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Q’eswachaka, a última ponte inca mantém comunidades unidas

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Durante o Império Inca, também conhecido como Tawantinsuyo, os povos peruanos  desenvolveram uma ampla rede de estradas e pontes para melhorar a comunicação no extenso território.

Por Gabriela Garcia Calderon Orbe, Global Voices*

De todas as pontes que existiam naquela época, a única que resta é a Q’eswachaka ou Queshuachaca (literalmente, “ponte de corda” na língua quíchua) que se estende por uma estreita passagem sobre o rio Apurímac, na província de Canas, localizada na região sul de Cusco.

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Q’eswachaka é feita de ichu, uma fibra típica do planalto andino. Por mais de 500 anos, a população local tem mantido viva essa tradição de tecnologia antiga. Todos os anos, em junho, as comunidades rurais de Huinchiri, Chaupibanda, Choccayhua Quehue e Ccollana se reúnem em uma cerimônia ritual para reconstruir a ponte com as mesmas matérias-primas e técnicas utilizadas no tempo dos incas.

 

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A última ponte inca, Queshuachaca.

 

Desde 2013, o conhecimento, as habilidades e os rituais ligados à renovação anual da ponte Q’eswachaka fazem parte da lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. No documento está dito:

As comunidades consideram a ponte um meio para reforçar suas relações sociais e não simplesmente como uma passagem. A ponte é considerada uma expressão sagrada do vínculo com a natureza, a tradição e a história […]

 

A renovação de uma ponte e a revitalização de uma tradição

 

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Atravessando a Queshuachaca, última ponte inca do Peru.

 

O rito de renovação dura três dias, cada um com suas atividades muito bem demarcadas.

O primeiro dia começa com uma oferenda ao protetor Apu. O principal material para a ponte é recolhido e torcido em cordões estreitos. Na parte da tarde, as comunidades reúnem o material, transformando os cordões estreitos em cordas grossas — quatro para o piso da ponte e duas para os corrimões.

Em seguida, as cordas principais são estendidas de um lado ao outro do rio. No segundo dia, elas são amarradas em cada lado e as cordas antigas são descartadas.

No terceiro dia, o chakaruhac (engenheiro inca) faz o acabamento final do conjunto para formar a passarela onde se caminha e estabiliza os corrimões conectando-os à base.

Finalmente, no último dia, a ponte é reaberta com música e danças típicas da região.

Um usuário postou no Twitter um vídeo feito pelo site AJ+ que mostra como a ponte é trançada a cada ano:

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Ciudadano Intermodal@arriagadaPAD

Durante séculos, a ponte suspensa Q’eswachaka tem sido reconstruída vez após vez. Beleza inca com a qual aprendemos o quanto podemos lograr coletivamente.#elpuentequefalta

https://youtu.be/r8ROv20lfTs

No Instagram, também podemos encontrar fotos de usuários que cruzaram a ponte:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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