Foto de eu2017ee/Flickr.

Sebastian Kurz é reeleito na Áustria e pondera aliança com extrema-direita

País teve eleições antecipadas este domingo e projeções do resultado eleitoral apontam para resultado que já era previsível: vitória do conservador Partido Popular (ÖVP)

A Áustria teve eleições antecipadas este domingo e as projeções do resultado eleitoral apontam para um resultado que já era previsível: a vitória do conservador Partido Popular (ÖVP) com 37,1% dos votos. As eleições antecipadas aconteceram na sequência de um escândalo de corrupção que envolveu o partido de extrema direita FPÖ, com o qual o ÖVP estava coligado. Esse mesmo escândalo explica a queda abrupta do apoio à extrema direita com um passado nazi nestas eleições. Porém, o ÖVP teve o melhor resultado desde 2002.

Tudo indica que Sebastian Kurz, líder do ÖVP, terá agora três escolhas: ou mantém a coligação com a extrema direita, ou faz um acordo com os verdes e liberais, ou tenta um bloco central com os sociais-democratas, regressando ao bloco central que governou a Áustria durante quatro décadas.

As sondagens à boca das urnas apontam para 37,1% para o ÖVP de Kurz, 21,8% para o Partido Social Democrata (SPÖ), 16% para a extrema direita do FPÖ, 14% para os Verdes e 7,8% para os liberais da Nova Áustria.

Desde maio que a Áustria é governada por Brigitte Bierlein num executivo nomeado por Alexander Van der Bellen, presidente do país, após o escândalo que derrubou o governo de coligação entre o ÖVP e a extrema direita do FPÖ.

Foto de eu2017ee/Flickr.
Sebastian Kurz

O escândalo teve o nome de “caso Ibiza” e envolveu o vice-chanceler Heinz-Christian Strache, líder da extrema direita, e o vice do mesmo partido. Estes foram filmados em Ibiza numa reunião com uma empresária, suposta sobrinha de um oligarca russo, planeando a compra de parte de um jornal do país de forma a melhorar as perspetivas eleitorais do FPÖ, em troca de lucrativos contratos públicos. Em cima da mesa também estavam negócios ilícitos para financiar o partido.

Este escândalo não só derrubou o governo de coligação como parece ser o responsável pela queda de 10% nos votos deste partido face às eleições de 2017. Sebastian Kurz, porém, parece manter a sua popularidade e a coligação com a extrema direita, agora liderada por Norbert Hofer, parece continuar em cima da mesa.

Os Verdes parecem ser os maiores vencedores destas eleições. Depois de em 2017 terem conseguido menos de 4% dos votos, agora regressam ao Parlamento com 14%. É também por isso que uma possível coligação com o ÖVP não é posta de parte pelos analistas eleitorais, num acordo a três envolvendo também os liberais da Nova Áustria. Porém, as sondagens apontam para um apoio a esta coligação de apenas um terço do eleitorado dos Verdes, que não esquecem a aliança feita com a extrema-direita.

Na noite eleitoral, Sebastian Kurz não excluiu qualquer cenário. “Prometi conversações com todos os partidos e não irei quebrar a minha promessa na noite das eleições”, afirmou o chanceler de 33 anos.

A continuação da coligação com a extrema direita era o cenário mais provável até à queda nas votações do FPÖ. Porém, a oposição a esta coligação é bastante forte não só nas ruas e entre a comunidade judaica do país, que se refere a estes como um partido “profundamente antissemita”, como dentro do partido de Kurz, pois durante o ano e meio que durou a coligação entre os dois partidos o FPÖ esteve envolvidos em vários escândalos.

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