importante em nossa pátria, sempre foram e isso foi reconhecido pela população”.

“Quero dizer a vocês que a situação mudou. (…) O Chile descansa sobre suas forças policiais e eu queria agradecer por fazerem bem o trabalho, de acordo com a lei, mas sempre com a força da lei. Sintam o apoio de todos nós; estaremos ao lado de vocês e, juntos, vamos recuperar nossa pátria.”

No país vigora uma lei que estabelece a “defesa privilegiada” para os policiais que fazem uso de armas de fogo, presumindo que agiram de forma justificada e com necessidade racional de defender sua própria vida ou a de terceiros diante de uma agressão.

A agenda inclui tipificar como crime a participação em uma organização criminosa, com penas agravadas; e buscará atingir o patrimônio dessas organizações por meio do confisco e da destruição de seus bens.

Ele falou em “perseguir sem descanso”, para o que haverá um efetivo policial permanente nos 50 bairros mais críticos do país.

“Vamos perseguir aqueles que comandam uma quadrilha, seus auxiliares, encobridores, cúmplices e testas de ferro, um por um. Ninguém vai se esconder atrás de um menor de idade, de um advogado ou de um endereço falso”, afirmou.

Também buscará ampliar o prazo de flagrante de 12 para 24 horas, período durante o qual a polícia poderá deter suspeitos sem ordem judicial, além de “ampliar a detenção de imigrantes em situação irregular e a capacidade de expulsão efetiva de quem não tem direito de permanecer no Chile”.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Aldo Anfossi

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