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Nas urnas, paraguaios vão eleger continuidade democrática ou volta à ditadura de Stroessner

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Neste domingo (22), o povo paraguaio deverá eleger entre a ditadura e a democracia. É paradoxal assim esta eleição, na qual o Partido Colorado apresenta um candidato muito vinculado ao período mais escuro da história do Paraguai.

Alfredo Serrano Mancilla, Gisela Brito e Ava Gómez

Mario Abdo Benítez, filho do ex-secretário privado de Alfredo Stroessner, é “o candidato da ditadura”. Representa melhor que qualquer outro a herança de um sistema político sem liberdades, no qual os privilégios são exclusividade de umas poucas famílias e onde o enriquecimento ilícito é permitido se a pessoa tiver o sobrenome “Colorado Important Person”.

O filhinho de papai e mamãe tenta apresentar-se como o novo, apesar de abandeirar o velho; fala da mudança, mas não pode dissimular que vem a continuar a obra de Horacio Cartes, que termina sua gestão com uma aprovação de menos de 25%. De fato, Cartes não sairá da política: ele encabeça a lista ao Senado do Partido Colorado, amplamente questionada por integrar personagens vinculados ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de influências.

Efrain Alegre e Fernando Lugo | Foto: Reprodução/ Facebook

Do outro lado da contenda está a Aliança GANHAR, que aglutina todo o vasto arco ideológico opositor. Com grandes divergências políticas em seu interior, os partidos e movimentos que a integram conseguiram entrar em um acordo e apresentar uma única proposta para que a democracia vença no Paraguai.

Efraín Alegre, do Partido Liberal, e Léo Rubín, jornalista independente, integram uma fórmula presidencial que tem como característica a transversalidade. Tanto é assim que muitos personagens políticos do país decidiram apoiar esta candidatura para evitar que o stronismo regresse ao Palácio de López.

Mario Ferreiro, prefeito de Assunção com grande aprovação (58%), é um deles. Fernando Lugo, o político com melhor imagem do país (70%) e atual candidato ao Senado pela Frente Guasú, somou-se à campanha presidencial contribuindo com seu aporte de votos entre as classes mais populares.

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Assim está o panorama a poucos dias da votação. Há pesquisas para todos os gostos. As mais descaradas (Capli, Grau), vinculadas diretamente aos negócios do candidato stronista, outorgam a seu cliente entre 30 e 40 pontos de vantagem. Outras dão empate técnico ou atribuem a vitória à Aliança GANHAR (Ati Snead). Um dado revelador no qual coincidem as sondagens é o crescimento da Frente Guasú, que poderá ser a segunda força no Senado, obtendo quase um terço das cadeiras.

Mario Abdo Benítez | Foto: Reprodução/ Facebook

A campanha eleitoral ocorreu em um clima de blindagem midiática que se propôs invisibilizar as propostas da Aliança para favorecer o candidato colorado. Foi pouco visto na imprensa local o vídeo de Mario Abdo comprando votos em plena campanha ou as licitações milionárias com o Estado que suas empresas obtiveram nos últimos meses.

O debate presidencial do último domingo foi o único momento em que Mario Abdo e Efraín Alegre se encontraram cara a cara. A penosa performance de Abdo deixou em evidência que a impostação e o marketing não são suficientes para responder ao eleitorado. Os problemas que mais preocupam as pessoas (emprego e salário, temas econômicos, segurança cidadã) foram evitados por um candidato incapaz sequer de memorizar corretamente as respostas pré-cozidas.

Efraín Alegre, por sua vez, lançou propostas concretas como a redução da tarifa de energia, o IVA zero para medicamentos e a progressão impositiva no imposto de renda, ganhando assim a agenda dos últimos dias sobre temas que afetam diretamente ao bolso dos cidadãos.

No domingo, abre-se uma janela de oportunidade para deixar para trás um modelo de crescimento econômico empobrecedor, sem gente dentro, manuseado pelo Partido Colorado que apresenta o candidato mais apegado aos vestígios da ditadura. As velhas elites jogam com um aspirante que, caso seja ganhador, será objeto de estudo porque seus escassos atributos fazem prever uma liderança débil.

Veremos que o sucede. A democracia está em jogo. A Aliança GANHAR faz o esforço final com um chamado a um governo de todos, no qual ninguém fique de fora, seja qual for a cor de sua camiseta política. A contenda ainda está aberta. Os indecisos e o voto dos jovens serão determinantes para dar a vitória a um ou a outro.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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