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Austrália em chamas: mortos, desaparecidos, desabrigados e milhões de animais dizimados

Em setembro, uma onda de incêndios atingiu o sudeste do país, onde as temperaturas subiram em um grau no século passado

"Apocalíptico", "caótico", "feroz", "devastador". Nenhuma palavra de todos os meios de comunicação é suficiente para descrever a crise na Austrália desde setembro de 2019, que já conta com pelo menos dezoito pessoas mortas, dezenas de pessoas desaparecidas, milhares de desabrigados e espécies inteiras de animais e plantas aniquilados pelos incêndios florestais. Para especialistas da Universidade de Sydney, o número de mamíferos, aves e répteis que foram dizimados é de 480 milhões. Em alguns casos, certas espécies podem ser declaradas extintas no final desta catástrofe.

Os dois estados mais afetados são: Victoria e a costa sul de Nova Gales do Sul, que já conta com várias pessoas mortas ou desaparecidas, com a destruição de casas e milhares de pessoas presas nas praias, entre turistas e nativos, abrigando-se dos incêndios e da fumaça, que já chegou até à Nova Zelândia. Estima-se que queimaram mais de três milhões de hectares, apenas no estado australiano de Nova Gales do Sul.

"Apocalíptico", "caótico", "feroz", "devastador". Nenhuma palavra de todos os meios de comunicação é suficiente para descrever a crise na Austrália desde setembro de 2019, que já conta com pelo menos dezoito pessoas mortas, dezenas de pessoas desaparecidas, milhares de desabrigados e espécies inteiras de animais e plantas aniquilados pelos incêndios florestais. Para especialistas da Universidade de Sydney, o número de mamíferos, aves e répteis que foram dizimados é de 480 milhões. Em alguns casos, certas espécies podem ser declaradas extintas no final desta catástrofe.

Os incêndios florestais também estão invadindo o território de Victoria, onde o primeiro-ministro, Daniel Andrews, declarou "estado de calamidade", com cerca de vinte e quatro comunidades isoladas."Estamos tentando entrar o mais rápido possível para fornecer suprimentos essenciais (incluindo telefones via satélite).No entanto, a fumaça atual está dificultando as condições para permitir que os aviões voem", disse.

Uma grande massa de ar quente se move em todo o país, criando condições para a propagação de novos incêndios em Victoria e em Nova Gales do Sul, nesta sexta-feira e sábado, respectivamente.

A meteorologista da Sky News, Alison Osborne, descreveu os incêndios com: "imprevisíveis, incontroláveis e em movimento rápido". Rajadas de vento, poeira, fumaça e até mesmo trovoadas não contribuem para a melhora do cenário.

Danos irreparáveis à natureza

Além do problema para os humanos, esta é uma perda irreparável da biodiversidade. Os coalas são uma das espécies mais ameaçadas, em que se calcula que ao menos dois mil já foram mortos neste episódio. Em declaração ao jornal Mail Australia, Chris Dickman, professor de ecologia da Universidade de Sydney, disse que "é quase certo que um grande número de coalas morreram diretamente pelas chamas, ao inalar fumaça ou que, mesmo aqueles que conseguiram escapar, foram mortos por cães."

O professor Dickman acrescenta que se fala de uma "extinção funcional" dos coalas, já que o seu número na atualidade não ocupa um papel considerável no ecossistema.O território norte de Nova Gales do Sul, o habitat ideal para esta espécie, devido ao seu solo fértil, vem devastando as chamas desde novembro. Manter os sobreviventes em cativeiro por um longo período, com ajuda humana para sua reprodução, não é uma boa opção para saúde dos animais, diz o acadêmico. Os coalas são herbívoros e se alimentam especialmente de folhas de eucalipto e será um desafio recriar seu habitat, com o mesmo tipo de árvores em que se desenvolveram durante gerações.

Embora os incêndios florestais tenham dado uma trégua para as festas de Natal, estima-se que ainda há 79 focos de chamas em Nova Gales do Sul, metade dos quais ainda precisam ser contidos. Eles afetam particularmente espécies que vivem em árvores, como os coalas e as cacatuas, mas também outros herbívoros, como wómbats, pequenos marsupiais que se alimentam de ervas e raízes, e os cangurus australianos.

Uma aliança de treze partidos chamada Stand Up For Nature, exige a suspensão da exploração madeireira de florestas nativas em Nova Gales do Sul, até que o impacto catastrófico dos incêndios neste território seja conhecido. Em uma carta a Gladys Berejiklian, primeiro-ministro do estado, a aliança ambiental observa que "o impacto em muitas espécies tem sido extremo e já está em andamento. Provavelmente, a extensão total das perdas de vida selvagem nunca será conhecida, mas certamente será de milhões." Solicitam também que os trabalhadores da indústria madeireira não sejam afetados: "Pedimos ao Governo para que assegure que os trabalhadores recebam apoio durante este processo, seja com opções alternativas de emprego, assistência financeira ou outros", argumenta a carta, reproduzida pelo portal australiano news.com.au

Os incêndios são naturais? Sim e não

De acordo com especialistas, as temporadas de incêndio se tornarão cada vez mais frequentes, intensas e mais duradouras, como resultado da crise climática global, a manifestação mais óbvia é o aumento da temperatura da Terra e o surgimento de fenômenos extremos, como secas e inundações mais pronunciadas.

O primeiro-ministro Scott Morrison tem sido altamente questionado durante esta crise por causa de sua reação lenta e por evitar ligar esta catástrofe à crise climática, apesar das temperaturas recordes de 2019 e do aumento, em média, de um grau na temperatura, ao longo do século passado.

Em meio ao desastre, o conservador Morrison, alinhado com Trump e Bolsonaro em sua campanha de negação da crise climática, estava de férias no Havaí, o que lhe rendeu os protestos dos moradores das áreas afetadas, ao tentar visitar em seu retorno. "Você não é bem-vindo", foi sua recepção em Nova Gales do Sul.

Enquanto a população está muito preocupada com a situação, foi apenas há algumas semanas que o primeiro-ministro esboçou uma conexão entre a emergência climática e os incêndios, mas se vangloriou de que estava fazendo progressos na redução das emissões de 26% para 28% em 2030, embora insista que a Austrália continua a ser o principal exportador mundial de carvão.

Seu vice, Michael McCormack, por outro lado, nega tudo descaradamente, chegou ao ponto de dizer que houve incêndios na Austrália "desde o início dos tempos" e que aqueles que se preocupam com a mudança climática são "uns lunáticos delirantes da cidade".

De acordo com pesquisas, 77% dos australianos se sentem entre "preocupados" e "muito preocupados" com esta crise climática que, nas palavras de Michael Löwy, coloca "todos os alarmes em vermelho" por causa da "corrida louca para o lucro, a lógica produtivista e comercial da civilização capitalista / industrial" que nos levam a "um desastre ecológico de proporções incalculáveis" que "ameaça aniquilar os fundamentos naturais da vida humana no planeta." 


*Com informações do El País, news.com.au e Daily Mail.




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