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Nicarágua: Ortega diz estar disposto a retomar negociações com oposição para pacificar país

Revista Diálogos do Sul

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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), afirmou estar disposto a voltar à mesa de diálogos para encontrar uma saída pacífica e negociada para a grave crise social em que se encontra seu país. O mandatário concedeu uma entrevista exclusiva ao canal multiestatal TeleSUR na noite desta terça-feira (24) e falou sobre o acordo que fez com os empresários, o papel dos EUA e as características que caracterizariam os ocorridos como uma tentativa de golpe de Estado. Esta foi a primeira manifestação do mandatário a um meio de comunicação internacional.

Redação

“Voltaria a se sentar na mesa de diálogos?”, perguntou a jornalista e presidenta da emissora Patrícia Villegas. “Estamos dispostos a conversar com todos, mas é preciso criar as condições para isso”, respondeu o mandatário, ressaltando que o setor da Igreja que apoia o movimento contra o governo sinalizou, no último domingo (22), de forma positiva para esta possibilidade.

Os diálogos para uma solução pacífica estão estagnados. Um dos fatores para isso é que a Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN), mediadora das conversas, considera que Ortega deve anunciar a antecipação das eleições presidenciais de 2021 para o próximo ano. Ortega, que foi eleito em 2017, não aceita negociar com estes termos.

Também com relação a diálogos possíveis, o presidente sinalizou a vontade de conversar com seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, para arrefecer a investida imperialista a seu país.

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Ortega entende, no entanto, que há uma onda revanchista da direita na América Latina contra a revolução sandinista. E criticou o ingerencismo com que os governos regionais tem tratado a crise do país. ”Não entendem que a Nicarágua possa ter essa solidariedade com a Venezuela e com Cuba. Querem que nos submetamos aos ditames da política mais fechada dos EUA, mais envenenada, que está na Flórida”.

 

Violência

 

Com relação à violência que vitimou mais de 300 pessoas, de acordo com informações de organismos de direitos humanos, Ortega garante que haverá investigação, punição e justiça inclusive para possíveis abusos das forças policiais.

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“O governo patrocinou grupos paramilitares?”, questionou Villegas, em referência às criticas realizadas à gestão da FSLN. “O que aqui se conhece como paramilitares são os grupos que têm se organizado há anos. Ganharam força a partir de 2007 com assassinato de camponeses, de policiais. (…) Há também gangues criminosas [de crime comum] que estão se incorporando à força de choque [dos protestos]”.

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Ortega ressalta ainda que “há semelhanças com o que aconteceu na Venezuela. Há semelhantes e não são espontâneas, como na preparação e financiamento para transportar a experiência para Nicarágua”, disse, em referência aos protestos violentos contra o governo do presidente Nicolás Maduro, em 2017. O mandatário nicaraguense diz que jovens venezuelanos que participaram das guarimbas entraram na Nicarágua.

 

Empresários

 

Apesar de ter sido traído pelos empresários que antes o apoiava, Ortega não considerou um erro ter feito a aliança com o setor. “Permitiu ao pais avançar como nunca antes, durante 11 anos. E isso está na memória viva das pessoas”.

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Com relação à reforma da Previdência, considerada um dos estopins para a crise, o mandatário considerou que a medida é “imprescindível, ainda mais com o golpe que a economia está sofrendo. É urgente aprovar essa reforma. Como? Por consenso”.

 

Golpe

 

“Grupos armados pela direita, auspiciadas por mecanismos de direitas originados nos EUA e começaram os ataques armados em 19 de abril”, disse o presidente. Ele ressalta, no entanto, que os manifestantes que saíram às ruas contra a reforma promovida pelo governo eram de direita.

Ortega também mencionou congressistas e senadores estadunidenses que sempre agiram para acabar com o sandinismo. “Como não conseguiram na década de 1980, o sandinismo seguiu lutando então eles estão nessa tarefa”.

“Conseguimos derrotar o golpe. Sinto que o golpe está caminhando para a derrota, mas eles não vão ficar de braços cruzados. (…) Nos confundiram, pensaram que estávamos frágeis, que o povo havia deixado de ser sandinista, que a frente não tinha força, mas tivemos paciência, soubemos dar o passo para novamente restabelecer a paz”.

Assista também:

https://www.youtube.com/watch?v=WfnAwguY_HQ


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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