“A anistia foi parcial, seletiva e covarde”, afirma Ivan Cavalcanti Proença — ex-integrante da Guarda Presidencial de João Goulart — ao definir o tratamento pós-redemocratização dado aos militares de baixa patente perseguidos pela ditadura no Brasil. Em entrevista ao Dialogando com Paulo Cannabrava de 31 de julho, Proença asseverou: enquanto oficiais de alta patente foram reconhecidos e indenizados, os praças “foram esquecidos pela história e pelo Estado”.
O também professor e escritor reforça que a anistia política excluiu milhares de militares de baixa patente que também resistiram ao regime, e lembra que ele mesmo foi um dos muitos punidos duramente pelas Forças Armadas após o golpe. “Fui expulso sem direito de defesa, só por estar ao lado da legalidade e da democracia.” Desde então, tem atuado ao lado de outros oficiais da reserva em busca da reparação integral para os que lutaram pela Constituição e foram silenciados.
“O Brasil tem uma dívida histórica com esses homens”, afirma, acrescentando que a luta não é por dinheiro, mas por dignidade: “Muitos morreram na miséria, abandonados por um país que juraram defender”. A omissão, segundo Ivan, é parte de uma política deliberada para apagar da memória nacional a resistência dentro das Forças Armadas.
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Para ele, é preciso rever a Lei de Anistia e aplicar a justiça com igualdade. “A memória oficial só enaltece os que estiveram do lado do golpe. Os que ficaram do lado do povo foram apagados. Isso precisa mudar.”
A entrevista completa está disponível no canal TV Diálogos do Sul Global, no YouTube:





