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Hazem Ashmawi: “Se você é da saúde, se acredita no direito à vida, não pode se calar. Apoiar os médicos palestinos é defender os direitos humanos mais básicos.” (Foto: Saeed Jaras / Instagram)

Ser profissional da saúde em Gaza é carregar um alvo nas costas, denuncia médico palestino-brasileiro

Segundo o Dr. Hazem Ashmawi, Israel visa “destruir qualquer possibilidade de sobrevivência” e sabe que os “médicos são a última linha de defesa da população civil” de Gaza

George Ricardo Guariento
Diálogos do Sul Global
Taboão da Serra

Tradução:

“Ser médico em Gaza é ter um alvo nas costas.” A frase do professor e anestesiologista palestino-brasileiro Hazem Adel Ashmawi, entrevistado no programa Dialogando com Paulo Cannabrava em 29 de julho, sintetiza a gravidade da perseguição sofrida por profissionais da saúde nos territórios palestinos ocupados. Filho de mãe palestina de Gaza, Hazem é professor da Unicamp e coordenador do Coletivo de Profissionais da Saúde pela Palestina Livre.

Ao comentar o sequestro do médico Hussam Abu Safia pelas forças israelenses, quando saía de um hospital infantil em Gaza, Hazem afirma que não se trata de um caso isolado: “A criminalização de médicos palestinos é uma prática sistemática.” Para ele, isso demonstra o caráter desumano do apartheid israelense: “Eles sabem que esses médicos são a última linha de defesa da população civil, então atacam exatamente aí”, explica.

Hazem denuncia ainda que “hospitais, ambulâncias e centros de saúde se tornaram alvos deliberados de bombardeios”, pois “o objetivo é destruir qualquer possibilidade de sobrevivência.” Nesse sentido, o silêncio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de instituições ocidentais ante essas violações é “cúmplice e vergonhoso”, segue o especialista. “Se fosse um médico israelense sequestrado pelo Hamas, a reação seria imediata e global”, observa.

Com sanções a Israel, Brasil endurece pressão global contra genocídio em Gaza

Ele também critica a postura do governo brasileiro. “O Brasil, como país com protagonismo internacional e presidente do G20, deveria liderar uma ação diplomática pelo fim do genocídio.” Para Hazem, é urgente que o Itamaraty pressione por investigações internacionais sobre os crimes contra profissionais da saúde.

A entrevista também abordou o papel da solidariedade internacional. “Temos colegas brasileiros, europeus e latino-americanos organizando campanhas e denunciando os abusos. Essa rede de apoio é vital para furar o bloqueio midiático e mostrar que médicos palestinos não estão sozinhos”, destaca.

Criança ferida é carregada após um ataque aéreo israelense atingir uma residência no bairro de Al-Nasr, no centro da Cidade de Gaza, em 9 de outubro de 2023. (Foto: Saeed Jaras)

Hazem finaliza com um apelo à mobilização: “Se você é da saúde, se acredita no direito à vida, não pode se calar. Apoiar os médicos palestinos é defender os direitos humanos mais básicos.”

A entrevista completa está disponível no canal TV Diálogos do Sul Global, no YouTube:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

George Ricardo Guariento Graduado em jornalismo com especialização em locução radiofônica e experiência na gestão de redes sociais para a revista Diálogos do Sul Global. Apresentador do Podcast Conexão Geek, apaixonado por contar histórias e conectar com o público através do mundo da cultura pop e tecnologia.

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