Ao se completar nesta segunda-feira (24) o terceiro ano desde que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou iniciar a operação militar especial na Ucrânia, a guerra entre esses dois povos eslavos, outrora irmãos e agora talvez distanciados para sempre, continua semeando morte e devastação. Ao todo, o conflito soma 1.097 dias consecutivos.
Nesta última semana, muito foi escrito e comentado no rádio e na televisão sobre o surgimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como pretenso mediador. No entanto, alguns analistas afirmam que as negociações estão longe de ter começado e que, colocadas nos termos atuais, sem levar em conta os interesses de todas as partes envolvidas, dificilmente poderão pôr fim à guerra.
Até agora — sustentam aqueles que acompanham de perto o que ocorre em Washington, Moscou, Kiev e Bruxelas, as grandes capitais implicadas —, Vladimir Putin e Volodymir Zelensky se limitam a oferecer separadamente a Donald Trump algum acordo que acreditam ser de seu interesse, como costuma acontecer em barganhas de compra e venda de imóveis.
O mandatário russo propõe normalizar relações para impulsionar a cooperação econômica até o Ártico. Já o governante ucraniano sugere compartilhar os recursos minerais da Ucrânia, mas não na medida proposta por Trump.
Manutenção dos territórios já conquistados
Enquanto isso, declarações recentes do chanceler Serguei Lavrov, do assessor presidencial em política externa, Yuri Ushakov, e do porta-voz da presidência russa, Dimitri Peskov, ressaltam que o Kremlin reitera o interesse em manter cerca de 20% da superfície do país vizinho eslavo: os territórios já conquistados, incluindo os que ainda faltam libertar nas regiões de Donetsk, Kherson e Zaporíjia, incorporadas à Federação Russa, junto com Lugansk.
Moscou reforça ainda que Kiev renuncie à ideia de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), se declare neutra e desarme seu exército, além de modificar as leis para favorecer a língua, a cultura e a religião da população nas regiões com mais habitantes de origem russa. A Ucrânia rejeita essas imposições.
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Por sua vez, o governo da Ucrânia — ainda que tenha moderado sua retórica inicial de recuperar o território que possuía como parte da União Soviética, de acordo com as fronteiras de 1991, ou mesmo os limites que existiam até 24 de fevereiro de 2022 — acredita que a cessão de território teria um status temporário e centra sua estratégia em conseguir garantias de segurança.
Entre essas garantias, menciona sua adesão imediata à Otan ou o deslocamento de um “contingente de paz” com militares de países europeus ao longo de 1.200 km de fronteira, além de armamento — para não sofrerem novos ataques, afirmam —e dinheiro para reconstruir as infraestruturas e moradias danificadas. A Rússia não aceita tais exigências.
Nesse contexto, e independentemente do que Trump diga ou deixe de dizer a cada dia, as notícias das últimas semanas mostram que a Rússia e a Ucrânia continuam se bombardeando.
O exército de Moscou, que tem duas ou três vezes mais armamento, continua seu paulatino avanço sobre Donetsk, enquanto as tropas ucranianas permanecem na região russa de Kursk. E nesta guerra de desgaste, ambos os exércitos sofrem numerosas baixas em mortos e feridos.
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