Reprodução: Phxere

Marrocos tenta isolar Frente Polisário na América Latina para consolidar ocupação do Saara Ocidental

De visita em visita, Rabat busca virar governos latino-americanos contra a causa saarauí e vender como “autonomia” a permanência de seu controle sobre o Saara Ocidental.

Redação Resumen LatinoAmericano
Resumen LatinoAmericano
Madrid

Tradução:

Tradução: Ana Corbisier

A diplomacia do Marrocos intensificou seus esforços para penetrar nos tradicionais espaços de influência da Frente Polisário na América Latina, uma região onde a República Saarauí mantém uma rede consolidada de apoios políticos históricos.

Esta estratégia se baseia na ativação da “diplomacia do cheque”, o aproveitamento de vínculos entre partidos de esquerda marroquinos e seus homólogos latino-americanos, assim como na assinatura de acordos de cooperação econômica e de segurança. Israel desempenha um papel chave nesta operação.

A questão central é se esta estratégia permitirá a Rabat erodir o apoio histórico da região ao direito do povo saarauí à autodeterminação. Nos últimos anos, Marrocos outorgou uma importância crescente a suas relações geopolíticas com a América Latina, especialmente no que se refere às posições destes países com relação ao Saara Ocidental, território considerado pelas Nações Unidas como um caso de descolonização pendente.

Neste cenário, a diplomacia marroquina trava uma intensa batalha política e midiática contra a Frente Polisário, que defende o direito do povo saarauí à independência e conta com apoios significativos na região.

As relações entre o Marrocos e os países latino-americanos flutuam em função de suas orientações políticas internas. Os governos de direita tendem a alinhar-se com a posição marroquina sobre a denominada “integridade territorial”, enquanto os governos de esquerda mantêm uma posição mais próxima do princípio de autodeterminação dos povos.

Estratégia de penetração diplomática

A diplomacia marroquina desenvolveu uma estratégia ativa para reforçar sua presença no que tradicionalmente foi um espaço de apoio à Frente Polisário na América Latina.

Esta estratégia combina diplomacia estatal, acordos bilaterais de cooperação e a mobilização de redes políticas e econômicas. Rabat apostou ainda em acordos em matéria de segurança, economia e comércio para fortalecer sua influência neste continente.

Recentemente, Marrocos assinou com o Brasil um acordo de cooperação focado na luta contra o narcotráfico, o terrorismo, o tráfico de pessoas, a lavagem de capitais, a delinquência organizada e a ciber-delinquência. Rabat também reforçou seus vínculos com Argentina e Uruguai mediante visitas parlamentares e o fortalecimento do diálogo institucional.

Em janeiro passado, Rabat teria se envolvido, por meio de Israel, em uma operação impulsionada pela Argentina e Tel-Aviv com o objetivo de influir na evolução política de vários países latino-americanos, entre eles Cuba, Venezuela, Colômbia, Nicarágua e Bolívia. Segundo fontes exclusivas, esta iniciativa teria como finalidade favorecer a chegada ao poder de governos afins aos interesses de seus promotores e reforçar alianças estratégicas na região.

De acordo com estas informações, o plano estaria vinculado aos denominados “Acordos de Isaac”, um marco de cooperação política e estratégica cujo alcance e conteúdo não foram plenamente esclarecidos nem confirmados. Seus defensores garantem que estes acordos buscam fortalecer a cooperação internacional entre determinados governos, enquanto seus críticos os interpretam como um instrumento de influência geopolítica na América Latina.

Neste contexto, Israel e vários países da América Latina avançam na implementação destes acordos, uma iniciativa promovida pelo presidente da Argentina, Javier Milei que busca fortalecer a cooperação em tecnologia, inovação, segurança e desenvolvimento.

O papel da Frente Polisário na região

A presença da Frente Polisário en América Latina viu-se historicamente reforçada por vínculos ideológicos com partidos de esquerda e movimentos anti-imperialistas. Segundo esta análise, o caso do Chile marcou um ponto de inflexão ao retirar seu reconhecimento à República Árabe Saarauí Democrática, o que abriu a porta para uma mudança progressiva de posições na região.

No entanto, da perspectiva do direito internacional e dos princípios de descolonização, a Frente Polisário se limita e reitera que estas mudanças não alteram a natureza jurídica do conflito, reconhecido pelas Nações Unidas como um processo de autodeterminação ainda não concluído.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação Resumen LatinoAmericano

LEIA tAMBÉM

Burkina Faso
"O Estado não será mais espectador”: Burkina Faso prepara nacionalizações e empresas públicas
Senegal
O saque do mar no Senegal transforma pescadores em migrantes e o Atlântico em rota de morte
Sahel
Derrotada no Sahel, França redesenha sua estratégia para disputar influência na África
Marrocos
Aliado do ocidente, Marrocos usa chantagem, repressão e ocupação para impor poder na África