O país vive um conflito aberto entre o Executivo e o Legislativo, um impasse que está paralisando a máquina pública e comprometendo decisões estratégicas para o futuro imediato do Brasil. São picuinhas elevadas à categoria de chantagem política, colocando o Legislativo em rota de colisão com o Executivo. Essa postura tem imposto derrotas sucessivas ao governo, prejudicando não apenas a agenda presidencial, mas principalmente a nação.
Para o jornal O Estado de S. Paulo, porta-voz tradicional das oligarquias, o Congresso oferece hoje um “festival de mediocridade”. A crítica coincide com fatos concretos: a derrubada dos 52 vetos presidenciais ao chamado projeto da devastação, liberando geral mecanismos que fragilizam a proteção ambiental. Essa decisão vale por um crime político contra o país, especialmente porque acontece menos de uma semana após o encerramento da COP30, convocada justamente para frear o aquecimento global.
O confronto avança também sobre prerrogativas constitucionais. A indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal, atribuição exclusiva do presidente da República, está sendo colocada em xeque. Davi Alcolumbre marcou a sabatina do procurador Jorge Messias para o dia 10 de dezembro, mas avisou publicamente que o presidente verá “o que é não ter o presidente do Senado como aliado”, alimentando a narrativa de que ele próprio será o “novo Davi”. É mais um lance explícito de disputa de poder, que busca constranger o Executivo e tensionar a institucionalidade.
Esses movimentos, somados, constroem um cenário de instabilidade que afeta diretamente a governabilidade e a capacidade de o país enfrentar desafios urgentes — da reconstrução ambiental ao crescimento econômico, da transição ecológica às políticas sociais. O Brasil não pode ficar refém de chantagens, nem ter seu futuro condicionado a disputas miúdas que servem a interesses imediatos de grupos específicos.





