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TogglePutin oferece ao Irã mediação da Rússia para solução diplomática com EUA-Israel – 12/04
Ao falar por telefone no dia 12 de abril com seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, “reiterou a disposição de Moscou de seguir contribuindo para a busca de uma solução política e diplomática para o conflito”, provocado pela agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Além disso, segundo o comunicado divulgado pelo escritório de imprensa do Kremlin, o mandatário russo se dispôs a “realizar esforços de mediação no interesse de estabelecer uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”.
“Com esse propósito, a Rússia continuará de modo ativo os contatos com todos os seus parceiros na região”, acrescentou Putin.
Por sua vez, o presidente do Irã declarou: “Ao comentar as negociações entre Irã e Estados Unidos que ocorreram em Islamabad em 11 de abril, expressou seu reconhecimento pela posição de princípios da Rússia, no âmbito internacional, para alcançar uma desescalada da situação”. Pezeshkian “também agradeceu a ajuda humanitária concedida pela Rússia ao povo iraniano.”
Os presidentes “se mostraram favoráveis a continuar fortalecendo todos os aspectos das relações de boa vizinhança entre Rússia e Irã.”
Pezeshkian felicitou Putin e todos os cristãos ortodoxos da Rússia, por ocasião da Páscoa, que foi celebrada na nação russa no dia 12 de abril.
Rússia e Ucrânia celebram cessar-fogo temporário entre EUA e Irã – 08/04
Na última quarta-feira (8), o Kremlin celebrou o que parecia o início da busca por uma solução política para a atual crise no Oriente Médio: o acordo de cessar-fogo entre Irã, EUA e Israel.
“No contexto das duras declarações feitas na véspera pelas partes implicadas, nós, naturalmente, recebemos com satisfação a notícia de uma trégua e saudamos a decisão de não continuar mais pelo caminho da escalada militar”, afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, em sua coletiva de imprensa diária, acrescentando:
“Esperamos que, como anuncia a imprensa, nos próximos dias ocorram contatos diretos entre as delegações iraniana e estadunidense (no Paquistão), o que tornará possível prosseguir o diálogo político. E cada parte poderá defender seus interesses não por meio de uma intervenção armada, mas na mesa de negociações.”
Peskov recordou que “desde o primeiro momento”, quando Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irã, “a Rússia instou a renunciar a uma escalada militar” e a “retomar o caminho das negociações políticas e diplomáticas”.
A Ucrânia, que foi prejudicada pelo fechamento do estreito de Ormuz por parte do Irã e pela consequente alta do preço do petróleo nos mercados internacionais, o que beneficia a Rússia, também se mostrou satisfeita com a trégua entre Washington e Teerã.
“O cessar-fogo (no Oriente Médio) é uma decisão correta, que abre a porta para pôr fim à guerra. É preservar a vida das pessoas, renunciar à destruição de cidades e povoados e possibilitar que as estações elétricas e outras infraestruturas funcionem normalmente. Em outras palavras, é o momento — e há condições indispensáveis — para que a diplomacia comece a dar resultados”, escreveu em suas redes sociais o mandatário ucraniano, Volodymyr Zelensky.
“A Ucrânia sempre chamou a cessar as hostilidades na guerra que a Rússia mantém aqui, na Europa, contra nosso Estado e nosso povo. (…) Reitero mais uma vez: a Ucrânia está disposta a responder de maneira simétrica se a Rússia puser fim a seus ataques. Para todos é evidente: uma trégua pode criar premissas adequadas para alcançar entendimentos”, pontuou.
Além disso, o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou, em alusão aos Estados Unidos: “Chegou a hora de agir com determinação suficiente para forçar a Rússia a aceitar um cessar-fogo e pôr fim à guerra com a Ucrânia.”
Vale lembrar que, pouco depois de iniciada a trégua, Teerã denunciou que EUA e Israel violaram três dos dez pontos de sua proposta. Na rede social X, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibat, advertiu: “Não é razoável negociar nem tampouco [estabelecer] um cessar-fogo bilateral.”
Rússia: ataques de EUA-Israel a centros civis e nucleares iranianos são “imprudentes e ilegais” – 05/04
Os chanceleres da Rússia, Serguei Lavrov, e do Irã, Abbas Araqchi, em 5 de abril classificaram como “imprudentes e ilegais” os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a usina nuclear de Bushehr e outras instalações civis e energéticas iranianas.
“As partes enfatizaram a necessidade de pôr fim imediato aos ataques imprudentes e ilegais contra a infraestrutura civil, industrial e energética, incluindo a central nuclear de Bushehr, que se encontra sob proteção da OIEA (Organismo Internacional de Energia Atômica)”, destacou o escritório de Lavrov em um comunicado sobre a conversa telefônica com seu homólogo iraniano.
