Longe de deixar de fazer política, Gustavo Petro, presidente da Colômbia até este sábado (8), assumirá as bandeiras da oposição contra o ultradireitista Abelardo De la Espriella.
Petro se despede com denúncias de fraude eleitoral e com uma palavra de ordem: defender as mudanças e reformas sociais que realizou em seus quatro anos de governo.

“As conquistas do povo serão defendidas nas ruas, convocando pacificamente as pessoas para que as defendam”, repete Petro como um mantra.
Petro entregará a Presidência ao ultradireitista De la Espriella, que se encontra nos antípodas do progressismo que deu voz aos setores marginalizados: afrodescendentes, indígenas, camponeses afetados pelo conflito armado e suas vítimas.
A transição de governo tem sido turbulenta, sem uma passagem entre os funcionários que estão saindo e os que estão chegando, enquanto o ultradireitista e sua nova equipe insistem em fazer supostas denúncias de corrupção contra o governo do Pacto Histórico, sem apresentar qualquer prova.
Gustavo Petro combinou mobilização popular, confronto com elites e pressão institucional para manter as reformas sociais no centro da disputa e fortalecer a esquerda na sucessão presidencial
“Que nos acusem de corrupção sem nenhuma prova é algo digno para o meu governo, pois isso demonstra que fizemos as coisas corretamente. Agora, se for encontrado algum fato irregular, que as autoridades o punam, assim como fizemos no governo com corruptos que hoje estão na prisão, denunciados por nós”, reiterou o presidente que deixa o cargo.
Querido pela metade do país que votou em seu candidato de esquerda, Iván Cepeda, Petro não passou despercebido em seus quatro anos de governo. Enfrentou os grandes poderes econômicos e políticos tradicionais na concepção de um novo país, não poupou denúncias e convocou aqueles que quiseram sabotar sua proposta.
A disputa de Petro também se transferiu para os meios de comunicação corporativos, empenhados em divulgar supostos fatos e escândalos que, segundo ele, “buscam desqualificar uma obra de governo que mudou a vida de milhões de colombianos pobres”.
Além das críticas que, nos meios de comunicação opositores ao governo, foram ferozes nos últimos dias, Petro deixou números nunca antes alcançados no presente século: retirou 4 milhões e 500 mil colombianos da pobreza, reduziu em três pontos o índice Gini (desigualdade), a inflação caiu sete pontos desde 2022, aumentou o salário mínimo em 37% e deixou o desemprego em 8%, a menor taxa das últimas duas décadas.
Os dados macroeconômicos do governo Petro são positivos, incluindo um aumento significativo do investimento estrangeiro e os ganhos materiais e monetários gerados pelo setor turístico, que ajudaram a consolidar a transição energética, pois o progressismo apostou em uma economia que não dependesse dos combustíveis fósseis.
“Conseguimos deixar um bônus previdenciário para mais de três milhões de idosos e idosas que não tinham aposentadoria para colocar um prato de sopa na mesa ou dormir em um colchão”, destacou Petro.
Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda em mais de 200 anos de vida republicana, não vai embora de mãos vazias; deixa um legado de reformas sociais contra todas as adversidades, enfrentando uma oposição de direita ferrenha que apostou em seu fracasso e que, nas palavras do presidente que deixa o cargo, não conseguiu alcançá-lo.
Seu legado permanece, mas Gustavo Petro continuará na batalha política; isso faz parte de seu DNA, combinado com a força e a certeza de que perdeu por 1%, estímulo que o impulsiona, a partir deste sábado (8), na defesa do projeto progressista para recuperar o poder em 2030. Amanhã veremos.





