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Imagem: Prensa Latina

Prensa Latina: há 65 anos “a arma mais eficaz” de Cuba na defesa dos povos e da Revolução

"Capacidade da Prensa Latina de resistir a numerosos ataques [dos EUA] é impressionante e sem precedentes", afirma a historiadora estadunidense Renata Keller
Luis Onofa
Prensa Latina
Quito

Tradução:

Ana Corbisier

Dias mais, dias menos, a Prensa Latina (PL), agência de notícias cubana, leva pelo menos 24 mil dias lançando ao mundo dardos de verdade sobre a Revolução Cubana e sobre os povos colonizados e neo colonizados do mundo, como os chamou Roberto Fernández Retamar.

Devem somar milhões e milhões estes dardos, fachos de luz lançados dia e noite, sem descanso, desde que começou a funcionar em 16 de junho de 1959, poucos meses depois do triunfo da Revolução. E a cifra continuará crescendo no futuro porque seu destino histórico é confrontar as toneladas de bombas de desinformação que disparam os conglomerados midiáticos do capitalismo, em sua tentativa de destruir a Revolução e frear os processos progressistas e de libertação dos povos do planeta. Os resultados frutíferos deste esforço foram reconhecidos como tal, inclusive pela inteligência estadunidense, que admitiu que a PL é “a arma mais eficaz” da estratégia de comunicação do processo da ilha caribenha.

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A batalha tem sido desigual. No arsenal da trincheira da PL escasseiam os recursos materiais, que em troca sobram do outro lado da linha de frente. Mas sobra a convicção de justeza da causa pela qual combate e a vontade de resistir. Esta vantagem alimentou o gigantesco esforço e sacrifício de seus trabalhadores dentro e fora de Cuba para sustentar a agência.

Vencemos

A historiadora estadunidense Renata Keller, que investiga os processos latino-americanos, diz que a Prensa Latina venceu. “Assim como a capacidade de Fidel Castro para permanecer no poder frente à implacável hostilidade dos Estados Unidos poderia ser interpretada como uma vitória, a capacidade da Prensa Latina de resistir a numerosos ataques é impressionante e sem precedentes. No entanto, a Prensa Latina sobreviveu, expandiu-se e até floresceu”, garante. Tem razão: outros projetos parecidos, lamentavelmente, naufragaram na região e no resto do mundo ou se reduziram a sua mínima expressão, como ocorreu com o Pool de Agências dos Países Não Alinhados, por exemplo, que aspirava a tornar-se uma rede mundial de notícias da ótica do chamado Terceiro Mundo.

Para PL, resistir, como diz Keller, foi uma ousadia carregada de inteligência e criatividade, não só na cobertura e difusão de notícias, como também no manejo de sua economia e de suas finanças, qualidades que lhe são necessárias para furar o bloqueio econômico estadunidense de que Cuba é vítima.

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O que levou PL a criar produtos e projetos originais, e a desenvolver, atrás de suas salas de redação, uma logística silenciosa para prover de recursos financeiros seus correspondentes. Buscar por labirintos bancários no mundo para socavar o ilegítimo bloqueio estadunidense contra a ilha em tempos de globalização financeira, foi uma saga logística frequente de Prensa Latina, parecida apenas ao também ilógico itinerário aéreo de dar a volta à Europa para chegar a Havana, périplo forçado pelo bloqueio estadunidense aos sul-americanos que queriam visitar a Cuba revolucionária.

Prensa Latina, nasceu há 65 anos, pela mão da Revolução, e junto com ela, como parte da Operação Verdade lançada pelo comandante Fidel Castro, líder do processo. Sua missão era desvirtuar as mentiras que, como um furacão, começaram a açoitar a Revolução, mal esta iniciava seu caminho, quando seus adversários perceberam que ela vinha carregada de justiça social e soberania. Esta tarefa continua valendo.

