No dia 2 de maio de 1945, as tropas do Exército Vermelho hastearam a bandeira vermelha, soviética, sobre o Reichstag, em Berlim, símbolo da derrota do nazismo e do colapso final do Terceiro Reich. Dias depois, em 8 de maio, a Alemanha assinava a rendição incondicional, encerrando oficialmente a guerra na Europa.
Ao longo das últimas décadas, consolidou-se no Ocidente uma narrativa que atribui aos Estados Unidos o papel central na derrota da Alemanha nazista. Sem negar a importância do desembarque aliado na Normandia e da frente ocidental, é impossível compreender o fim da Segunda Guerra Mundial sem reconhecer o papel decisivo da União Soviética e o sacrifício monumental do povo soviético.
Foi no front oriental que ocorreu a parte mais brutal da guerra. As batalhas de Stalingrado, Kursk e a longa marcha até Berlim destruíram o núcleo principal das forças nazistas. Calcula-se que cerca de 27 milhões de soviéticos tenham morrido durante o conflito, entre militares e civis, num dos maiores sacrifícios humanos da história contemporânea.
A entrada do Exército Vermelho em Berlim não foi apenas uma vitória militar. Representou também a derrota de um projeto de dominação racista, expansionista e genocida que ameaçava toda a humanidade. A imagem da bandeira vermelha sobre Berlim tornou-se um dos grandes símbolos do século XX.
Hoje, oitenta anos depois, a memória da guerra segue sendo objeto de disputa política e ideológica. Muitos tentam apagar ou minimizar o protagonismo soviético na derrota do nazismo, reescrevendo a história segundo conveniências geopolíticas do presente. Mas os fatos permanecem: foi a resistência soviética que suportou o peso principal da máquina de guerra nazista e abriu caminho para a libertação da Europa.
Recordar o fim da Segunda Guerra Mundial não é apenas revisitar o passado. É também lembrar o custo humano da barbárie, do fascismo e das guerras de conquista. Em tempos de crescimento da intolerância, do militarismo e das tensões internacionais, preservar essa memória histórica torna-se uma necessidade política e moral.






