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CGTN

Perspectivas de paz: Xi Jinping e Orbán em busca de soluções para a guerra na Ucrânia

“Só quando todos os países importantes desempenhem um papel positivo em lugar de negativo, poderá surgir uma perspectiva precoce de cessar-fogo”, na guerra na Ucrânia, afirmou Xi Jinping
Daniel González Delgadillo, Juan Pablo Duch
La Jornada
Pequim

Tradução:

Beatriz Cannabrava

O presidente da China, Xi Jinping, pediu à comunidade internacional “criar condições e brindar apoio para a volta do diálogo direto e a negociação” para alcançar um “cessar-fogo” na guerra na Ucrânia. Xi fez essa declaração durante uma reunião surpresa em Pequim com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que anunciou sua viagem a Washington após visitar Moscou e Kiev para continuar com os contatos para solucionar esta crise.

“Só quando todos os países importantes desempenharem um papel positivo em vez de negativo, poderá surgir uma perspectiva precoce de cessar-fogo”, afirmou Xi a Orbán, citado pela agência estatal de notícias Xinhua e as cadeias CCTV e CGTN. Xi assegurou que a prioridade é garantir que o campo de batalha não se amplie, que os combates não se intensifiquem, que não ocorra provocação por nenhuma das partes e que o conflito diminua o mais rapidamente possível.

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Reunidos na casa estatal de hóspedes de Diaoyutai, o mandatário reiterou que “a China esteve promovendo ativamente as conversações de paz à sua maneira e alentando e apoiando todos os esforços que conduzam a uma solução pacífica da crise”. Além disso, felicitou a Hungria por assumir a presidência da União Europeia (UE) e destacou a influência estratégica e global das relações entre o gigante asiático e o bloco europeu.

A atual visita à China é uma “missão de paz 3.0”, escreveu Orbán na rede social X (ex-Twitter), enquanto no Instagram anunciou que visitaria Washington.

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O líder húngaro efetuou na última semana visitas surpresas à Rússia e Ucrânia, logo que a Hungria assumiu no passado dia 1º a presidência semestral da UE. Sua visita a Moscou foi criticada por seus sócios europeus, que brindam apoio a Kiev, após o início da guerra em fevereiro de 2022.

Orbán recebeu o líder chinês na Hungria há apenas dois meses como parte de um giro por três países europeus que também incluiu paradas na França e na Sérvia, que, diferentemente dos outros dois, não é membro da UE nem da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan).

Ataque massivo russo deixa dezenas de mortos na Ucrânia

O exército da Rússia lançou na segunda-feira (8) 38 mísseis de diferentes tipos sobre a capital da Ucrânia, Kiev, assim como Dnipro, Kryvyï Rig, Sloviansk, Pokrovsk e Kramatorsk, entre outras cidades do vizinho país eslavo. De acordo com um balanço ainda preliminar, o ataque deixou um saldo de 32 civis mortos e 112 feridos, como consequência dos impactos diretos e dos fragmentos que caíram dos projéteis derrubados.

Ao confirmar o ataque, o ministério de Defesa russo emitiu um comunicado que assinala: “Em resposta aos intentos de Kiev de danificar objetivos energéticos e econômicos russos, as forças armadas da Rússia lançaram um ataque massivo com armas de alta precisão e longo alcance contra objetivos da indústria militar da Ucrânia e as bases aéreas do exército ucraniano”.

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Segundo a defesa antiaérea ucraniana, a Rússia utilizou nesta ocasião um míssil hipersônico Kinzhal, quatro mísseis balísticos Iskander-M, um míssil de cruzeiro Tsirkón, 27 mísseis de cruzeiro X-101 e Kalibr, dois mísseis de cruzeiro X-22 e três mísseis aéreos X-59 e X-69.

O chefe da força aérea ucraniano, Oleksanr Oleshchuk, assegura que interceptaram 30 dos 38 mísseis, mas não é claro se um desses oito mísseis destruiu uma parte do edifício da principal clínica pediátrica de Kiev, impacto que matou pelo menos dois adultos e deixou 18 feridos (7 deles, menores) que, minutos antes do ataque, recebiam tratamento de diálise e tiveram que ser evacuados, junto com o resto dos hospitalizados.

Troca de acusações

Ambas as partes se culpam do ataque à clínica pediátrica, que ocorreu na véspera do início em Washington da cúpula anual da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), que deve decidir a forma, volume e alcance do respaldo em armamento que presta à Ucrânia.

O comando militar ucraniano diz que a Rússia cometeu o enésimo “crime de guerra” e que “o mundo deve condenar de maneira decisiva” estes ataques contra “a população civil”, ao mesmo tempo que acusa o Kremlin de semear mais dúvidas aos países como Hungria.

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O ministério de Defesa russo – enquanto o presidente Vladimir Putin e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, ceavam de maneira informal na residência de Novo-Ogoriovo, na periferia de Moscou, um dia antes de suas conversações oficiais no Kremlin – falou de “provocação” e afirmou que “este tipo de histerias do regime de Kiev sucedem sempre na véspera de cada cúpula de seus doutrinadores da Otan”, sugerindo que o próprio exército da Ucrânia lançou um míssil contra a clínica pediátrica.

No entanto, na opinião de especialistas que analisaram as imagens disponíveis, pelos vídeos gravados que circulam nas redes sociais e que os militares russos e ucranianos usam como suposta prova da culpabilidade do inimigo, resulta impossível determinar que tipo de míssil está caindo intacto, em trajetória de 60 graus, para a zona onde se encontra a clínica infantil e muito perto da fábrica Artem da indústria militar ucraniana.

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Para Kiev, trata-se claramente de um míssil X-101 de localização aérea e, entre os escombros, o prefeito Vitali Klitschko mostrou fragmentos de um artefato que, por suas características, os especialistas consideram que “poderia ser tal, com muita probabilidade” sem ter a certeza.

Para Moscou, não há dúvida de que caiu um míssil e não fragmentos, mas asseguram que se trata de um antiaéreo ucraniano; para uns é um foguete lançado desde um avião russo, para outros, pela Ucrânia.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Daniel González Delgadillo
Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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