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Reprodução: wikipedia

O fim da Segunda Guerra Mundial e o peso decisivo do Exército Vermelho

Oitenta anos após a bandeira soviética tremular sobre o Reichstag, a história permanece sob ataque de conveniências ideológicas que tentam minimizar a vitória contra o nazismo

Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

No dia 2 de maio de 1945, as tropas do Exército Vermelho hastearam a bandeira vermelha, soviética, sobre o Reichstag, em Berlim, símbolo da derrota do nazismo e do colapso final do Terceiro Reich. Dias depois, em 8 de maio, a Alemanha assinava a rendição incondicional, encerrando oficialmente a guerra na Europa.

Ao longo das últimas décadas, consolidou-se no Ocidente uma narrativa que atribui aos Estados Unidos o papel central na derrota da Alemanha nazista. Sem negar a importância do desembarque aliado na Normandia e da frente ocidental, é impossível compreender o fim da Segunda Guerra Mundial sem reconhecer o papel decisivo da União Soviética e o sacrifício monumental do povo soviético.

Foi no front oriental que ocorreu a parte mais brutal da guerra. As batalhas de Stalingrado, Kursk e a longa marcha até Berlim destruíram o núcleo principal das forças nazistas. Calcula-se que cerca de 27 milhões de soviéticos tenham morrido durante o conflito, entre militares e civis, num dos maiores sacrifícios humanos da história contemporânea.

A entrada do Exército Vermelho em Berlim não foi apenas uma vitória militar. Representou também a derrota de um projeto de dominação racista, expansionista e genocida que ameaçava toda a humanidade. A imagem da bandeira vermelha sobre Berlim tornou-se um dos grandes símbolos do século XX.

Hoje, oitenta anos depois, a memória da guerra segue sendo objeto de disputa política e ideológica. Muitos tentam apagar ou minimizar o protagonismo soviético na derrota do nazismo, reescrevendo a história segundo conveniências geopolíticas do presente. Mas os fatos permanecem: foi a resistência soviética que suportou o peso principal da máquina de guerra nazista e abriu caminho para a libertação da Europa.

Recordar o fim da Segunda Guerra Mundial não é apenas revisitar o passado. É também lembrar o custo humano da barbárie, do fascismo e das guerras de conquista. Em tempos de crescimento da intolerância, do militarismo e das tensões internacionais, preservar essa memória histórica torna-se uma necessidade política e moral.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul Global, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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