A mensagem ao mundo do chefe da cúpula estadunidense (Donald Trump) é apresentada em algumas frases recentes sobre sua eleição, o futebol, a maior ameaça ao seu país e seu grande sucesso em política externa (e explica, em parte, por que é quase impossível reportar tudo isso de maneira coerente).
“Ganhei três vezes, agora vou ganhar mais uma.” Diante do jantar de correspondentes, há alguns dias (pela Constituição, só é permitida uma reeleição, e está comprovado que ele não venceu sua primeira tentativa nesse sentido, em 2020).

“Você deveria escolher os Estados Unidos da América outra vez. Desta vez, deixaremos México e Canadá de fora.” Oferta generosa a Infantino ao término da Copa do Mundo.
“Eu entendo muito bem de esportes, realmente muito bem. Aquilo não foi falta, nem foi infração… E ele deu o cartão vermelho. Eu não sabia o que aquilo significava. Isso é muito injusto.” Ao reconhecer que pediu à Federação Internacional de Futebol (Fifa) que revertesse essa decisão, o que acabou acontecendo.
“Há um retorno da ameaça comunista em nossa terra, inclusive por parte dos recém-chegados ao nosso país, que abraçam ideias totalmente opostas ao nosso modo de vida e ao nosso grande sucesso… O comunismo é… a maior ameaça ao nosso país, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, Pearl Harbor ou até mesmo o 11 de Setembro…
Imprensa corporativa legitima loucura oficial dos EUA ao tratar delírios da Casa Branca como política
Você pode ser leal a Karl Marx ou pode ser leal aos Estados Unidos. Você pode ser comunista ou pode ser patriota. Não pode ser os dois… A América jamais será um país comunista.” Em um discurso por ocasião do 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos.
“Como vocês viram com os comunistas eleitos recentemente em Nova York — são comunistas, não social-democratas —, eles querem destruir completamente o modo de vida tradicional americano… O comunismo é fácil de promover… Acho que eu (poderia) ser o maior comunista da história… Todo mundo teria aluguel de graça… Todo mundo teria comida de graça, tudo seria de graça daqui para frente, todos votariam em mim…
É muito fácil vender isso, é o que está acontecendo agora mesmo em Nova York e na Califórnia… Mas vocês viverão na miséria, não haverá comida nem moradia, não haverá Forças Armadas, não haverá lei nem ordem. Não haverá nada. Vocês serão habitantes do terceiro mundo. E todos sofrerão ou morrerão… É isso que aconteceu durante milhares de anos.” Resposta sobre o sucesso de políticos socialistas democráticos, como Zohran Mamdani, em Nova York e outros.
“Somos o país mais forte e mais poderoso da Terra. Pela graça de Deus, os Estados Unidos da América são a nação mais bem-sucedida… a mais excepcional que já existiu na história da humanidade… Na América, não precisamos da permissão de ninguém para dizer o que pensamos, viver como quisermos, adorar como escolhermos e manter e portar armas… Falamos inglês porque é o idioma de nossa fundação e, há mil anos, é o idioma da liberdade.” Discurso de 3 de julho.
“Eu era dono do concurso Miss Universo. E as misses da Venezuela sempre eram muito boas nesse concurso. Então eu sei alguma coisa sobre aquele país”… “Nós os atingimos com tanta força e agora tiramos milhões de barris de petróleo. Tirando o terremoto, as pessoas estão felizes e dançando nas ruas.” O mandatário sobre a Venezuela.
Essas mensagens não incluíram outros de seus grandes feitos:
Ele aumentou sua fortuna pessoal em mais de US$ 2 bilhões desde que voltou à Casa Branca, assim como a de seus filhos e amigos. “Estamos testemunhando a maior avalanche de corrupção da história da humanidade nos últimos 18 meses… Trata-se de alguém que todos os dias se dedica à acumulação de riqueza e poder”, comentou Ty Cobb, que foi advogado de Trump durante seu primeiro mandato presidencial. Ao mesmo tempo, o corte de recursos para programas sociais que promoveu fez com que mais de um milhão de crianças pobres perdessem assistência alimentar.
Por enquanto, registram-se algumas respostas a essas mensagens:
“O amor pelo nosso país nunca foi tão forte”, afirmou o mandatário em um dos discursos do Dia da Independência. Mas uma pesquisa nacional da Gallup concluiu que o “orgulho estadunidense despencou para seu nível mais baixo” desde 2001. Mais de seis em cada dez estadunidenses desaprovam a gestão do presidente, enquanto apenas um terço a aprova, segundo várias pesquisas recentes.





