Nesta segunda-feira (7), aconteceu o segundo e último dia da 17ª Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro. Desde o Museu de Arte Moderna da capital carioca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou o encontro com um discurso enfático em defesa do multilateralismo e da justiça global.
“Esta foi a cúpula mais importante do Brics até agora”, indicou, destacando que o grupo ampliado “está se tornando o novo centro do multilateralismo”. Segundo ele, o objetivo é claro: “fortalecer a democracia, o multilateralismo e a participação”.
Lula advertiu que o mundo atravessa o “momento de maior conflictividade desde a Segunda Guerra Mundial” e lançou críticas diretas ao FMI, ao qual acusou de impor “um modelo de autoridade sobre os países”. Reivindicou um “novo tipo de financiamento” que priorize os países em desenvolvimento. “Muitas coisas precisam mudar”, disse, ao mesmo tempo em que apelou por um avanço com uma reforma profunda das instituições globais.

“O Conselho de Segurança [da ONU] já não impede as guerras, e sim atua como seu promotor. Perdeu autoridade para negociar”, denunciou.
Sem nomeá-los explicitamente, Lula condenou os ataques contra o Irã e expressou sua preocupação com a ameaça nuclear. Sobre o conflito em Gaza, foi categórico: “O que acontece em Gaza já excedeu a capacidade de compreensão de qualquer mortal. E não existe instituição multilateral que o detenha”. Diante desse panorama, reafirmou o sentido político do grupo: “O Brics não é um clube com preferidos, mas um conjunto de países que propõem outra forma de organizar o mundo”, sustentou.
O mandatário encerrou com uma definição de rumo: “O Brics propõe outro modelo de fazer política, mais solidário, para ajudar os países mais pobres”. E ressaltou que a luta contra a desigualdade deve ser parte central de qualquer projeto de governança global. “O povo não quer mais um mundo tutelado, nem falta de respeito à soberania. O que quer é uma reforma do estatuto da ONU”, afirmou.
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Emergência climática e Saúde
Durante a jornada de 7 de julho, os presidentes e primeiros-ministros dos 11 países membros — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Arábia Saudita — aprovaram dois documentos-chave: a Declaração Marco sobre Financiamento Climático e a criação de uma Aliança para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas, com foco em infraestrutura, pobreza e acesso à saúde pública.
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“O aquecimento global está ocorrendo em um ritmo mais rápido do que o esperado. As florestas tropicais estão sendo levadas ao ponto de não retorno”, advertiu Lula pela manhã, ao abrir a sessão temática sobre meio ambiente, COP30 e saúde. Confirmou que a cúpula climática de novembro em Belém será o cenário para o lançamento do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, com o objetivo de remunerar serviços ecossistêmicos prestados pelos países com grandes áreas de floresta tropical.
Entre os presentes na segunda jornada figuraram os chefes de Estado e de Governo da Índia (Narendra Modi), Indonésia (Prabowo Subianto), África do Sul (Cyril Ramaphosa), Etiópia (Abiy Ahmed), Egito (Mostafa Madbouly), Emirados Árabes Unidos (Mohamed Zayed Nahyan) e o primeiro-ministro chinês Li Qiang, em representação de Xi Jinping. A delegação iraniana foi liderada pelo chanceler Abás Aragchi. A Rússia esteve representada pelo chanceler Serguei Lavrov, enquanto Vladimir Putin participou por videoconferência.
* Texto traduzido com apoio de inteligência artificial e conferido pela redação.





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