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Movimentos sociais saúdam a Frente Sandinista chamam à reflexão e unidade

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Carlos Fonseca Amador fundador da Frente Sandinista de Libertação Nacional
Carlos Fonseca Amador fundador da Frente Sandinista de Libertação Nacional

Declaração do VII Encontro de Movimentos Sociais

Em comemoração ao 34o aniversário da Revolução Popular Sandinista, os participantes no Encontro de Movimentos Sociais das Américas e do Caribe, representantes de 28 organizações sociais de 12 países, reunidos em Manágua, Nicarágua Livre, nos dias 15, 16, e 17 de julho, imbuídos do espírito latino-americanista e caribenho da revolução, fizemos uma reflexão em torno de importantes temas como a disputa do poder da hegemonia do poder político, as alianças e a luta ideológica.

Saudamos o 52o aniversário da fundação do Frente Sandinista de Libertação Nacional e o 34o aniversário do triunfo da Revolução Popular Sandinista e, celebramos com o povo nicaraguense suas experiências de como está sendo gerado um profundo processo de transformação cultural, política, social e econômica na Nicarágua, onde os movimentos sociais souberam combinar suas reivindicações concretas com a luta pela soberania nacional e o bem estar de todos e todas com a condução do comandante Daniel Ortega e a companheira Rosario Murillo.

Nestes dias de reflexão foi possível chegar às seguintes conclusões e resoluções:

Disputa pelo poder político

Em cada parte da geografia latino-americana e caribenha a revolução adquire diferentes formas de luta em correspondência com cada realidade social, econômica, política e cultural. Os país têm suas particularidades históricas e sociais mas se enfrentam a uma mesma generalidade continental, o imperialismo neoliberal com suas consequências negativas para a  felicidade, a esperança e o desenvolvimento dos povos, o que faz de cada luta nos diferentes países uma parte integrante da revolução latino-americana e caribenha, em si uma luta internacional e internacionalista.

Esta luta internacionalista,  latino-americanista e caribenha demanda uma maior coordenação e o apoio mútuo dos movimentos revolucionários de acordo a suas realidades, etapa e possibilidades, considerando que em alguns países a revolução está em etapa de gestação, em outros de resistência e em outros de consolidação, aprofundamento e de evolução, com poderia ser o caso da Revolução Cubana, Venezuelana ou Nicaraguense, para citar alguns exemplos.

A Revolução latino-americana e caribenha, em alguns países, alcançou o governo pela via eleitoral no marca das herdadas democracias burguesas; em outros está disputando espaço nas assembleias nacionais, nos conselhos municipais e demais poderes do Estado; em outros países se está gestando instrumentos para disputar ditos espaços aos partidos de interesses oligárquicos que promulgam e defendem a democracia burguesa neoliberal.

A Revolução latino-americana e caribenha avança em formas importantes ao criar e fortalecer instituições supranacionais, graças a Chávez, como a ALBA-TCP, Petrocaribe, Unasul, Mercosul, Celac, o que evidencia um cenário de possibilidades aos movimentos revolucionários nos países da região para somar maiores forças, estabelecer alianças, avançar nas conquistas do poder e conseguir a hegemonia política.

A Revolução em sua luta por alcançar o poder política se enfrenta com as conhecidas formas dos impérios para anular e violentar a revolução e suas expressões nos diferentes países. O poder imperial desenvolve ações para romper o consenso e unidade alcançadas por parte dos movimentos políticos e sociais revolucionários inclusive o movimento sindical. Utiliza os meios de comunicação de massa para gerar estados de terror na população e na direção das organizações sociais e sindicais para frear suas lutas; criam cercos midiáticos para desvirtuar e manipular as demandas e as lutas legítimas dos movimentos sociais e sindicais de esquerda. O império trata de infiltrar e dominar os aparatos de proteção e seguranças nos países (exércitos e polícias) para gerar golpes militares contra governos legitimamente eleitos. São encarcerados os dirigentes sociais e sindicais assim como o desaparecimento físico de muitos outros; armam fraudes eleitorais contra movimentos e partidos políticos progressistas, ou fazem campanhas de deslegitimação. Diante de tudo isto só a Unidade dos Movimentos Sociais, dos Movimentos Políticos e todo o povo em torno de um projeto político e com uma estratégia inclusive, ampla e solidária, possibilitará o triunfo. Isto inclui o trabalho político entre os eleitores de todos os partidos e inclusive no seio das forças armadas, porque, afinal, o poder radica na consciência organizada da maioria do povo. Sem o apoio da maioria da população no pode haver Revolução.

Construção de alianças

A luta da Revolução latino-americana e caribenha contra o império neoliberal demanda a construção de alianças nacionais e regionais. Considerando que não há uma hegemonia possível sem alianças.

