O Peru atravessa sua pior crise de segurança desde o conflito armado interno vivido entre 1980 e 2000, com números que refletem um alarmante agravamento da situação: os homicídios passaram de 1.000 em 2018 para 2.600 em 2025, enquanto as denúncias de extorsão — um dos crimes que mais afetam a população — saltaram de 3.200 para 26.500 no mesmo período.

Diante desse cenário, a nova presidente, Keiko Fujimori, que tomou posse em 28 de julho com a promessa de adotar uma política de mão dura contra o crime, manifestou sua intenção de incorporar o país ao Escudo das Américas, a aliança regional impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O chanceler Carlos Espá, durante uma cerimônia na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Lima, confirmou que “continuaremos os avanços alcançados com nossa incorporação ao Escudo das Américas” e destacou que uma de suas prioridades será “o combate frontal à insegurança pública e à corrupção”.
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Espá, que anteriormente atuou como funcionário da embaixada dos Estados Unidos em Lima, acrescentou que o governo aprofundará “as excelentes relações com os Estados Unidos, um parceiro, aliado e amigo estratégico”, e fortalecerá a cooperação com os países vizinhos e outros parceiros para combater a criminalidade.
O Peru, com 34 milhões de habitantes, é um dos principais produtores mundiais de cocaína e território de atuação de organizações internacionais do narcotráfico. No âmbito do Escudo das Américas, os países-membros coordenam o intercâmbio de informações e a cooperação judicial e policial para enfrentar o crime organizado transnacional.
O embaixador dos Estados Unidos em Lima, Bernie Navarro, apoiou a iniciativa:
“A presidente foi clara. Ela quer que o país seja membro do Escudo das Américas e, com isso, enfrentaremos a criminalidade, os grupos transnacionais e os cartéis que assolam o país.”
Além disso, o chanceler Espá lembrou a assinatura, em maio passado, em Santiago do Chile, de um compromisso regional com Argentina, Chile, Bolívia e Equador para combater a criminalidade transfronteiriça, em um contexto no qual todos esses países enfrentam o avanço de organizações criminosas internacionais, como o Tren de Aragua.
Fujimori, por sua vez, prepara “uma série de medidas para fortalecer a segurança pública”, segundo um comunicado da Presidência, e anunciou em seu discurso de posse que os militares liderarão o combate ao crime para recuperar o controle interno em áreas afetadas por extorsão, narcotráfico e mineração ilegal.





