Pesquisar
Pesquisar
Manifestação estudantil contra a Ditadura Militar em 2 de abril de 1968 (Imagem: Arquivo Nacional)

Praças perseguidos pela ditadura foram esquecidos, afirma ex-membro da Guarda de Jango

Segundo Ivan Cavalcanti Proença, apenas oficiais de alta patente foram reconhecidos e indenizados após a redemocratização: “A anistia foi parcial, seletiva e covarde”

George Ricardo Guariento
Diálogos do Sul Global
Taboão da Serra

Tradução:

“A anistia foi parcial, seletiva e covarde”, afirma Ivan Cavalcanti Proença — ex-integrante da Guarda Presidencial de João Goulart — ao definir o tratamento pós-redemocratização dado aos militares de baixa patente perseguidos pela ditadura no Brasil. Em entrevista ao Dialogando com Paulo Cannabrava de 31 de julho, Proença asseverou: enquanto oficiais de alta patente foram reconhecidos e indenizados, os praças “foram esquecidos pela história e pelo Estado”.

O também professor e escritor reforça que a anistia política excluiu milhares de militares de baixa patente que também resistiram ao regime, e lembra que ele mesmo foi um dos muitos punidos duramente pelas Forças Armadas após o golpe. “Fui expulso sem direito de defesa, só por estar ao lado da legalidade e da democracia.” Desde então, tem atuado ao lado de outros oficiais da reserva em busca da reparação integral para os que lutaram pela Constituição e foram silenciados.

“O Brasil tem uma dívida histórica com esses homens”, afirma, acrescentando que a luta não é por dinheiro, mas por dignidade: “Muitos morreram na miséria, abandonados por um país que juraram defender”. A omissão, segundo Ivan, é parte de uma política deliberada para apagar da memória nacional a resistência dentro das Forças Armadas.

Há 50 anos, AI-5 dava início aos tempos mais sombrios da ditadura no Brasil

Para ele, é preciso rever a Lei de Anistia e aplicar a justiça com igualdade. “A memória oficial só enaltece os que estiveram do lado do golpe. Os que ficaram do lado do povo foram apagados. Isso precisa mudar.”

A entrevista completa está disponível no canal TV Diálogos do Sul Global, no YouTube:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

George Ricardo Guariento Graduado em jornalismo com especialização em locução radiofônica e experiência na gestão de redes sociais para a revista Diálogos do Sul Global. Apresentador do Podcast Conexão Geek, apaixonado por contar histórias e conectar com o público através do mundo da cultura pop e tecnologia.

LEIA tAMBÉM

Dois lados do mesmo projeto”, diz dirigente da UNE sobre precarização do trabalho e das universidades
“Dois lados do mesmo projeto”, diz dirigente da UNE sobre precarização do trabalho e das universidades
Ser médico em Gaza é ter um alvo nas costas, denuncia médico palestino-brasileiro
Ser médico em Gaza é ter um alvo nas costas, denuncia médico palestino-brasileiro
Reservatórios de combustíveis da transpetro, em Brasília
Brasil está entregando patrimônio de graça, denuncia João Vicente Goulart
2023, Criança carrega bebê em frente ao Hospital de Campanha Yanomami montado na Casa de Saúde Indígena - Casai
“Racismo institucional é o maior vírus contra os povos indígenas no Brasil”, avalia Rose Padilha