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Acuado, Trump pede impeachment de deputada e anuncia retirada de tropas da Síria

Americano sofreu mais uma derrota judicial com a decisão de juiz que ordenou que presidente deve entregar seus impostos pessoais dos últimos oito anos

O presidente Donald Trump, que se auto elogiou como alguém com “sabedoria sem paralelo”, pediu, na noite de domingo (6), o impeachment da presidenta da câmara baixa por atrever-se a abrir o processo de impeachment contra ele, continuar a guerra política entre a Casa Branca e legisladores democratas, e por aproximar o que já aparece como uma crise constitucional. 

Enquanto isso, os chefes dos comitês da câmara baixa deram novas ordens de entrega de documentos relevantes ao secretário de Defesa, Mark Esper — já que se argumenta que o presidente usou a alavanca da assistência militar com sua contraparte ucraniana. Eles são encarregados da investigação sobre se Donald Trump pediu que a Ucrânia interferisse na eleição estadunidense de 2020 e da formulação de denúncias para seu impeachment. 

Por sua parte, Trump continua desqualificando a acusação e seus acusadores e, na noite de domingo (6) se atreveu a acusar Nancy Pelosi, a presidenta da câmara baixa e a democrata mais poderosa em Washington, de “traição” à pátria e pediu o seu impeachment — sem aparentemente saber que esse processo não existe para legisladores.

Trump tem atacado não só os democratas, mas também os denunciantes (sem saber quem são, mas já os acusou de ter interesses políticos) e todo comentarista que esteja contra ele, através de mais de 60 tuítes durante o fim de semana, enquanto insiste em que a famosa ligação, na qual pressionou o presidente da Ucrânia para que o ajudasse a prejudicar um opositor democrata nos Estados Unidos (um ato ilegal), foi “perfeita”.  

E mais ainda, advogados do primeiro denunciante, expressaram preocupação desde o fim de setembro pela segurança de seu cliente ao diretor interino da Inteligência Nacional, como resultado de sugestões de Trump de que era um “espião” que poderia haver cometido “traição”, e disseram que certos indivíduos haviam oferecido uma recompensa de US$ 50 mil para obter informação sobre a identidade do denunciante, como reportou a agência Reuters.

De fato, legisladores democratas estão contemplando medidas extraordinárias para proteger o denunciante quando ele se apresentar para declarar sobre o caso, incluindo a realização de uma audiência em lugar secreto e até o disfarce da voz e do rosto para evitar que legisladores aliados a Trump revelem sua identidade, como informou o Washington Post.

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O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump

Trump isolado?

Desde que se anunciou, no fim de semana, que há um segundo denunciante, outro oficial de inteligência assim como o primeiro, mas este com informação de primeira mão, já protegido pela lei, foi notável um crescente silêncio por grande parte dos republicanos. Nenhum alto funcionário ou integrante da liderança republicana no Congresso se apresentou, como é usual, nos programas de conversa política dos domingos nos principais canais de televisão. 

Ainda mais notável é que alguns de seus defensores mais fiéis — incluindo entre eles os da Fox News, seu canal favorito — de repente estão expressando algumas reservas sobre o telefonema com o ucraniano, além das manobras para ocultá-lo. 

Ainda no fim de semana, Trump comentou com alguns legisladores republicanos que foi seu secretário de Energia, Rick Perry, quem insistiu para que fizesse a agora famosa chamada telefônica para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em 25 de julho, agregando que ele nem queria fazê-lo, segundo Axios. Porta-vozes de Perry, respondendo à meia acusação, esclareceram que Perry só desejava que o presidente falasse sobre o gás natural, e não sobre seu rival democrata Joseph Biden. 

Ao mesmo tempo, em uma mudança inesperada — alguns reportam que nem o Pentágono foi alertado antes — Trump, depois de uma conversa telefônica com o presidente Recep Erdogan, da Turquia, de repente anunciou, na noite de domingo, uma reviravolta drástica na política estadunidense na Síria, informando que vai retirar suas tropas deste país, aparentemente dando luz verde às forças turcas para ingressar ao território curdo e, com isso, basicamente traindo seus até então quase “aliados” curdos. Mas ainda prevalece a confusão sobre o que exatamente foi o que fez o comandante em Chefe (até o Pentágono disse que não estava de acordo com permitir uma operação turca no norte da Síria). 

Em seu tuíte anunciando a mudança, afirmou que depois de os Estados Unidos capturarem todo o califado de ISIS (algo que não é totalmente certo), era hora de que outros países assumissem maior responsabilidade. Alertou que se a Turquia se atrevesse a fazer algo que “eu, em minha sabedoria grande e sem paralelo” determino que está fora dos limites, “destruirei totalmente” a economia turca. E concluiu: Os “EUA são grande”. 

Foi reportado que Trump tomou essa decisão contra o conselho de seus assessores militares e diplomáticos, e alguns de seus aliados mais influentes, como o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, e o senador Lindsey Graham, entre muitos republicanos que publicamente expressaram seu desgosto com a decisão. 

E em outra investida, Trump sofreu uma derrota judicial com a decisão de um juiz federal que ordenou que o presidente deve entregar seus impostos pessoais dos últimos oito anos à fiscal federal de Manhattan. O juiz rechaçou como “repugnante” o argumento dos advogados de Trump de que ele gozava de imunidade presidencial no caso, ressaltando que o presidente “não está acima da lei”. Imediatamente foi registrada uma apelação e a decisão está congelada enquanto o caso corre na Justiça.

*Correspondente do La Jornada em Nova York

**Tradução Beatriz Cannabrava

***La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

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