Os ministros das Relações Exteriores enfatizaram que “é inaceitável criar ameaças à vida e à saúde” dos membros da usina de Bushehr, assim como “gerar o risco de uma catástrofe radioativa para toda a região (do Oriente Médio)”.
Durante a conversa, Lavrov expressou a esperança de que sejam concluídos com êxito os esforços realizados por vários países para reduzir a tensão na região, “em prol de normalizar a longo prazo e de forma sustentável a situação no Oriente Médio, o que seria facilitado se os Estados Unidos renunciarem à linguagem dos ultimatos e for retomado o caminho da negociação.”
Ambos os funcionários sublinharam a necessidade de evitar medidas, sem excluir o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que “possam minar as possibilidades restantes de avanços nos esforços políticos e diplomáticos que estão sendo realizados para solucionar esta crise.”
No dia 5 de abril, Lavrov também conversou com seu homólogo chinês, Wang Yi, com quem concordou ser necessário um diálogo político e diplomático, assim como tomar medidas para reduzir a tensão no golfo Pérsico.
Os chanceleres “abordaram a situação no golfo Pérsico, em especial os esforços internacionais para pôr fim o mais rápido possível à confrontação nessa importante região, o que torna necessário iniciar um diálogo político e diplomático”, informou a chancelaria russa em um breve comunicado.
Usina de Bushehr em perigo
Ao condenar o ataque com mísseis contra a central atômica de Bushehr, que no dia 4 de abril causou a morte de um vigilante iraniano, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, citou o diretor-geral da OIEA, Rafael Grossi, o qual declarou: “As usinas atômicas, assim como os territórios adjacentes, onde podem existir importantes sistemas de segurança nuclear, nunca devem ser alvos de ataques militares”.
As palavras de Grossi, disse Zakharova, “naturalmente se dirigem aos agressores, que sem pensar muito e até com certo agrado continuam bombardeando a infraestrutura energética e nuclear do Irã.”
Para a porta-voz russa, “essas ações ilegais e irresponsáveis são uma mancha obscura indelével na reputação internacional daqueles que lançam mísseis contra a central atômica de Bushehr e outras instalações protegidas pela OIEA e ordenam sua destruição.”
A diplomata considera que “eles apagaram sua reputação anterior em matéria de não proliferação nuclear e proclamam que não reconhecem nenhuma norma nem limitação.”
Lavrov: EUA não se limitarão a Venezuela, Irã e Cuba – 03/03
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou em 3 de março que os Estados Unidos, assim como fizeram na Venezuela, não vão se limitar nem ao Irã nem a Cuba em sua intenção de administrar outros países.
“No que diz respeito ao Irã, (o secretário de Estado) Marco Rubio levantou recentemente a possibilidade de que os Estados Unidos administrem o Irã. Assim como anunciaram que governariam a Venezuela, agora estão desenhando um plano semelhante para Cuba”, denunciou em entrevista coletiva. Ele acrescentou:
Segundo Lavrov, a impressão que têm tanto ele quanto o presidente Vladimir Putin de suas conversas com seus respectivos homólogos, Marco Rubio e Donald Trump, é que “os Estados Unidos querem que seus interesses nacionais sejam compreendidos e respeitados. Em resposta, eles oferecem compreender e respeitar os interesses nacionais das outras grandes potências (nucleares). Ao menos das grandes potências. Notamos isso o tempo todo.”
Por isso, o chanceler russo acredita que chegou a hora de “falar a fundo com os Estados Unidos sobre como Washington se vê no mundo atual e que papel atribui a todos os demais. Por razões óbvias, é um tema muito atual para as potências nucleares.”
Lavrov expressou a esperança de que os Estados Unidos considerem necessário participar da “conversa séria” que “em seu momento (janeiro de 2020) propôs o presidente Putin: realizar uma ‘cúpula dos cinco’ (membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU), iniciativa que há seis anos não prosperou e que alguns analistas chamaram de ‘nova Yalta’, em alusão à divisão do mundo feita em 1945, naquele balneário do Mar Negro, pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial”.
Ao refletir sobre os motivos apresentados por Washington e Tel Aviv para iniciar os ataques contra Teerã, o chefe da diplomacia russa afirmou: “Até o momento, não vimos provas de que o Irã tenha desenvolvido armas nucleares, precisamente o principal argumento — se não o único — para iniciar a guerra. O que existe é a confirmação tanto da Agência Internacional de Energia Atômica quanto de membros dos serviços de inteligência dos Estados Unidos de que o Irã não desenvolveu nem fabricou armas nucleares”.
A Rússia tem “muitas dúvidas” de que o motivo dos bombardeios seja o enriquecimento de urânio por parte do Irã, como declarou Steve Witkoff, a quem Lavrov chamou de “negociador estadunidense para tudo”. Ele acrescentou:
Isso ocorre, na avaliação de Lavrov, porque “os Estados Unidos não atacam países que possuem bombas atômicas”.
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