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Foto: Juan Montengro / Presidência do Equador

Peão do imperialismo: visita de Rubio ao Equador expõe capachismo de Noboa

Encontro reafirmou disposição de Noboa em reabrir Equador para bases militares dos EUA e colaborar com a ofensiva de Trump contra a democracia venezuelana

Orlando Pérez
La Jornada
Quito

Tradução:

Tradução: Beatriz Cannabrava

Da visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a Quito, na última quinta-feira (4), só ficou evidente a decisão de Washington de perseguir o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a quem o funcionário qualificou como “narcotraficante”. “Que não haja dúvida, Maduro é acusado e fugitivo da justiça dos Estados Unidos”, assegurou Rubio em entrevista coletiva no térreo do Palácio de Carondelet, sede da Presidência do Equador.

O diplomata recordou que um grande júri em Nova York apresentou evidências e acusações contra Maduro: “Não sou eu quem diz, é um grande júri no estado de Nova York. Há anos saiu uma nova acusação que detalha o papel que Maduro teve, desde os tempos de Chávez, com o tráfico de drogas”.

Rubio também reforçou suas críticas a organismos internacionais que não apoiam a posição de Washington: “As Nações Unidas estão em desacordo, e para mim não importa o que dizem. Maduro não é o líder legítimo da Venezuela, enfrenta acusações em Nova York feitas por um grande júri”.

Embora nem Rubio nem sua colega Gabriela Sommerfeld tenham explicado a presença de navios e missões militares nas Galápagos, o secretário de Estado se referiu à possibilidade de instalação de bases estrangeiras no Equador. “Falamos (com o presidente Daniel Noboa) sobre a possibilidade de estacionar elementos militares dos Estados Unidos no território, em cooperação, obviamente, com o governo”, com o objetivo de enfrentar uma “ameaça em comum”.

E acrescentou: “O Equador é um país soberano, se nos convidarem, vamos considerar. Inclusive, já tivemos bases militares aqui e nos pediram que saíssemos nos anos de (Rafael) Correa, e saímos. Se nos convidarem a voltar, é um ponto muito estratégico, vamos estudar, se fizer sentido, se também os ajudar com o que estão enfrentando — com a mineração ilegal, com o narcoterrorismo, com a pesca ilegal, que também é uma questão muito séria. Se nos pedirem, viremos da parte de um aliado e amigo”.

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Durante a visita, vários meios de comunicação detalharam a quantidade de cocaína que sai da Venezuela, da Colômbia, do Equador e do Peru, e os jornalistas credenciados à entrevista coletiva de Rubio repercutiram essas informações. No entanto, vários especialistas apresentaram números muito diferentes dos divulgados pelos governos de Noboa e de Donald Trump.

“O narcotráfico é um problema da região, pois a produção de cocaína na América Latina é de cerca de quatro mil toneladas. Entre 2022 e 2023, a Colômbia aumentou em 53% a produção de cocaína. Pela Venezuela saem cerca de 300 toneladas; pelo Equador, 1.200; pela Bolívia, 400; e pelo Peru, mil toneladas. E agora o destino da droga também é maciçamente o Brasil, que já é o segundo país do mundo em consumo de cocaína, mas também continua sendo um país de trânsito”, assegurou ao jornal La Jornada o especialista em temas de segurança Fernando Carrión.

Daí a resposta enérgica de Rubio, que tentou desacreditar os relatórios da ONU, nos quais se explicou em várias ocasiões que apenas 5% dos narcóticos passam pela Venezuela, enquanto 87% do transporte de drogas rumo ao norte ocorre pela rota do Pacífico, a partir dos portos do Equador, do Peru e da Colômbia.

Ao mesmo tempo, Rubio oficializou que os Estados Unidos destinarão 13,5 milhões de dólares em assistência na área de segurança e outros 6 milhões de dólares para drones, mas não descartou o envio de militares de seu país para treinamentos e capacitações com seus pares equatorianos.

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O presidente do Equador, Daniel Noboa, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em reunião bilateral em Quito (Foto: Juan Montengro / Presidência da República)

Enquanto se desenvolvia a reunião com Noboa, soube-se que os Estados Unidos decidiram declarar os grupos criminosos Los Choneros e Los Lobos como organizações terroristas estrangeiras. A notícia foi celebrada por Noboa em suas redes sociais: “Choneros e Lobos podem continuar achando que ninguém os atinge, mas a realidade é outra”. De fato, Rubio iniciou a entrevista coletiva destacando a notícia, pois, segundo ele, “abre muitas possibilidades de ação”.

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Segundo a retórica oficial, essas duas organizações “têm atacado e ameaçado funcionários públicos e suas famílias, pessoal de segurança, juízes, promotores e jornalistas no Equador”. Além disso: “Seu objetivo final é controlar as rotas de tráfico de drogas que atravessam o Equador, aterrorizando e exercendo uma violência brutal sobre a população equatoriana”. Segundo o Departamento de Estado, os Choneros são identificados como Águias ou Fatais, enquanto os Lobos figuram como “Los Lobos Drug Trafficking Organization”.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul Global – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Orlando Pérez Correspondente do La Jornada em Quito.

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