As alianças nacionais para a conquista do poder político apresentam sinais diversos. As alianças por ocasião de conseguir estabelecer um consenso de nação que permita mobilizar as vontades de diferentes setores da sociedade realizando transformações revolucionárias. Outras oportunidades mostraram aliança sobre pontos específicos de interesses sobre modificações institucionais e ações reivindicativas, em que se evidencia uma união na ação das forças sociais cuja duração é menor no tempo, não obstante permita avançar nos objetivos da revolução. Também alianças que levam ao surgimento de organizações sociais e política, e também permitem o fortalecimento de uma cultura de organização, de diálogo e consenso sobre a base do interesse pelo bem comum.

A Revolução latino-americana e caribenha demanda que as alianças devem ser alcançadas a partir das bases das organizações com vistas a somar forças, aglutiná-las e conseguir uma nova dinâmica de transformação. Aqui é importante somar com os movimentos de camponeses, de trabalhadores e dos setores religiosos.

Em tudo isto é fundamental e condição sine qua non a mobilização e a educação política da juventude para liderar os processos, bem como apoiar e assegurar a continuidade geracional do projeto evolucionário, e também a integração e participação das mulheres na conquista da igualdade social e equidade de gênero. Não se pode descuidar o tema dos adultos mais velhos trabalhando em sua integração social e sua dignificação.

A Revolução latino-americana e caribenha necessita que os movimentos sociais sejam os suportes dos projetos revolucionários, mas, tendo claro de que só vencendo o sectarismo e reconhecendo a necessidade de formar, conformar ou aliar com um movimento ou partido político se poderá disputar o poder e alcançar a hegemonia política. E a hegemonia se constrói unicamente alcançando a legitimidade que é dada pelo povo, compartilhando as responsabilidades e desenvolvendo transformações. Nesse sentido, é preciso considerar a importância da participação e a contribuição dos movimentos sociais na luta política eleitoral somando o apoio de mais setores sociais e trabalhar uma estratégia de divisão da direita para enfrentar sua maquinaria e sua experiência eleitoral.

Luta ideológica 

No continente os governos neoliberais tomaram o cuidado de manter na escuridão os povos negando o acesso à informação real e objetiva, bem como a formação e crescimento intelectual e profissional, com maior impacto sobre as comunidades originárias, os camponeses e operários. Só quando se aclaram nossos pensamentos é que foram alcançados avanços significativos na luta.

O império neoliberal conseguiu converter os meios de comunicação de massa em promotores do consumismo desmesurado, doutrinadores de contra-valores, manipuladores e chantagista do momento social e sindical revolucionário.

A Revolução latino-americana e caribenha tem aprendido a fixar na menta da população que as transformações revolucionárias são garantia de restituição dos direitos políticos, culturais, sociais e econômicos de homens e mulheres, não ao contrário como os meios de comunicação têm pretendido permanentemente ensinar, meios cujas linhas editoriais converge com as informações internacionais das grandes empresas de comunicação em mãos do império neoliberal.

A luta político ideológica deve formar consciência nos povos e enfrentar o inimigo comum. Isso inclui enfrentar o poder midiático da direita, construindo meios de comunicação alternativos que tornem efetivo o enfrentamento e a luta ideológica, e também sirva para compartilhar debates e experiências. O trabalho político direto é insubstituível. Criar uma nova consciência e novos valores onde a educação tem um papel fundamental.

A chave fundamental para esta luta é a consciência política de cada um dos cidadãos pois sem ela não se terá o governo que convém. A Revolução  necessita de uma base ideológica, tomando em conta de que o capitalismo nos leva vantagem. É necessário muitas análises, estudo, crítica e autocrítica.

Estes anos de neoliberalismo serviram para evidenciar que os meios de comunicação de massa a serviço da  burguesia constroem imagens de falsos líderes políticos e sociais, ocultam a corrupção estatal e os processos de privatização dos serviços públicos nos estados neoliberais, enquanto buscam exacerbar as naturais deficiências no exercício de funções públicos dos governos progressistas, e sobretudo, buscam gerar desconfiança entre os movimentos populares.

Em termos ideológico, entendemos que uma revolução deve ser moral. Na América Latina os governos de esquerda venceram eleições tendo os meios de comunicação fazendo oposição. Não obstante é preciso apropriar-se pouco a pouco dos meios para que possam refletir a visão do país real, para gerar uma consciência crítica e uma conduta de transformação e para apoiar as ações organizadas das pessoas.

É importante discutir como conseguir a tomada de consciência, como as lutas sociais, associativas ou sindicais permitem a interiorização das ideias revolucionárias, como nossa mente se desprende das pequenezes e o coração  se apodera da necessidade de transformação; como construir e reconstruir as ideias a partir da prática; como nos vinculamos, como vamos avançar e encontrar as estratégias para lutar contra o império.

Para o trabalho ideológico é vital não se separar do sentimento, das crenças, as culturas e religiosidade de nossos povos. É revolucionário reconhecer e respeitar esses valores muitos deles plenos de amor, solidariedade, esperança e fé, e sobretudo de ações pelo bem comum, No centro destas ações e como uma bandeira que tem que ser tirada da direita e ser transformada em estratégia revolucionáaria está a luta contra a pobreza.

Em evolução e em Revolução

Nem um passo atrás!


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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