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Petro diz que fraude eleitoral levou De la Espriella à Presidência e prevê que governo não chega ao fim

Mandatário sustenta que a apuração foi alterada por meio do sistema de escrutínio, denuncia violação da soberania colombiana e promete apresentar as evidências à Justiça

Camilo Rengifo Marín
CLAE / Centro Latino-Americano de Análise Estratégica
Bogotá

Tradução:

Tradução: Isabelle Paiva

O presidente em fim de mandato da Colômbia, Gustavo Petro, reiterou seus questionamentos em relação aos resultados das eleições presidenciais de 2026 ao insistir na existência de fraude eleitoral no processo que deu como vencedor seu sucessor, Abelardo de la Espriella, sobre o candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda. De la Espriella tomará posse na sexta-feira (7).

A dois dias da posse de De la Espriella, o presidente em fim de mandato, Gustavo Petro, afirmou em Soacha que o governo entrante não concluiria o mandato e atribuiu o resultado eleitoral a uma fraude que, segundo acrescentou, seria de conhecimento das autoridades dos Estados Unidos.

“Quanto tempo durarão os efeitos dessa fraude? Já se fala nos escritórios de Marco Rubio em Abelardo, o breve. Já intuem que ele sequer duraria os quatro anos de governo, mas que a população colombiana o faria renunciar”, disse o mandatário.

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Abelardo de la Espriella – wikipedia

Petro falou em entrevista coletiva a meios de comunicação nacionais e internacionais para detalhar as denúncias apresentadas anteriormente em seus canais oficiais sobre a existência de uma fraude eleitoral algorítmica e sistemática nas recentes eleições, a qual teria alterado os resultados de aproximadamente sete milhões de votos para impor Abelardo de la Espriella como presidente.

“Estamos diante de uma fraude, de um problema institucional profundamente grave, que é a posse de um presidente ilegítimo. Toda a Constituição da Colômbia desmorona e nos tornamos uma colônia (…) isso coloca a Colômbia em sua pior crise de soberania nacional desde que a conquistamos com o exército de Bolívar”, declarou.

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Anteriormente, por meio de sua conta no X (ex-Twitter), Petro afirmou que a fraude foi executada do exterior mediante a manipulação do sistema informático. “As eleições foram roubadas por israelenses endinheirados dirigidos por um genocida, e isso foi feito do exterior modificando a votação”, sustentou.

“Podemos voltar a ser colônias apenas se assim quisermos, mas não! Convoco o povo da Colômbia, como há dois séculos e meio, a lutar pela liberdade e pela independência nacional. Não somos povos de servos ou escravos; somos povos milenares e guerreiros pela liberdade e pela vida, sempre, sempre, sempre.”

Nas redes sociais, Petro denunciou a alteração de votos em mais de 1.600 locais de votação, detalhando a retirada prévia de fiscais do Pacto Histórico e a formação de mesas eleitorais com jurados parcializados em Antioquia, Bogotá e Norte de Santander.

“Exigem que eu me comporte bem, mas como um democrata pode aceitar uma fraude eleitoral? Nem nos Estados Unidos nem em qualquer outra parte do mundo”, defendeu Petro em declarações à imprensa, afirmando que seu “compromisso” é “com o povo” e “com o país”.

Petro afirmou que a logística e o financiamento dessa fraude contaram com a participação de recursos e interesses estrangeiros. Sustentou que o Conselho Nacional Eleitoral carece das ferramentas técnicas para identificar essas anomalias no software. Concluiu que a alteração da vontade popular configura a perda da soberania nacional e mergulha o país em uma grave crise constitucional. Assegurou que todos os dados coletados pela rede cívica digital serão encaminhados às instâncias judiciais correspondentes.

“A Colômbia elegeu Iván Cepeda como seu presidente pelos votos reais depositados nas urnas; o software israelense que rompeu a soberania nacional da Colômbia os substituiu, em uma grande porcentagem que pode chegar a 1.800.000 votos manipulados algoritmicamente, por meio de um software previamente estabelecido entre empresas privadas que dominam a apuração eleitoral no país”, acrescentou.

File:Gustavo Petro 2017.jpg - Wikimedia Commons
Gustavo Petro – Wikimedia

O chefe de Estado afirmou que a principal irregularidade reside na eliminação dos mecanismos de segurança (códigos hash) dos formulários E-14 enviados ao sistema. Explicou que os documentos em PDF acabaram convertidos em arquivos editáveis após o encerramento da votação, violando tratados internacionais e leis nacionais.

“Com dinheiro do narcotráfico de cocaína para os Estados Unidos e com recursos da inteligência privada israelense, substituíram o voto real da cidadania colombiana por um programa de software israelense que sempre fazia Abelardo de la Espriella vencer como presidente da Colômbia”, sustentou o mandatário no X (ex-Twitter).

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Da mesma forma, argumentou que as ferramentas computacionais contratadas para a consolidação da votação teriam retirado um volume significativo de votos do candidato de seu grupo político.

“Os 120 mil documentos eleitorais não possuem o mecanismo de segurança hash para impedir que sejam modificados. O registrador mentiu à população ao dizer que havia um mecanismo de segurança: trata-se apenas de um código para identificar cada formulário, e não de um mecanismo que impeça sua modificação”, enfatizou.

Petro afirmou que a Registradoria enganou a população ao apresentar códigos alfanuméricos como medidas de proteção, quando, na realidade, serviam apenas para identificar os formulários.

Denunciou o descumprimento, por parte desse órgão, da sentença emitida pelo Conselho de Estado em 2018, que determinava que o software eleitoral deveria ser propriedade do Estado e não poderia ser manipulado por agentes externos ou privados.

O mandatário detalhou a formação de uma comissão de fiscalização composta por 70 mil cidadãos e de uma frente digital com mil especialistas em informática. Essa equipe analisou 1.350 locais de votação e aplicou métodos estatísticos, como o teste de sequências (runs test), para avaliar o comportamento dos votos.

Assegurou que as análises mostraram um padrão matemático predeterminado, em vez de um comportamento aleatório característico do voto humano. A investigação detectou municípios onde o eleitorado registrado superava o total da população residente e mesas eleitorais atípicas com alteração direta de votos.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Camilo Rengifo Marín Economista e docente universitário colombiano, é analista associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE, www.estrategia.la)

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