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Segundo Lavrov, Europa tenta "não interromper a guerra desencadeada pelo Ocidente contra a Rússia". (Foto: Aleksey Maishev, RIA Novosti)

Rússia: Europa se cala sobre Venezuela pois quer ajuda dos EUA na Ucrânia

Segundo chanceler Serguei Lavrov, praticamente o mundo todo, salvo europeus, entende agressões dos EUA contra a Venezuela como inaceitáveis

Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Tradução: Beatriz Cannabrava

Já na quarta-feira (17), a chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou: “Estamos muito preocupados com as ações da Marinha dos Estados Unidos e com as declarações, em geral beligerantes, do Pentágono, que, além de afundar ilegalmente embarcações civis no mar do Caribe, também apontam para uma operação terrestre” contra a Venezuela.

“Tudo isso, é claro, mina a esperança de alcançar um acordo no marco do atual equilíbrio de poder no âmbito internacional”, observou.

O chefe da diplomacia russa fez essas declarações em uma coletiva de imprensa ao término de suas conversas com seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, e acrescentou: “Para praticamente todos os países, salvo os europeus — que mantêm silêncio diante de qualquer comentário crítico em relação a Washington —, as ações empreendidas pelos Estados Unidos no Caribe são, evidentemente, inaceitáveis.”

Segundo ele, os europeus se comportam dessa forma “porque subordinam todo o seu pensamento ao objetivo principal de convencer a administração de Donald Trump a seguir a via europeia na questão ucraniana, para não interromper a guerra desencadeada pelo Ocidente contra a Rússia.”

Lavrov afirmou que os líderes europeus, aliados de Kiev, querem “convencer Donald Trump e sua administração a deixar de promover sua agenda construtiva destinada a resolver a crise ucraniana.”

Por sua vez, Aleksandr Schetinin, diretor-geral para a América Latina do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, expressou a esperança de que “os iniciadores da atual tensão que está sendo gestada em torno da Venezuela não cheguem ao extremo de permitir que a situação saia do controle”.

Ao discursar na capital russa, em uma cerimônia dedicada ao 195º aniversário lutuoso de Simón Bolívar, o diplomata destacou: “Confirmamos nossa solidariedade com o povo da Venezuela diante dos difíceis desafios que enfrenta. Reafirmamos nosso apoio à política do governo do presidente Nicolás Maduro, voltada à defesa dos interesses nacionais e da soberania de sua pátria”.

Kremlin: tensão é muito perigosa

O Kremlin, após exortar todos os países envolvidos a agir com cautela, na última quinta-feira (18) apontou a gravidade da atual ofensiva dos EUA contra a Venezuela.

“Observamos uma escalada de tensão na região e consideramos que isso é potencialmente muito perigoso. A Venezuela é nossa aliada e parceira”, comentou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, em sua coletiva de imprensa diária.

Ele recordou que o presidente Vladimir Putin, em uma recente ligação telefônica, expressou seu apoio ao homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, e destacou: “É claro que fazemos um apelo a todos os países da região para que ajam com cautela e evitem qualquer evolução imprevisível da situação.”

Também na quinta-feira (18), por sua vez, a chancelaria russa emitiu uma declaração oficial sobre a Venezuela, afirmando: “Constatamos que continua sendo exacerbada de forma constante e deliberada a tensão em torno da Venezuela, um país amigo da Rússia. Causa particular preocupação o caráter unilateral das decisões que ameaçam a navegação internacional.”

A Rússia confia que “a administração de Donald Trump, que se caracteriza por uma atitude razoável e pragmática, não cometa um erro fatídico e não entre em uma dinâmica que poderia gerar consequências imprevisíveis para todo o Hemisfério Ocidental”.

Moscou exortou a “evitar a estreiteza de visão ideológica, que reduz a compreensão do que está acontecendo”, e recordou as “palavras relevantes de Simón Bolívar, filho proeminente da América Latina, no sentido de que cada povo tem o direito de escolher seu governo e é dever das demais nações respeitar essa escolha.”

Também defendeu a normalização do diálogo entre Washington e Caracas. “Estamos convencidos de que é necessário aplicar medidas para reduzir a tensão e encontrar caminhos para solucionar os problemas e as divergências de maneira construtiva, respeitando as normas do direito internacional”, afirmou, defendendo ainda que a América Latina e o Caribe devem permanecer “como zonas de paz que garantam um desenvolvimento estável e independente dos países.”

O texto do Ministério das Relações Exteriores conclui reiterando a solidariedade do povo russo à nação venezuelana diante dos desafios que enfrenta, assim como reiterando o apoio à política do governo de Nicolás Maduro, que — destaca — “busca defender os interesses nacionais e a soberania de sua pátria.”

La Jornada, especial para Diálogos do Sul Global – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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