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Redes sociais e fake news são usadas como caminhos de terror na Síria e Oriente Médio

O poder cibernético de Washington e Tel Aviv não tem paralelo na história internacional, "sufoca", sabota e estabelece uma vigilância em qualquer nação

Pedro García Hernández

Diálogos do Sul Diálogos do Sul

Damasco (Síria)

Os últimos dados conhecidos indicam que diariamente 500 milhões de usuários utilizam as redes sociais que, em esmagadora maioria, são controladas ou de propriedade do Facebook Incorporation, com sede e matriz em um dos maiores centros tecnológicos do mundo localizado no Silicon Valley, na Califórnia, o estado número 31 da União desde 9 de setembro de 1850.

Dali e a partir dos anos 2010 e 2012 foram criados os aplicativos e dispositivos tipo Android, window mobile, acessos ao Instagram e Telegram, entre outras estruturas de alta tecnologia que inundam internacionalmente qualquer sítio web, base de dados e, em particular, os servidores que garantem uma transmissão efetiva.

Tal infraestrutura é um dos caminhos utilizados a partir dos centros de poder ocidentais e em especial, Estados Unidos e Israel para gerar matrizes de opinião através de contínuas fakes news (notícias falsas), sem retroalimentação transparente que permita uma análise realista de cada fato ou ação que ocorre em cada país ou, em todo caso, refletir sobre o publicado e ir ao fundo de cada caso ou acontecimento.

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Estados Unidos utilizam esses meios para traçar rotas, criar guerras, provocar dissenções de base confessional e controlar riquezas naturais

Não é mais uma teoria sobre conspirações para chegar ao fundo de cada assunto, porque os Estados Unidos utilizam esses meios para traçar rotas, criar guerras, provocar dissenções de base confessional e controlar cada vez mais as riquezas naturais, leia-se petróleo e gás, no Oriente Médio, assim como eliminar de raiz qualquer oposição a esses planos que têm especial conotação na Síria. 

Esta rota de caminhos traçados, perfilados e renovados sobre a marcha tenta por sua vez aniquilar a multipolaridade no mundo atual e liquidar agora os "obstáculos" que se lhe opõem, especialmente a partir do eixo da resistência conformado por Damasco, Teerã, o movimento palestino e o libanês Hezbolá, apoiados por quem os defendem desde Moscou e Pequim, segundo as definições a respeito desde o presumido fim da Guerra Fria e que atualmente se acerca de maneira imprevisível a uma fase “quente” perturbadora.

Esses objetivos se consolidam e estão respaldados, com falhas e defeitos, mas retificados a cada passo, pelo intenso trabalho dos serviços de inteligência ocidentais, especialmente o Mossad israelense, entidade que para os analistas e especialistas funciona como uma agência paralela à Agência Central de Inteligência (CIA estadunidense) e em constante adequação de interesses – às vezes com certa contradição operacional – com o MI6 do Reino Unido, entre outros "aliados" no Oriente Médio.

As regras do jogo traçadas desde o Ocidente

A profusão do terror que aparentemente é incontrolável do ponto de vista ocidental e das redes sociais e meios que dominam, é um dos principais “veículos” para lograr tais objetivos, postos à prova na guerra imposta à Síria desde 2011 e que “sofreu” mudanças operativas sobre o terreno depois das chamadas primaveras árabes, porque neste país do Levante a realidade não era e não é, a do Afeganistão, da Líbia, da Somália ou do Iraque. 

Os mais de 137 bilhões de dólares gastos na guerra contra a Síria, segundo dados publicados, aos que se somam os “aportes” logísticos do ponto de vista militar e propagandístico não conseguiram no terreno que as organizações terroristas fossem uma efetiva tropa de choque contra o Governo de Bashar Al Assad, que assinalou com precisão: “a intervenção na Síria, embora seja indireta, seria similar à manipulação da linha do terremoto, que daria lugar a réplicas em toda a região do Oriente Médio."

