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Ahmad Kaabour carregava a voz dos palestinos por toda parte, fazendo da canção nacional uma ponte entre o passado e o presente e um meio de reviver a memória coletiva. (Foto: Marwan Kaabour / Wikimedia Commons)

Ahmad Kaabour: a voz da Palestina que jamais será silenciada

Falecimento do artista libanês representa uma grande perda em meio às difíceis circunstâncias enfrentadas pela causa palestina, mas suas canções seguirão inspirando gerações

Wisam Zoghbour
Diálogos do Sul Global
Gaza

Tradução:

O grande artista libanês Ahmad Kaabour, uma das vozes mais proeminentes que carregou a Palestina em seu coração e alma, faleceu na última quinta-feira (26) após uma longa e distinta carreira artística repleta de dedicação, criatividade e compromisso. Qabour não era apenas um cantor; era um poeta, um músico e uma voz sincera pela causa, personificando a dor e as esperanças do povo palestino. Ele transformou a música em uma ferramenta de resistência, preservando a identidade nacional e inspirando gerações.

Seu nome tornou-se sinônimo de canções nacionais engajadas que retratavam Jerusalém, Gaza, a Cisjordânia e a Galileia em suas letras e melodias, fazendo da arte um meio de expressar liberdade e justiça. Entre suas obras mais importantes estão “Eu te invoco… Eu aperto suas mãos” e “Me chamaram de refugiado”, que se tornaram parte da consciência palestina, refletindo a tragédia dos refugiados e seu direito de retorno, e imortalizando o espírito de firmeza e resistência que caracteriza nosso povo.

Ao longo de sua vida, Kaabour permaneceu fiel aos valores da liberdade e da justiça, defendendo a mensagem nacional e humanitária de sua arte. Ele ergueu a voz em defesa da Palestina e da dignidade de seu povo, direcionando mensagens de arte engajada a cada pessoa livre no mundo árabe e no mundo em geral.

Seu falecimento, em meio às difíceis circunstâncias enfrentadas pela causa palestina e aos rápidos acontecimentos na região, representa uma grande perda para a Palestina e o Líbano, e para todos que acreditam que a arte pode ser uma ferramenta de firmeza e mudança, e uma fonte de força para a conscientização e a resistência.

Ahmad Kaabour a voz da Palestina que jamais sera silenciada
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Suas obras não eram meras canções, mas melodias que pulsavam com a causa, uma arma cultural que une a determinação, nos lembra de nossa identidade e afirma nosso compromisso inabalável com nossos direitos usurpados. Sua voz carregava a voz dos palestinos por toda parte, fazendo da canção nacional uma ponte entre o passado e o presente e um meio de reviver a memória coletiva.

Seu legado permanecerá vivo na consciência das gerações, e sua voz estará presente em cada clamor por liberdade, para afirmar que a canção nacional engajada permanece, e que as palavras “Eles me chamam de refugiado” e “Eu os invoco… Eu aperto suas mãos” continuarão a ressoar na consciência do mundo, motivando a firmeza e nos lembrando que a Palestina está presente no coração, na voz e na arte, e que a liberdade não morre.

 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Wisam Zoghbour Jornalista, membro da Secretaria-Geral do Sindicato dos Jornalistas Palestinos e diretor da Rádio Voz da Pátria.

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