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Foi um brasileiro quem propôs a criação da OMS — e sua ideia ajudou a inspirar o SUS

Geraldo Horácio de Paula Souza apresentou na Conferência de São Francisco a proposta que levou à criação da Organização Mundial da Saúde. Décadas depois, outro brasileiro comandaria a entidade por vinte anos, enquanto o país consolidava uma tradição que desembocaria no SUS, na Fiocruz, no Butantan e na defesa da saúde como eixo da soberania nacional

Allen Habert
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

Ao final da Segunda Guerra Mundial, ocorreram os debates para a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), na Conferência de São Francisco, nos Estados Unidos, entre abril e junho de 1945. A delegação brasileira teve uma atuação marcante em várias áreas.

Geraldo Horácio de Paula Souza (1889–1951), médico sanitarista e químico formado na Universidade de São Paulo (USP), foi assessor técnico dessa delegação e já tinha experiência internacional na área da saúde. Foi quem apresentou a proposta formal de criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de uma emenda apresentada em 6 de maio de 1945 na Assembleia Geral.

Geraldo Horácio de Paula Souza - AMSP
Geraldo Horácio de Paula Souza – AMSP

A proposta, encaminhada por escrito, foi aprovada por unanimidade em 22 de maio e levava também a assinatura do diplomata chinês Szeming Sze. Pai fundador da OMS, Geraldo era filho do lendário Antonio Francisco de Paula Souza, engenheiro e criador da Escola Politécnica da USP, em 1893.

A OMS foi formalizada um ano depois, em 22 de julho de 1946, na Conferência Internacional da Saúde, em Nova York, com a assinatura oficial de seu proponente, Geraldo Horácio de Paula Souza, pelo Brasil, e de representantes de outros 60 países. Em 1948, foi eleito o primeiro diretor-geral da OMS, um médico canadense.

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Na segunda eleição, em 1953, foi eleito o médico sanitarista e servidor público brasileiro Marcolino Gomes Candau (1911–1983), formado na atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Disputou a eleição com candidatos de sete países. No Brasil, vivia-se o governo nacional-desenvolvimentista de Getúlio Vargas (1951–1954).

Marcolino Gomes Candau teve o mais longo mandato da história da OMS. Foi reeleito outras quatro vezes, permanecendo na liderança por 20 anos (1953–1973), em plena Guerra Fria. Visitou, nesse período, a maioria dos países-membros da OMS propondo a criação de sistemas nacionais de saúde para dar conta da necessidade das campanhas de vacinação (malária, varíola e tuberculose) e do atendimento público de saúde à maior parte da população.

Estava nascendo a inspiração do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Marcolino é considerado um dos brasileiros que exerceram maior influência em uma organização internacional no século XX. Isso mereceria um grande filme nacional.

O Sistema Único de Saúde nasceu na 8ª Conferência Nacional da Saúde, em março de 1986, sendo posteriormente incorporado à Constituição Federal e regulamentado pela Lei Orgânica da Saúde, em 1990. Transformou-se no maior sistema público universal e gratuito de saúde do mundo, oferecendo atendimento integral a toda a população do país, com todas as contradições existentes e dificuldades inerentes.

File:OMS logo.jpg - Wikimedia Commons
Logo OMS – Wikimedia

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan, centros de referência mundiais, constituem a base da pesquisa biomédica e da produção pública de vacinas e soros no Brasil. Foram decisivos durante a pandemia, quando se rebelaram contra a orientação negacionista do governo da época e produziram vacinas contra o coronavírus, que salvaram a população brasileira.

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A engenharia brasileira integra e é fundamental para o complexo econômico-industrial da saúde, na produção de equipamentos e processos, na logística da distribuição e na construção de seu ecossistema.

Defender a soberania nacional, tema sempre atual, é colocar a engenharia, a ciência, a tecnologia e a inovação no coração do desenvolvimento sustentável como protagonistas decisivas.

O Fórum da Engenharia Nacional, que reúne entidades, instituições, academia e lideranças da área, trabalha em conjunto com os poderes públicos para realizar a histórica 1ª Conferência Nacional da Engenharia, em 16, 17 e 18 de novembro de 2026.

Sob a coordenação do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Memp), essa conferência será um grande diálogo com a sociedade e apontará políticas públicas imprescindíveis e exequíveis para auxiliar na resolução das necessidades prementes da população brasileira e do país, da soberania alimentar à digital e espacial. Herdeiros do pensamento e da ação de todos os que sonharam e almejam esse projeto de nação democrática, soberana e fraterna.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Allen Habert

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