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“A nova agência latino-americana de notícias foi uma arma poderosa no arsenal revolucionário de Fidel Castro porque proporcionou uma nova forma para que o governo cubano reunisse e desse forma à informação e construísse solidariedade internacional ao compartilhar sua versão da história com o resto do mundo”, reconhece Keller, professora associada de História Latino-americana da Universidade de Nevada, Estados Unidos, ao avaliar o papel desempenhado pela PL no processo cubano.

Prensa Latina foi uma vanguarda da corrente crítica à hegemonia dos grandes conglomerados midiáticos da informação no mundo que começaria a ativar-se anos depois na América Latina e em outras regiões do mundo. Foi fundada e viveu para enfrentar a desinformação e o silêncio midiático sobre os povos do Sul Global.

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Prensa Latina fez escola no jornalismo. É uma referência de objetividade na relação dos fatos e rigor no manejo da linguagem na hora de compor seus textos e produzir imagens. “Aqui não cabe a linguagem panfletária nem as adjetivações” por conta dos redatores, advertia em determinado momento um de seus correspondentes, referindo-se ao estilo da agência frente à tentação de proselitismo que poderia afetar seus redatores nas sucursais da agência. Que se saiba, PL nunca foi desmentida ao longo de sua história.

No entanto, a objetividade não foi óbice para que seja um exemplo de militância informativa nas causas dos “condenados da terra”, nas palavras de Franz Fanon. Em silêncio, em seu trabalho diário pôs em prática a frase célebre de seu fundador, Jorge Ricardo Masetti: ser “objetivo, mas não imparcial, porque não se pode ser imparcial entre o bem e o mal”. Atém-se com rigor aos fatos e aos dados na hora de narrá-los. E ao fazê-lo se alinha aos interesses dos povos, em um cenário em que estes sempre estão em disputa com os interesses transnacionais. De passagem, sem pretensões, Masetti e Prensa Latina, puseram na agenda dos debates uma resposta à equação objetividade, imparcialidade, equilíbrio informativo, sobre a qual tratadistas e especialistas liberais escreveram milhares de páginas em um fracassado afã de resolvê-la.

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PL é parte da estratégia de comunicação da Revolução junto com outros meios de comunicação impressos, radiofônicos, audiovisuais e digitais, de alcance nacional e internacional, cuja operação evidencia um uso ótimo destes recursos, precisamente pela escassez de recursos materiais. Um deles é, por exemplo, Radio Habana Cuba, criada depois do triunfo da Revolução, cujo papel, assim como o de PL, foi gravitante em momentos políticos dramáticos dos povos da América Latina, África e Ásia.

PL lança raízes na tradição de comunicação política dos grandes momentos históricos de Cuba. Na Serra Maestra operou a Rádio Rebelde, que continua funcionando como tal. Mais atrás na história, José Martí fundou o jornal “Pátria”, para lutar pela independência de Cuba do colonialismo espanhol. O prócer cubano propunha um jornal que cumprisse o papel de unir todos os setores independentistas da ilha. “Nasce este jornal… para contribuir, sem pressa e sem descanso… para manter a amizade indestrutível que une, e deve unir… os homens… de todas as procedências, que persistam no sacrifício da emancipação”, escrevia no primeiro número daquele jornal.

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Mais de meio século depois, o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, segundo suas próprias palavras, contava com a colaboração da imprensa revolucionária para lutar contra os inimigos da Revolução, que buscavam desprestigiar o socialismo de seu país.

Martí também delineara a função ética de um meio de comunicação. “Pátria”, devia servir para viver na “paixão da verdade”. Fidel Castro pôs nos ombros dos meios de comunicação de seu país a responsabilidade de executar a Operação Verdade. Frente ao interesse dos adversários da Revolução de “desprestigiar o socialismo”, a tarefa de prestigiá-lo tocava à imprensa revolucionária, dizia ele. Nesta tarefa tem sua parte Prensa Latina.

Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Luis Onofa Jornalista, mestre em Comunicação Social pela Universidade Andina Simón Bolívar e licenciado em Ciências da Informação pela Universidade Central, ambas no Equador. É também produtor e condutor do programa de opinião La Oreja Libertaria, do Coletivo Espelho Libertário, na Rádio Pichincha, em Quito.

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