O comportamento de Donald Trump tornou-se um dos principais fatores de instabilidade da política internacional. Suas decisões são marcadas pela imprevisibilidade, pela ruptura de compromissos assumidos e por mudanças bruscas de posição.
Nunca se sabe ao certo qual será seu próximo passo nem quais são, de fato, seus objetivos estratégicos. Essa política errática, longe de fortalecer os Estados Unidos, aumenta as tensões internacionais e enfraquece a credibilidade do próprio governo estadunidense.

O episódio mais recente envolve o Irã. Trump acusa Teerã de haver rompido a precária trégua, quando, na prática, foi sua própria decisão que levou ao agravamento da crise. Ao mesmo tempo, ameaça controlar a navegação no Estreito de Ormuz e cobrar pedágios sobre o tráfego marítimo, embora não possua qualquer direito soberano sobre aquela região.
O estreito passa por águas territoriais iranianas, e cabe ao Irã exercer os direitos que lhe são reconhecidos pelo direito internacional. Paradoxalmente, quem hoje dificulta a circulação de embarcações iranianas é o próprio governo ianque, ampliando o risco de uma escalada militar de consequências imprevisíveis.
A mesma lógica se repete na guerra comercial. A imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros foi apresentada como medida de proteção da economia dos Estados Unidos. No entanto, diversos setores produtivos ianques dependem de matérias-primas e produtos brasileiros para manter suas cadeias industriais em funcionamento.
Ao elevar o custo dessas importações, as tarifas acabam encarecendo a produção, pressionando a inflação e penalizando empresas e consumidores dos próprios Estados Unidos.
Cannabrava | Trumpaço nas tarifas e a reação do Brasil
Não por acaso, a própria administração Trump foi obrigada a abrir exceções para diversos produtos considerados estratégicos, entre eles o suco de laranja e outras mercadorias indispensáveis ao abastecimento da economia ianque.
Essas exceções demonstram que a retórica protecionista esbarra na realidade da interdependência econômica mundial. Em um sistema produtivo globalizado, barreiras comerciais tendem a produzir efeitos contrários aos anunciados por seus defensores.
O mundo vive uma profunda transição geopolítica. A tentativa de impor a vontade de Washington por meio da força militar, das sanções econômicas e da guerra tarifária apenas acelera a consolidação de uma ordem multipolar.
Nesse novo cenário, países como China, Rússia, Índia, Brasil e os demais integrantes do Brics ampliam sua relevância econômica e política. Quanto mais errática se mostra a política externa de Trump, mais rapidamente se enfraquece a pretensão de hegemonia dos Estados Unidos.
O Brasil deve responder a essas pressões com serenidade e firmeza, defendendo sua soberania, diversificando seus mercados, aprofundando a integração com o Brics e retomando um projeto nacional de desenvolvimento. A resposta às ameaças externas não está na submissão, mas no fortalecimento da economia nacional e na construção de um mundo baseado no respeito ao direito internacional e na cooperação entre as nações.





