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Chancelaria da Venezuela: “Não é a migração. Não é o narcotráfico. Não é a democracia. Não são os direitos humanos. Sempre se tratou de nossas riquezas naturais, de nosso petróleo, de nossa energia” (Imagem: Captura de tela / X)

“Pirataria” contra Venezuela: Rússia, Irã e Cuba reagem ao roubo de petroleiro pelos EUA

Segundo denuncia o governo da Venezuela, a ação confirma que a ofensiva dos EUA no Caribe mira petróleo, e não combate ao narcotráfico

Redação Diálogos do Sul Global
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

Nesta quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, os EUA confirmaram a captura de um petroleiro venezuelano no mar do Caribe. A operação foi admitida publicamente por Donald Trump, que descreveu o navio como “um petroleiro grande. Muito grande, o maior que já se viu”. Sem oferecer detalhes sobre a ação, o presidente declarou que houve “uma boa razão” para a apreensão e, questionado sobre o destino da carga, respondeu: “Bom, ficamos com o petróleo, suponho.”

A ex-procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, divulgou o vídeo do assalto ao navio, mostrando militares descendo de um helicóptero com armas em punho. Em sua justificativa, afirmou que o petroleiro era “utilizado para transportar petróleo sancionado da Venezuela e do Irã” e que havia sido alvo de sanções por supostamente integrar “uma rede ilícita” ligada a organizações consideradas terroristas por Washington. A operação envolveu o Departamento Federal de Investigação (FBI), a Divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI), a Guarda Costeira e o Departamento de Guerra dos EUA.

Venezuela: EUA confirmam sanha por petróleo

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela classificou a captura do navio como “um roubo descarado e um ato de pirataria internacional”, destacando que o próprio Trump confessou publicamente o assalto. A chancelaria lembrou que o presidente já havia declarado, na campanha eleitoral de 2024, que seu objetivo era “ficar com o petróleo venezuelano sem pagar nada em troca”, o que evidenciaria o caráter deliberado da política de despojo contra o país.

O governo venezuelano também relacionou o novo ataque ao histórico de espoliação promovido pelos EUA, citando o caso da Citgo — tomada por meio de “mecanismos judiciais fraudulentos” — e advertiu que o episódio confirma “as verdadeiras razões da agressão prolongada contra a Venezuela”.

“Não é a migração. Não é o narcotráfico. Não é a democracia. Não são os direitos humanos. Sempre se tratou de nossas riquezas naturais, de nosso petróleo, de nossa energia”, afirma o comunicado, que também convoca a comunidade internacional a rejeitar “essa agressão vandálica, ilegal e sem precedentes”.

Sobre o cenário interno e global, a chancelaria ressaltou que “a humanidade está despertando contra os abusos imperiais do Norte”, mencionando protestos recentes nos Estados Unidos e na Europa, além das mobilizações populares na Venezuela em defesa da paz.

O governo conclui reafirmando que recorrerá a todas as instâncias internacionais para denunciar “este grave crime internacional” e que não permitirá que “nenhum poder estrangeiro pretenda arrebatar do povo venezuelano o que lhe pertence por direito histórico e constitucional.”

Delcy Rodríguez: “Caem as máscaras”

A vice-presidenta Delcy Rodríguez afirmou que a apreensão confirma as intenções reais de Washington: “Caem as máscaras. A verdade foi revelada. O objetivo real dos EUA é o petróleo da Venezuela; roubá-lo e apropriar-se dele ilegitimamente, sem pagar nada.”

Rodríguez classificou o ato como “ilícito internacional” e também afirmou que Caracas recorrerá a todos os mecanismos multilaterais pertinentes para denunciar o “vulgar roubo”.

Mesmo antes da operação, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, havia denunciado o crescente deslocamento militar dos EUA no Caribe. Segundo ele, trata-se de uma estratégia para “submeter os povos da região” e garantir o controle político e dos recursos naturais.

“O imperialismo quer dominar e fazer seu este continente”, afirmou. “Eu digo: alerta, Venezuela; alerta, América Latina”, concluiu.

Reações internacionais

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguéi Lavrov, criticou o ataque estadunidense. Segundo ele, militares dos EUA “abordaram a tomada do petroleiro acusando-o de transportar petróleo cuja venda estaria proibida”, embora até agora Washington não tenha apresentado provas. Lavrov lembrou que a própria Chevron opera na Venezuela, comprando petróleo venezuelano, e afirmou esperar que os EUA expliquem “com base em quais fatos” tomaram tal medida unilateral.

Moscou defendeu que temas como segurança marítima e combate ao narcotráfico devem ser tratados coletivamente, e não impostos por ações isoladas de um único país.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, por sua vez, classificou a apreensão como “um vil ato de pirataria” e uma “escalada agressiva” contra a Venezuela. Segundo ele, a ação viola frontalmente o direito internacional, as regras do livre comércio e a liberdade de navegação.

A Embaixada do Irã em Caracas também condenou o episódio, qualificando-o como “injustificado e ilegal”. O comunicado destaca que a ação constitui “grave violação das normas internacionais, incluindo o princípio inviolável da liberdade de navegação marítima”, e acusa Washington de tentar impor seus objetivos “violando a soberania nacional, vulnerando direitos de terceiros e promovendo a anarquia”. Nesse sentido, Teerã expressou solidariedade total ao governo e ao povo venezuelanos.

303,8 bilhões de barris de petróleo

A reação internacional a mais uma ação unilateral dos EUA ocorre em um contexto no qual Washington não esconde seu interesse pelas gigantescas reservas de petróleo da Venezuela — as maiores do planeta, estimadas em cerca de 303,8 bilhões de barris, superando inclusive as da Arábia Saudita.

Com produção atual acima de 1,1 milhão de barris diários e exportação próxima de 950 mil, a Venezuela representa, para as refinarias estadunidenses do Golfo do México, um fornecimento estratégico de longo prazo.

Por isso, analistas apontam que a captura do navio se encaixa na lógica mais ampla da Operação Lança do Sul — oficialmente apresentada como combate ao narcotráfico, mas denunciada por Caracas e diversos governos como um esforço para controlar as reservas venezuelanas por meio de pressão militar e tentativas de mudança de regime.

No conjunto, o episódio reforça a denúncia de que a escalada bélica dos EUA no Caribe tem menos a ver com segurança e mais com a disputa por petróleo, aprofundando a tensão regional e a agressividade contra o projeto chavista na nação venezuelana.

* Com informações de teleSur, Russia Today, HispanTV e La Jornada.
Nota produzida com apoio de IA.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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