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Uribe Turbay, um político de direita de 39 anos de idade, era próximo do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez e um forte crítico do atual governo de centro-esquerda (Imagem: Reprodução / Facebook - Miguel Uribe Turbay)

Morte de Miguel Uribe: violência política beneficia direita, aponta especialista da Colômbia

Segundo cientista político León Valencia, “a direita se sente muito confortável” com a sensação de medo e insegurança gerada por casos como o de Miguel Uribe: “É seu assunto predileto”

Camilo Rengifo Marín
Estratégia.la
Bogotá

Tradução:

Tradução: Guilherme Ribeiro

Nesta segunda-feira (11), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, lamentou a morte do senador Miguel Uribe Turbay, com condolências à família e aos colombianos, e pediu para aprofundar a investigação sobre o ataque sofrido em junho pelo pré-candidato presidencial. “A vida está acima de qualquer ideologia”, disse Petro em uma mensagem publicada no X, na qual falou sobre a violência política que abalou o país nas últimas décadas.

O senador e pré-candidato presidencial sofreu um atentado em 7 de junho em Bogotá, em plena luz do dia, em um parque, durante um comício político, onde recebeu três disparos. As garantias de segurança dele e de outros pré-candidatos presidenciais têm sido questionadas desde então. O principal suspeito de atirar contra o senador é um adolescente de 15 anos, acusado dos crimes de homicídio na modalidade de tentativa e fabricação, tráfico, porte ou posse de armas de fogo.

O atentado trouxe aos colombianos a lembrança funesta da violência entre o final da década de 1980 e início da de 1990. León Valencia, cientista político e diretor da fundação Pares na Colômbia, considera que é fundamental entender que, no país, esse tipo de ataque não é caso isolado, mas vem carregado de “raiva e ódio”, sendo, portanto, um magnicídio “calculado” que buscava impactar “politicamente”.

Acrescentou que “quando se discute sobre segurança, quando se discute sobre medo, e quando, digamos, os meios de comunicação trazem essa sensação de dificuldade para as pessoas nas ruas, na vida diária, aí a direita se sente muito confortável. A direita tem mais credenciais para debater o tema da segurança e é seu assunto predileto”.

“Era uma pessoa jovem que já havia liderado, recentemente, o Centro Democrático, que é o principal partido de oposição e que havia marcado a política colombiana no século 21. Essa sigla e o uribismo eram o partido mais importante até a chegada do Pacto Histórico, até Petro vencer”, acrescentou León Valencia.

Uribe Turbay, um político de direita de 39 anos de idade, era próximo do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez e um forte crítico do atual governo de centro-esquerda, representando um rosto jovem da oposição na Colômbia. Era senador desde 2022 pelo partido Centro Democrático. Em outubro de 2024, no local onde mataram sua mãe, anunciou sua aspiração à presidência para as eleições de 2026. Na ocasião, afirmou que essa morte determinou sua vida: “Poderia ter crescido buscando vingança, mas decidi fazer o certo: perdoar, mas nunca esquecer”.

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Petro: “A vingança não é o caminho”

Por sua vez, Petro afirmou que as causas do atentado estão “ainda em averiguação” e que “serão as autoridades competentes para isso, auxiliadas por especialistas internacionais, que se pronunciarão no momento oportuno”. Até agora, as autoridades detiveram seis suspeitos, entre eles os supostos autores materiais e intelectuais do crime. Todos os envolvidos se declararam inocentes das acusações. “A vingança não é o caminho da Colômbia. Por vinganças, levamos décadas de violência. Basta”, disse Petro.

Em junho, Petro informou que estava sob investigação uma “máfia” intermediária distante de Bogotá, que teria dado a ordem de “conseguir dois jovens menores de idade que soubessem manusear muito bem a arma” para o atentado. Nesta segunda-feira, afirmou que a investigação aponta “um caminho muito diferente do que inicialmente e de maneira preconceituosa se insinuou”, sem oferecer mais detalhes. “Ao governo cabe repudiar o crime e ajudar. Seja de qualquer ideologia, a pessoa e sua família, sua vida e sua segurança são, para o governo, a prioridade. Não perseguimos nenhum membro da oposição, nem o faremos”, enfatizou o mandatário.

Uribe Turbay, neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala (1978-1982) e que passou quase três meses em cuidados intensivos, viveu de perto o pior da violência daqueles anos: sua mãe, a jornalista Diana Turbay, foi sequestrada por narcotraficantes do Cartel de Medellín, sob o comando de Pablo Escobar, e assassinada em 1991 durante uma operação de resgate. Naquela época, também foram assassinados os aspirantes presidenciais Juan Pardo Leal, Luis Carlos Galán, Bernardo Jaramillo, Carlos Pizarro e Álvaro Gómez Hurtado.

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Em 1989, após a morte de Luis Carlos Galán — dissidente do então governista Partido Liberal —, César Gaviria surgiu como o candidato liberal que herdava seus votos com o apoio do filho do político assassinado, Juan Manuel Galán.

Hoje, as vozes da esposa de Uribe Turbay, María Claudia Tarazona, assim como do líder do partido, o ex-presidente Uribe Vélez — em prisão domiciliar por um caso de manipulação de testemunhas —, poderiam influenciar para que a decisão sobre o futuro do Centro Democrático siga por um caminho ou outro. O partido, a princípio, teria optado por uma pesquisa em outubro para definir seu candidato às eleições de 2026, mas após a morte de Uribe Turbay não se pronunciou sobre essa definição.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Camilo Rengifo Marín Economista e docente universitário colombiano, é analista associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE, www.estrategia.la)

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