No Vietnã, mulheres assumem postos de comando, mas ainda ganham menos

País ocupa o 65º lugar entre 144 países em termos de igualdade de gênero e o 33º quando à participação e oportunidade econômica para as mulheres

Alberto Salazar Gutiérrez

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As mulheres já representam 48% da força de trabalho no Vietnã e são as proprietárias ou as diretoras da quarta parte de todas as empresas e negócios da nação indochinesa. 

Há pouco tempo, um diário local citava um organismo internacional segundo o qual Vietnã ocupava o 65º lugar entre 144 países em termos de igualdade de gênero e o 33º quando à participação e oportunidade econômica para as mulheres.

Certamente há avanços, inclusive uma notável presença em cargos de poder.

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Quase 60% das trabalhadoras não oficiais têm que aceitar um trabalho com salários baixos

A Assembleia Nacional, por exemplo, está sob a direção de uma mulher, Nguyen Thi Kim Ngan, e a presença feminina no Parlamento é das mais elevadas da região e do mundo: mais de um quarto dos 491 deputados são mulheres. 

Como elas, o Partido Comunista considera que essa proporção ainda é insuficiente e instruiu a que se faça o necessário para que em 2020 esse número aumente até 35 ou 40%, tanto na Assembleia Nacional como nos conselhos populares (governos locais).

A organização política também pretende que em três anos 25% dos seus quadros sejam mulheres, e que estas ocupem pelo menos 30% dos cargos de direção dos organismos estatais. 

Mas se de estatísticas se trata, também deve-se recordar que embora 72% das vietnamitas trabalhem, um índice muito acima da média mundial, o tratamento que recebem é ainda discriminatório em termos de salário e outras condições de trabalho elementares. 

Assim, as mulheres recebem 11% menos que os homens em postos similares, e a brecha se amplia nos grupos de maior qualificação. 

As diferenças são abundantes

As trabalhadoras, por exemplo, representam 48,4% da força de trabalho do país, e em alguns ramos como o têxtil, o de calçado e dos produtos eletrônicos esse índice supera os 70%. 

A cara feia da moeda é que para reduzir os custos da mão de obra, as empresas impõem a elas mais horas de trabalho com salários mais baixos e, no final, seus desembolsos só significam 2% da cadeia global de valor. 

Estas e outras circunstâncias gravitam sobre o bem-estar material e espiritual das vietnamitas, apesar da decidida política do governo de melhorar suas condições de vida e trabalho. 

Na nação indochinesa a desigualdade de gênero no âmbito do trabalho também se expressa na existência de quase 8 milhões de trabalhadoras no setor informal, sob condições de pobreza e vítimas da pior exploração. 

Quase 60% das trabalhadoras não oficiais têm que aceitar um trabalho com salários baixos, má segurança e falta de bem-estar. 

Também em termos de carreiras e desenvolvimento de habilidades em geral as mulheres devem vencer mais barreiras que os homens: em trabalhos não qualificados elas representam 52% e no setor doméstico 66,6%, mas em postos de direção, apenas 26%. No entanto, em torno de 55% das mulheres desempregadas têm curso universitário.

*Prensa Latina, de Hanói, Vietnã, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados

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