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Protesto pela libertação de Assange em Amsterdã, em 22 de fevereiro de 2020 (Foto: Guido van Nispen / Flickr)

Livre, porém culpado: entenda quem é Julian Assange e qual o acordo para sua liberdade

Liberdade para Assange, fundador do WikiLeaks, ocorre após 12 anos encarcerado por ter divulgado segredos de Estado dos EUA, como violações aos direitos humanos na Guerra do Iraque
Redação elDiario.es
elDiario.es
Madri

Tradução:

Vanessa Martina-Silva

Julian Assange foi libertado após chegar a um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA. Ele se declarou culpado de um único crime grave, encerrando assim uma longa saga que envolveu vários continentes.

Quem é Julian Assange?

Assange nasceu em 1971 em Townsville, no estado australiano de Queensland. Começou a se interessar por computadores desde cedo e, no início dos anos 1990, já era considerado um dos hackers mais habilidosos da Austrália.

Em 2006, fundou o WikiLeaks, uma organização que publicava material vazado. Em 2010, Assange ganhou notoriedade mundial ao publicar uma série de vazamentos de Chelsea Manning, ex-soldado do exército estadunidense. Entre os arquivos, havia um vídeo de um ataque de helicópteros Apache das forças estadunidenses em Bagdá em 2007, no qual 11 pessoas foram mortas, incluindo dois jornalistas da agência Reuters.

O governo dos EUA iniciou uma investigação criminal e Manning foi finalmente condenada e presa pelos vazamentos, embora posteriormente sua pena tenha sido atenuada.

Em novembro de 2010, o WikiLeaks divulgou mais de 250 mil telegramas diplomáticos dos EUA.

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Em 2016, Assange voltou a ser notícia após o WikiLeaks publicar e-mails de operativos do Partido Democrata no período anterior às eleições presidenciais dos EUA. Segundo a Procuradoria dos EUA, os e-mails foram roubados pela inteligência russa e faziam parte de uma operação para interferir nas eleições a favor de Donald Trump.

Assange é aclamado por muitos em todo o mundo como um herói que revelou irregularidades militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Protesto em Londres, em 26 de agosto de 2023, contra a prisão de Julian Assange e os processos de extradição dos EUA (Foto: Alisdare Hickson)

Por que ele foi preso?

Em 2010, foi emitida uma ordem de prisão contra Assange por duas acusações diferentes de abuso sexual na Suécia. Após um tribunal britânico decidir que ele poderia ser extraditado para a Suécia, Assange foi para a embaixada do Equador, onde foi concedido a ele asilo político pelo governo do então presidente Rafael Correa. Na época, se teve conhecimento de que ele temia que, uma vez extraditado para a Suécia, poderia ser extraditado para os Estados Unidos.

Ele permaneceu lá por quase sete anos, durante os quais suas relações com o governo equatoriano se tornaram cada vez mais hostis com a saída de Correa da presidência e a chegada de Lenin Moreno. Em 2019, o ministro das Relações Exteriores do país acusou Assange de comportamento inapropriado, o que incluía andar de patinete e jogar futebol dentro da embaixada, além de ameaçar funcionários da embaixada.

Em 2017, as autoridades suecas retiraram suas acusações contra Assange, mas sua ordem de prisão no Reino Unido por violar a fiança ainda estava em vigor. Em 2019, o Equador retirou o asilo e permitiu que a polícia britânica entrasse na embaixada para prendê-lo.

Após sair da embaixada, Assange foi detido em nome dos Estados Unidos, que haviam solicitado sua extradição. Os Estados Unidos queriam que ele respondesse a 18 delitos e o acusavam de incentivar e ajudar Manning a roubar arquivos militares. Se fosse condenado, poderia enfrentar uma pena de até 175 anos de prisão.

Por que ele foi liberto?

Nos últimos cinco anos, Assange ficou detido em uma prisão de segurança máxima no sul de Londres, onde teve a liberdade sob fiança negada por suposto risco de fuga. Durante todo esse tempo, sua família e simpatizantes afirmavam que sua saúde física e mental estava piorando.

Em 2021, um tribunal britânico disse que Assange poderia ser extraditado para os Estados Unidos, mas no início deste ano ele ganhou o direito de apelar desse veredicto.

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Em fevereiro, o Parlamento australiano aprovou uma moção pedindo aos governos dos EUA e do Reino Unido que permitissem que Assange retornasse ao seu país natal. Em abril, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que estava analisando um pedido da Austrália para retirar a acusação contra Assange.

A família de Assange — incluindo sua mãe — disse nessa terça-feira (25) que o fim de seu “calvário” se deve a uma “diplomacia tranquila”, enquanto seu pai agradeceu ao primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.

O que consta no acordo?

Assange deve comparecer nesta quarta-feira (26) a um tribunal federal das Ilhas Marianas do Norte, uma comunidade dos EUA localizada no Pacífico ocidental, onde ele deve se declarar culpado de uma acusação prevista na Lei de Espionagem por conspirar para obter e divulgar ilegalmente informações classificadas de defesa nacional. É esperado que o pedido de extradição seja retirado e que Assange não enfrente nenhuma outra acusação.

A audiência ocorre nas Ilhas Marianas do Norte devido à oposição de Assange de viajar para o território continental dos EUA e à proximidade do tribunal com a Austrália.

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Os promotores concordaram com uma sentença de cinco anos, mas disseram que o tempo já cumprido em uma prisão britânica contará para isso. Isso significa que ele será libertado após a sentença.

A declaração de culpa ainda precisa ser aprovada por um juiz, e, neste caso, ele poderá retornar à Austrália após a sentença.

John Shipton, pai de Assange, declarou nesta terça (25) à mídia australiana que parece que “Julian poderá desfrutar de uma vida normal com sua família e sua esposa, Stella”.

* Este texto foi traduzido com o auxílio de Inteligência Artificial.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Redação elDiario.es

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