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Keiko promete mais presídios, cargos viram moeda de troca e elites ignoram ONU sobre Castillo: a direita controla o Estado no Peru

Keiko Fujimori, Rafael López Aliaga e instituições do Peru operam para manter privilégios, ignorar decisões internacionais e consolidar uma ordem política marcada por autoritarismo, impunidade e controle das elites

Gustavo Espinoza M.
Diálogos do Sul Global
Lima

Tradução:

Tradução: Isabelle Paiva

A política crioula, essa que leva ao cenário nacional a classe dominante, ou seja, a burguesia degradada e soberba que se sente dona do país, tem nos permitido observar diversos elementos que podem contribuir para a reflexão cidadã. Vejamos.

Keiko Fujimori nos fez saber que não construirá escolas, mas sim presídios no país durante sua gestão de governo. Adiantou, além disso, que um deles será de “segurança máxima”, e os demais serão comuns, mas, ainda assim, encarcerarão muita gente. Parece que ela pensou bem nisso. Refletiu bastante.

A promessa nos fez lembrar, por contraste, da Revolução Cubana. Quando Fidel e seus companheiros tomaram o poder na Maior das Antilhas, prometeram algo que cumpriram desde o primeiro dia de governo: transformar os quartéis em escolas, para garantir que ali fossem educadas as crianças na pátria de Martí.

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Rafael López Aliaga – wikipedia

A sutileza é esclarecedora. Ela nos serve para diferenciar objetivos: uns são os de uma ditadura sinistra que se abate sobre uma sociedade como a nossa; outro é o de uma Revolução que busca incentivar a libertação humana, o progresso e a ascensão de sua população. Em outras palavras, o que houve em Cuba foi uma Revolução. O que ocorre aqui é uma Involução. É tão difícil entender isso?

Derrotas, controle institucional e repressão: como Keiko levou o fujimorismo de volta ao poder

O Júri Nacional de Eleições decidiu, finalmente, autorizar o senador eleito Rafael López Aliaga, Porky, a concorrer à Prefeitura de Lima como vice-prefeito, para que exerça, na prática, as funções de prefeito caso sua chapa vença as eleições de outubro.

A razão do pedido é simples. Porky, beneficiado pela medida, decidiu agora renunciar ao mandato parlamentar para o qual foi eleito, porque prefere utilizar a Prefeitura de Lima para impulsionar sua campanha com vistas às futuras eleições nacionais.

Ele sabe que, no Senado, passará despercebido e começará a se desgastar politicamente, como ocorrerá com a maioria parlamentar desse corpo legislativo marcado por abusos e cercado de privilégios. Decide, então, trocar de brinquedo e optar por um cargo municipal. E, como os organismos estão a serviço de seus caprichos, consegue que lhe concedam o que deseja. Só faltava essa.

Recordemos: López Aliaga jurou que não renunciaria ao cargo de prefeito para o qual foi eleito em 2022, e renunciou. Depois disse que não concorreria à Presidência da República em 2025, e concorreu. Jurou que disputaria uma vaga no Senado e encabeçou a lista de seu partido, e agora — já eleito — diz que não quer ser senador. Seu lugar na Câmara será ocupado por um antigo aprista e depois fujimorista: Absalón Vásquez. O mínimo que se poderia fazer seria cobrar dele o milhão de soles que deve ao Estado. Já que a pena que lhe foi imposta não será cumprida. Trata-se de um condenado pela Justiça.

Por fim, Porky afirma que quer ser vice-prefeito de Lima, mas, se isso não acontecer, será vereador? Ninguém sabe. O que se sabe é que continuará sendo um mentiroso contumaz, agora e sempre. Mas conta com um Júri Eleitoral que o protege e atende aos seus caprichos.

López Aliaga “se reuniu” com Keiko, que lhe recordou — não nos esqueçamos — que “o inimigo é a Esquerda”. Não é o atraso, nem o sicariato, nem a criminalidade, nem as quadrilhas assassinas que proliferam à sombra das leis “pró-crime”; mas sim a Esquerda, aquela que luta pelos recursos naturais, pela soberania, pelos direitos dos trabalhadores e pelas liberdades públicas.

O Congresso unicameral, que ainda está em funcionamento, decidiu, em um de seus últimos atos, conceder a mais alta condecoração a José Jerí Oré, o mesmo a quem censurou por incapacidade moral permanente há não muito tempo, afastando-o de forma desonrosa da Presidência da República, função que exercia por delegação do próprio Poder Legislativo, que hoje resolveu homenageá-lo em uma cerimônia realizada sob absoluto sigilo, inclusive para os jornalistas.

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Pedro Castillo – wikipedia

A grande maioria dos “políticos” entrevistados pela grande imprensa coincidiu em condenar a resolução adotada por um Grupo de Trabalho das Nações Unidas, que considerou ilegal e arbitrária a detenção do ainda hoje presidente constitucional da República, Pedro Castillo Terrones, destituído por meio de um autêntico golpe de Estado em 7 de dezembro de 2022.

Os comentaristas, aliviados, asseguraram todos que, felizmente, essa é uma decisão “não vinculante”, ou seja, “não nos obriga”. Podemos, então, simplesmente não cumpri-la. Nós, aqui, como López Aliaga, fazemos o que bem entendemos.

A recém-proclamada “nova presidente” recebeu suas credenciais em um comício político organizado pelo Júri Nacional de Eleições na quarta-feira, 15 de julho, no Grande Teatro Nacional. Não foi, como determina a lei, uma cerimônia pública, mas um ato partidário realizado em recinto fechado e com acesso restrito. Além disso, contou com um discurso de caráter político, previamente escrito e ensaiado, naturalmente.

A homenageada exibiu seu novo rosto, aquele que vem construindo cuidadosamente há trinta dias: conciliador, sedutor, quase afetuoso, que ostenta desde que, em um severo ataque de poliandria, decidiu “casar-se” com todos os peruanos.

Desta vez, para receber aplausos com sabor nacional, vestiu dezenas de mulheres com saias tradicionais para fazê-las passar, em vão, por “nativas” do sul andino. Chegou até a contratar os serviços de um velho palhaço que lhe jurou amor até a morte.

Enquanto isso acontecia, a outra face da mesma moeda fujimorista — o ainda presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi — empenhava-se em proteger os policiais que mataram um adolescente na delegacia de Manchay; e também o oficial que ordenou atirar para matar contra cinco jovens esportistas em uma distante comunidade de Huancavelica.

No auge do descaramento, aprovaram uma lei relativa aos “crimes contra a humanidade”, para garantir que nenhum dos massacres cometidos no passado pelo fujimorismo e seus aliados reunisse os “requisitos” para ser considerado como tal.

Antigamente chamavam isso de “espingarda de dois canos”, mas a questão é mais simples: são as duas faces de uma mesma moeda. De um lado, o rosto rechonchudo de Keiko; do outro, o latido austero de Rospigliosi.

Todas elas são variantes da política crioula nestes dias em que ressurge com força a mesma expressão de horror que começou com o pai e que hoje se manifesta por meio da filha. Nessas circunstâncias, poder-se-ia dizer, como a avó: “Que Deus nos encontre confessados”. Digo, é apenas uma forma de dizer.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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