Ecoando a voz dos martíres

Entenda seletividade criminosa de ataques do regime sionista de Israel contra Síria

Ações combinam um intenso trabalho de espionagem e acompanhamento para atentar contra figuras políticas, lideranças científicas, militares e sociais

O regime sionista de Tel Aviv, respaldado incondicionalmente pelos Estados Unidos, tem, além disso, objetivos próprios coordenados com Washington para provocar constantes tensões na região antes e depois da chamada Guerra dos seis dias em 1967, quando ocupou o Golã sírio pertencente à província de Quneitra, localizada à apenas 80 quilômetros ao sul de Damasco.

Desde então e somente nos últimos 18 meses, a aviação sionista lançou pelo menos 200 ataques contra o território desta nação do Levante contra posições militares e dos aliados da Síria, como o movimento de resistência libanês Hezbollah e o Irã, com a variante atual de que seus aviões não violam o espaço aéreo aproveitando a curta distância geográfica e sem correr riscos táticos.

Essas ações se combinam também com um intenso trabalho de espionagem e acompanhamento para atentar contra figuras políticas, diretores científicos, militares e sociais, assessores estrangeiros autorizados por Damasco, e a expansão de assentamentos ilegais nas áreas ocupadas. 

O atual primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é em clara conjunção com essas ações, um fervente defensor do conflito permanente com a Síria e com as nações árabes como uma tela que pretende justificar a colonização das terras ocupadas, ricas em recursos naturais e sobretudo, petróleo e gás nas costas sírias e libanesas do Mediterrâneo Oriental.

Com uma particular estratégia, modificada ao passar dos anos, Israel pressiona de maneira continuada o Líbano, viola seu espaço aéreo e aproveita quase com absoluta impunidade, os 76 quilômetros de fronteira com a Síria, menos dos 2446 km que constituem os limites dessa nação.

Ecoando a voz dos martíres
Bombardeios sionistas não poupam população civil

Detalhes de uma análise

Cada ação militar de Israel está dirigida a destruir a infraestrutura da Síria, restar capacidade ao seu desenvolvimento científico-técnico, econômico e militar e tentar "neutralizar" o apoio de aliados legalmente estabelecidos como o movimento de resistência libanês Hezbollah e o Irã, fundamentalmente. 

Ao mesmo tempo, executa ações colonizadoras em mais de 200 assentamentos, a maioria ilegais, tanto em terrenos sírios como nos próximos territórios palestinos ocupados de Gaza e Cisjordânia e que, em boa parte, compreendem áreas de terras férteis, recursos hídricos e zonas de gás e petróleo, em particular na bacia oriental do Mar Mediterrâneo.

Em aberta violação de resoluções das Nações Unidas, e através de empresas como a Golan Height Winery e Mey Eeden, extrai respectivamente, um terço do vinho que consome 15 por cento da água potável, além de controlar a distribuição dos recursos hídricos da bacia do Rio Jordão, segundo estudos da Escola de Economia de Londres, no Reino Unido, entre outras fontes. 

De igual forma, e desde 2009, respalda com a pressão militar o trabalho da companhia Afek, filial da transnacional estadunidense Genie Energy, para a exploração e produção de petróleo e gás nas zonas mencionadas, ações constante do feroz bloqueio econômico, comercial e financeiro que a partir dos centros de poder ocidental e da região cercam a Síria desde 2011. 

A partir dessa data, no início das chamadas primaveras árabes, e inclusive desde anos anteriores, Israel comete assassinatos, sequestros e atentados diversos contra intelectuais, cientistas e autoridades sírias ou de seu aliados, entre eles os dirigentes de organizações palestinas radicadas nesta nação.

Assim aconteceu, entre outros, com diretor geral adjunto do Centro de Pesquisas Científicas, Aziz Asscher, na cidade de Mysiaf, província de Hama, a uns 210 quilômetros ao norte de Damasco ou de um dos líderes da Hezbollah, Samir Qantar, morto junto com parte de sua família, em um edifício do bairro damasquino de Jaramana.

As implicações de Israel com grupos terroristas

No transcurso da guerra imposta à Síria, o regime sionista nunca enfrentou grupos terroristas no sul da Síria, prestou apoio logístico e assistência em geral a um deles: a Frente Al Nusra, atualmente Junta para a Salvação do Levante e ignorou outros que operavam na província de Deraa, como o Estado Islâmico, Daesh em árabe.

Dados comprovados demonstram a atividade coordenada de inteligência nessas questões com a França, Reino Unidos e Estados Unidos, não apenas nessas regiões, mas também com os extremistas que se radicaram em bairros periféricos de Damasco como em Jobar ou Yarmuk e pelo menos 600 atentados executados nesses anos na capital síria. 

Da mesma forma, em meados de 2018, quando o exército sírio derrotou essas organizações nas áreas indicadas, desmontou hospitais de campanha para auxiliar os terroristas e permitiu de maneira coordenada e ilegal a saída de 800 membros dos Capacetes Brancos. 

Os denominados Capacetes Brancos são uma presumida organização humanitária vinculadas ao ex Al  Nusra, ademais de claros executores de montagens de ataques químicos para culpar a Síria e a Rússia por meio de intensas campanhas midiáticas e tergiversadoras.

A inquietante veracidade desses fatos, obrigou inclusive o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em 2018, a confeccionar uma lista negra de companhias e entidades israelitas vinculadas a esse respeito, algo não concretado na realidade, tal e como sucede com os rejeitos radioativos que Tel Aviv deposita em áreas do Monte Hermon, no Golã sírio ocupado.


*Correspondente de Prensa Latina na Síria

**Tradução: Beatriz Cannabrava

***Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

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