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Segurança cultural: a primeira linha de defesa da identidade e da narrativa nacional

Mais do que preservar tradições, a segurança cultural tornou-se uma estratégia de resistência palestina diante das tentativas de apagar sua história, falsificar sua narrativa e romper o vínculo entre um povo, sua memória e seu patrimônio cultural

Wisam Zoghbour
Diálogos do Sul Global
Gaza

Tradução:

Em um mundo que testemunha transformações rápidas e uma revolução digital sem precedentes, as batalhas travadas pelas nações não se limitam mais às fronteiras e à geografia; elas se estendem aos domínios da consciência, da identidade e da cultura palestina.

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Reprodução: pixabay / hosnysalah

A guerra moderna tem como alvo tanto as mentes quanto o território, buscando remodelar a memória coletiva, distorcer fatos e corroer o sentimento de pertencimento nacional.

Assim, o conceito de segurança cultural surge como um pilar fundamental da segurança nacional: protege o sistema de valores, a língua, o patrimônio e a memória coletiva, ao mesmo tempo que salvaguarda a identidade nacional contra tentativas de apagamento, falsificação e infiltração.

A segurança cultural não implica isolacionismo nem a rejeição da abertura a outras culturas. Pelo contrário, baseia-se no fortalecimento da confiança na identidade nacional e na capacidade de interagir com diferentes culturas em pé de igualdade e com consciência, distinguindo, ao mesmo tempo, entre elementos que enriquecem a cultura nacional e aqueles que visam desmantelá-la ou enfraquecê-la.

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Culturas vibrantes são aquelas que evoluem e se renovam sem perder suas raízes nem abandonar seus princípios fundamentais.

Hoje, as nações enfrentam desafios culturais crescentes, que vão desde a disseminação da desinformação e do discurso de ódio até tentativas de falsificar a história e apagar a identidade nacional.

Para o povo palestino, a segurança cultural reveste-se de importância excepcional, uma vez que o conflito não se resume à disputa por terras, mas se estende à narrativa nacional, à memória coletiva e aos direitos históricos.

Portanto, preservar o patrimônio, a língua, a literatura, as artes e o folclore palestinos — juntamente com o registro de crimes e violações — constitui uma forma autêntica de resistência cultural. Essa resistência salvaguarda a identidade nacional e enfrenta tentativas de falsificação, roubo e apropriação.

A construção de um sistema eficaz de segurança cultural exige uma parceria genuína entre famílias, escolas, universidades, o Sindicato dos Jornalistas, os veículos de comunicação, as instituições culturais e as organizações da sociedade civil.

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Essas entidades são chamadas a incutir valores de pertencimento nacional, fomentar o pensamento crítico, incentivar a leitura e a criatividade e capacitar os jovens a interagir de forma consciente e responsável com o ambiente digital, aumentando, assim, sua capacidade de combater campanhas de desinformação e a guerra psicológica.

A mídia nacional desempenha um papel fundamental na salvaguarda da segurança cultural. Isso vai além da simples divulgação de notícias; envolve a produção de conteúdo profissional que reforce a identidade nacional, sustente a narrativa palestina, exponha campanhas de desinformação e divulgue a história, a cultura e o patrimônio palestinos tanto para as novas gerações quanto para o mundo em geral.

Além disso, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos tem a importante responsabilidade de proteger os jornalistas, elevar os padrões profissionais e defender a liberdade de imprensa, fortalecendo, assim, a capacidade da mídia nacional de cumprir sua missão de preservar a identidade cultural.

Investir em cultura não é um luxo intelectual; é, na verdade, um investimento em segurança, estabilidade e desenvolvimento. Sociedades que possuem uma identidade cultural profundamente enraizada são mais resilientes diante de crises e mais coesas ao enfrentar tentativas de fragmentação, exclusão e hegemonia cultural.

Em meio à guerra que o povo palestino enfrenta — uma guerra que atinge suas vidas, suas terras e sua narrativa —, a segurança cultural surge como a primeira linha de defesa da identidade nacional, da memória coletiva e do direito do povo palestino de contar sua história, preservar seu patrimônio e transmiti-lo às gerações futuras. Proteger a cultura não é apenas defender o passado; é salvaguardar o presente, investir no futuro e garantir a continuidade da identidade nacional, independentemente da gravidade dos desafios.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Wisam Zoghbour Jornalista, membro da Secretaria-Geral do Sindicato dos Jornalistas Palestinos e diretor da Rádio Voz da Pátria.

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