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Alerta na ONU: um ano da repressão de Israel por protestos ocorridos na Faixa de Gaza

A potência ocupante tem mantido um bloqueio hermético de ar, mar e terra ao redor da Faixa de Gaza, controlando quem e o que entra e sai

Ibis Frade

Havana (Cuba)

Prensa Latina Prensa Latina

Ao celebrar-se proximamente um ano dos brutais incidentes das forças de Israel contra manifestantes palestinos na Grande Marcha do Retorno, aumentam os alertas na ONU sobre uma possível reedição dos fatos. 

A Comissão Independente das Nações Unidas encarregada de investigar os protestos em território palestino ocorridas em março de 2018 instou o governo de Telavive a revisar suas regras de combate antes que comecem novamente as manifestações contra a ocupação. 

Esta revisão busca que Israel atue de acordo com as normas das leis internacionais e dos direitos humanos.

De acordo com Santiago Cantón, presidente da comissão independente da ONU encarregada de investigar os abusos cometidos na faixa fronteiriça em Gaza, foram encontrados motivos razoáveis para crer que as forças israelitas cometeram graves violações dos direitos humanos.



A comissão encontrou que 189 palestinos foram assassinados: deles, 183 com munição real durante esses protestos massivos contra a ocupação, conhecidos como a “Grande Marcha do Retorno”, explicou na sede da ONU, em Genebra.

Entre as vítimas se encontravam crianças, pessoas portadoras de deficiências e pessoal médico, detalhou. 

Agora lhe preocupa que se repitam tais eventos mortais. Esperamos que a comunidade internacional se envolva para evitar mais assassinatos, manifestou Cantón à imprensa. 

Por isso é tão importante que Israel mude as regras dos procedimentos e detenha os tiroteios, sublinhou, citado pelo site oficial de notícias da ONU. 

Entretanto, o relator especial sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967, Michael Lynk, advertiu sobre uma "catástrofe humanitária" iminente em Gaza, vinculada às restrições asfixiantes impostas por Israel.

A potência ocupante tem mantido um bloqueio hermético de ar, mar e terra ao redor da Franja de Gaza, controlando quem e o que entra e sai, recordou Lynk.

Para quase cinco milhões de palestinos que vivem sob a ocupação, agregou, a degradação de seus fornecimento de água, a exploração de seus recursos naturais e a destruição de seu meio ambiente “são sintomas da falta de qualquer controle significativo sobre sua vida cotidiana”. 

Uma preocupação importante é o colapso das fontes naturais de água potável em Gaza e a incapacidade dos palestinos para ter acesso à maioria de suas fontes de água na Cisjordânia, alertou o relator especial. 

Denunciou também que Israel viola suas responsabilidades legais como potência ocupante ao explorar os recursos naturais do território palestino. 

Segundo o relator especial, Israel utiliza os recursos naturais do território palestino ocupado “como um país soberano usaria seus próprios ativos e com consequências sumamente discriminatórias”. 

O informe do relator especial também aborda a catastrófica situação humanitária derivada da ocupação e questiona o uso contínuo da força excessiva por parte dos grupos de segurança de Telavive contra os manifestantes palestinos.

Por sua parte, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a escala das necessidades das vítimas em Gaza é imensa e fez um pedido de 5.3 milhões de dólares para ajudar os milhares de habitantes que ficaram feridos e incapacitados nas manifestações. 

A magnitude das necessidades de trauma é imensa. A cada semana, os pacientes com lesões continuam chegando aos hospitais e requerem um tratamento complexo de longo prazo, detalhou o chefe do escritório da OMS para o território palestino ocupado, Gerald Rockenschaub.

Essa entidade de saúde reiterou sua preocupação de que o aniversário da Grande Marcha do Retorno, no próximo 30 de março pudesse trazer mais vítimas e um aumento das pessoas que requerem atendimento. 

Desde março de 2018, más de 29 mil pessoas ficaram feridas, com mais de seis mil e 500 que receberam disparos de forças de segurança israelitas e têm lesões que requereriam cirurgia e reabilitação, indicam cifras da OMS.

Apesar do rechaço generalizado ao uso da força letal contra manifestantes palestinos, o Governo de Telavive insiste em seu direito à defesa como justificativa para seus atos. 

No início de março, a presidenta da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, assegurou  a Prensa Latina que a questão da Palestina é uma ferida aberta para a comunidade internacional e uma pendência de longa data na ONU.

Do mesmo modo, destacou os numerosos desafios existentes para conseguir a implementação das resoluções a esse respeito adotadas no Conselho de Segurança e na Assembleia Geral. 

Para o secretário geral da ONU, António Guterres, a única alternativa possível para resolver esse conflito é a criação de um Estado da Palestina que conviva com o de Israel. 

Depois de mais de 50 anos de ocupação ilegal israelita e de repressão ao povo palestino, a situação em Gaza e na Cisjordânia piora a cada dia para a população civil que é despojada de seus territórios ancestrais e sofre a escassez produzida pelos bloqueios de Telavive, assinalam os relatórios. 

Apesar da comunidade internacional coincidir em seu apoio à solução de dois Estados, os Estados Unidos colocam obstáculos na Conselho da Segurança da ONU a todo tipo de ações sobre o tema.

A criação e o reconhecimento do Estado palestino é uma das pendências de mais longa data no organismo internacional, embora há 70 anos já exista o Estado de Israel. 

Em 2018, a decisão unilateral de Washington de nomear Jerusalém como capital de Israel e mudar para lá sua embaixada, disparou as tensões na zona e deixou um saldo de vítimas mortais entre os palestinos, devido à brutal repressão de Israel.

*Correspondente de Prensa Latina nas Nações Unidas.

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