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A unidade eleitoral do peronismo demonstra mais uma vez ser eficaz quando está na oposição. No entanto, não se deve descuidar da unidade política daqui em diante. (Imagem: @UTEPoficial / X)

Antimileísmo avança: 18 lições sobre a derrota eleitoral de Milei em Buenos Aires

As eleições legislativas em Buenos Aires, que representa 40% do censo nacional, são um termômetro para a votação nacional que acontece no próximo mês de outubro

Alfredo Serrano Mancilla
Celag
Buenos Aires

Tradução:

Guilherme Ribeiro

Neste domingo (7), foram realizadas eleições legislativas na Província de Buenos Aires, na Argentina. Os cidadãos votaram para eleger 46 deputados e 23 senadores, além de conselheiros municipais e escolares.

Com 99,4% das urnas apuradas, a oposição peronista liderada pelo Força Pátria conquistou 47,3% dos votos, frente a 33,7% do A Liberdade Avança, de Javier Milei.

O pleito é um termômetro para as eleições legislativas nacionais, que acontecem em outubro, já que Buenos Aires representa 40% do censo nacional. Por isso, vale analisar o que os resultados deste domingo apontam sobre o cenário político argentino. Entenda, em 18 pontos:

  • Venceu o Antimileísmo. Esse espaço se consolida como grande eixo articulador. Mostrou ser eficiente em termos eleitorais. E também pode vir a ser em termos ideológicos e políticos.
  • Milei acreditou que teria para sempre o apoio circunstancial de 55% obtido no segundo turno de 2023. E superestimou a si mesmo. Fez trapaças consigo mesmo. O mesmo já aconteceu com Macri.
  • É impossível fazer Antipolítica a partir da Política. Milei se perdeu em seu próprio labirinto.
  • O fracasso do modelo econômico de Milei explica boa parte da derrota eleitoral. Viver pior nunca soma votos. Não devemos subestimar essa questão.
  • O ódio e a violência contra o outro (o “Kuka”, como se referem aos kirchneristas) como pilar fundamental para fazer política é insuficiente para a sustentabilidade de um projeto.
  • Perder a sensibilidade custa caro em termos políticos e eleitorais. O que foi feito contra pessoas com deficiência tem um custo altíssimo.
  • Os jovens podem tirar seu voto tão rápido quanto deram.
  • Milei mostrou mais uma vez que não entende de matemática. No encerramento da campanha, disse que havia “empate técnico”.
  • As fotos com Elon Musk somam likes, mas não votos; viajar mais aos Estados Unidos do que para o interior da Argentina soma likes, mas não votos.
  • O “qualquercoisismo” de Milei serve para corredores de 100 metros, mas não serve nem mesmo para uma meia maratona. Ser presidente exige muito mais.
  • O formato comunicacional “Dan” só serve para destruir. Outra coisa bem distinta é a ação de governar.
  • O jornalismo mileísta se desconectou da realidade. Minutos após a divulgação do resultado, fugiam para frente falando da reação dos mercados e das eleições de outubro. Continuavam sem entender nada.
  • A Chefe Karina é um fardo. Tira muito mais do que 3%.
  • Nem sempre somar siglas soma votos. Basta ver o que aconteceu com La Libertad Avanza + Juntos por el Cambio. Análises reducionistas não ajudam muito em situações complexas.
  • O kirchnerismo, como identidade política, não pode ser eliminado por meio de decisões do Poder Judiciário.
  • O espírito “Grabois”, de não jogar a toalha quando a estrada fica muito íngreme, é vital para fazer política. Ter convicções sempre rende, eleitoral e politicamente.
  • A gestão cotidiana do governo de Axel deu frutos. Buscou soluções concretas em cada lugar onde Milei gerou um problema. Isso é trabalho de base.
  • A unidade eleitoral do peronismo demonstra mais uma vez ser eficaz quando está na oposição. No entanto, não se deve descuidar da unidade política daqui em diante.

 

(P.S.: A Argentina não é o país retratado no filme Homo Argentum.)


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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