Cada conquista do Exército sírio e seus aliados a partir de 2015, quando a Rússia atuou em seu apoio sob acordos legais e históricos, obrigou a mudar as regras do jogo dos centros de poder ocidentais, e tanto os Estados Unidos, como o Reino Unido, a França e o regime sionista de Israel, “salvaram” as organizações extremistas como a Junta para a Libertação do Levante, outrora Frente Al Nusra ou o Estado Islâmico,  Daesh em árabe, nunca derrotado embora o presidente Donald Trump tenha anunciado o contrário. 

Sem a autorização das Nações Unidos, Washington fez tudo ao contrário e instalou e reinstalou bases milhares nas nortistas províncias sírias de Alepo, Hasaka, Deir Ezzor e junto à fronteira com o Iraque, especialmente em Al Tanef com domínio sobre o campo de refugiados de Rubkan, de onde oferece cobertura para ataques de remanescentes do Daesh no deserto de Al Badiya e controla campos petroleiros e de gás na zona.

Ao mesmo tempo, Israel mantém ataques a partir de territórios ocupados da Palestina e das Alturas do Golán e faz caso omisso para fechar as fontes de abastecimento a presumidas "células terroristas" que lançam ações em áreas das sulistas províncias sírias de  Deraá, Quneitra e Sweida.

Simultaneamente, o caminho do terror aumenta com o anúncio de bloqueios informáticos aos grupos terroristas, especialmente o Daesh, mas sua propaganda satânica continua presente em locais como Instagram, as agências AMAQ ou Kali Yuga e em um manejo operativo ao qual contribui a companhia Carbyne, de Israel com sede alternativa no Silicon Valley e Tel Aviv, o sítio Infobae, radicado na Argentina ou a chamada Rede Síria para os Direitos Humanos, instalada em Coventry, no Reino Unido.

Os evidentes e atuais patrocinadores do caminho do terror

A Lei de Associação Estratégica Estados Unidos- Israel é a matriz que tem permitido construir o caminho do terror contra a Síria e o mundo árabe através da ativa intervenção do Comitê de Assuntos Públicos (AIPAC) ou o Atlantic Council, entre outros e que constituem um dos mais importantes grupos de lobby político no território estadunidense e no mundo. 

Ex altos funcionários estadunidenses como Henry Kissinger, Joseph Lieberman, Robert McFarlane, Condolezza Rice, James Woolsey, Wesley Clark, David Petraeus, Zerlman Khalizad e Ashton Carter, entre outros, são atualmente diretores e assessores dessas duas “instituições”. 

Aos citados se unem o ex primeiro ministro israelita e antigo chefe do Mossad, Ehu Barak e Peter Thiel, ativo propulsor da carreira política de Trump e que por intermédio e desde o Silicon Valley, introduzem a manipulação comunicacional no Google, Facebook ou Microsoft.

O poder cibernético de Washington e Tel Aviv não tem paralelo na história internacional, "sufoca" e sabota qualquer negociação contrária e estabelece cada vez mais, uma ampla rede de detecção, vigilância e intromissão em qualquer nação.
Essas "figuras" são, ademais, os principais patrocinadores para divulgar e fazer chegar aos 500 milhões de usuários por meio de não menos de 198 canais de satélite, as “notícias” que lhes interessam, defender as duplas morais comunicacionais e tentar ocultar os verdadeiros objetivos de dominar os recursos naturais que como o petróleo e o gás têm as maiores possibilidades de desenvolvimento no Oriente Médio, segundo fontes como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional.

Uma fonte livre de qualquer suspeita de admirar ou respeitar a Síria ou o Oriente Médio, como o ex-ministro do Interior e Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin, chega a interessantes e conclusivas opiniões:...”o terror na região não será erradicado pelas mesmas forças que o criaram porque as guerras perdidas no Afeganistão, no Iraque e na Líbia favorecem o separatismo, os estados falidos, a lei desapiedada de extremistas armados e não permitiram vencer os terroristas. Pelo contrário, legitimam os mais radicais e cada intervenção ocidental cria as condições para a seguinte”.
A essa perturbadora realidade há que agregar a do presidente sírio Al Assad quando afirmou tão cedo como no ano 2013 que “a política não depende do amor ou do ódio, mas sim dos interesses”.


*Correspondente de Prensa Latina na Síria.


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