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Reprodução: wikipedia

Venezuela vira segundo fornecedor de petróleo dos EUA em meio à guerra contra o Irã

Dados da EIA apontam alta nas exportações venezuelanas aos EUA enquanto a guerra contra o Irã pressiona rotas energéticas e expõe os limites da política de sanções de Washington

Leonardo Buitrago
El Ciudadano

Tradução:

Tradução: Isabelle Paiva

Os Estados Unidos encerraram o ano de 2025 anunciando sanções contra quatro empresas “por operarem no setor petrolífero da Venezuela” e, após a agressão militar de 3 de janeiro, que incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro, Washington conseguiu obter da nação caribenha o petróleo necessário para se abastecer em meio à guerra que mantém contra o Irã.

As estatísticas da Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês) revelaram que, em meio ao conflito bélico na Ásia Ocidental, durante a semana encerrada em 1º de maio, a Venezuela continuou superando, pela terceira semana de abril, a Arábia Saudita como o segundo fornecedor de petróleo para os EUA.

File:Hugo Chávez salute.jpg - Wikimedia Commons
Hugo Rafael Chávez Frías (1954–2013) – Wikimedia

Após a morte do ex-presidente e líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, em 2013, e a eleição de Nicolás Maduro, o governo de Barack Obama impôs sanções à Venezuela. Posteriormente, após chegar ao poder em 2017, Donald Trump endureceu a agressão e também proibiu a compra de títulos emitidos por Caracas e pela petroleira estatal PDVSA. Em 2019, impôs um embargo petrolífero à nação caribenha e congelou seus ativos em território estadunidense com o objetivo de asfixiar a economia do país e forçar a saída do presidente Maduro. Em 2025, ao iniciar seu segundo mandato, o magnata republicano pôs fim às licenças petrolíferas, com exceção da Chevron, autorizada a operar sem entregar recursos ao governo venezuelano.

Após o sequestro de Maduro e a designação da vice-presidenta Delcy Rodríguez como mandatária interina, Washington e Caracas iniciaram uma nova etapa de relações políticas, diplomáticas e econômicas.

Nesse cenário, a Casa Branca confirmou que os Estados Unidos ficariam encarregados de comercializar formalmente o petróleo venezuelano que estava sob sanções. Segundo informou em meados de janeiro a porta-voz Karoline Leavitt, a medida implicou a liberação de milhões de barris que permaneciam “congelados” em navios e depósitos devido ao bloqueio imposto por Trump.

Ao mesmo tempo, ambas as nações estabeleceram um acordo mediante o qual o governo venezuelano concordou em entregar aos Estados Unidos até 50 milhões de barris de petróleo de “alta qualidade”, que seriam comercializados no mercado norte-americano.

Segundo o magnata republicano, as receitas dessas vendas, calculadas potencialmente em bilhões de dólares, seriam administradas sob sua supervisão para “garantir” que beneficiassem tanto a população venezuelana quanto a estadunidense. Da mesma forma, convocou empresas petrolíferas estadunidenses a participarem e investirem em projetos energéticos na Venezuela, cujas reservas provadas e certificadas de petróleo superam os 303 bilhões de barris.

Paralelamente, a Assembleia Nacional do país caribenho aprovou a reforma da Lei de Hidrocarbonetos, com o objetivo de impulsionar a abertura do setor petrolífero ao capital privado. O governo interno de Delcy Rodríguez classificou essa medida como um passo histórico rumo à reativação da indústria e à atração de investimentos estrangeiros.

Como demonstração dos avanços de sua estratégia econômica, a presidenta encarregada assinou o primeiro contrato de exportação de gás liquefeito de petróleo da história da Venezuela e anunciou acordos com os EUA para a comercialização de petróleo venezuelano no valor de 500 milhões de dólares, que permitirão a injeção de divisas em setores-chave.

Venezuela exporta para os EUA mais de 300 mil barris diários de petróleo bruto

As estatísticas da EIA revelam que as exportações da Venezuela para a nação norte-americana chegaram a 400 mil barris diários (bpd), o que representa um aumento de 29% em comparação com o período anterior.

Trump
O presidente Donald Trump – Flickr

De acordo com os cálculos elaborados a partir de números preliminares, a agência internacional assinalou que, durante as primeiras 17 semanas de 2026, a Venezuela já exportou aproximadamente 62% do total dos envios de 2025 para esse destino.

O organismo também destacou que a média móvel de quatro semanas, um indicador que reflete com maior clareza a tendência em um prazo mais longo, chegou em 1º de maio a 406 mil bpd, 5% acima da medição anterior e 201% superior ao mesmo período do ano passado, detalhou o portal Banca y Negocios.

“Nesse indicador, a Venezuela também aparece como segunda colocada no ranking de fornecedores estadunidenses, posição que manteve na última quinzena”, assinalou o meio digital.

Esse número é registrado em meio a um contexto que combina as dificuldades da Arábia Saudita para movimentar seus navios, devido à guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que desencadeou restrições à passagem de embarcações pelo estratégico estreito de Ormuz, uma via marítima controlada pela nação islâmica por onde circulam 20% do petróleo e do gás liquefeito de petróleo comercializados no mundo.

Durante a semana encerrada em 24 de abril, os envios sauditas aos EUA foram calculados em 174 mil bpd, seu menor número em 21 semanas.

Segundo a EIA, esse contexto permitiu que a Venezuela ficasse atrás apenas do Canadá, superasse a Arábia Saudita e ocupasse o segundo lugar no ranking dos principais fornecedores de petróleo bruto aos Estados Unidos, posição que ocupou em 38 das 830 semanas registradas pelas estatísticas da agência.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Leonardo Buitrago

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