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Toggle3 rotas, 1 alvo: peregrinação varre Venezuela para exigir fim das sanções dos EUA – 20/04
No último domingo (19), na Venezuela, começou uma multidinária mobilização que atravessará o país em marchas e caravanas até convergir em Caracas no próximo 1º de maio. A Grande Peregrinação Nacional por uma Venezuela sem Sanções e em Paz, como foi chamada, tem o objetivo de demonstrar que todos os setores estão unidos para pedir que os Estados Unidos levantem todas as sanções que mantêm sobre sua economia.
Os líderes chavistas, distribuídos nos três pontos de partida da mobilização, centraram seu discurso em colocar o levantamento total do bloqueio e das medidas coercitivas de Washington como condição última e única para a melhoria das condições econômicas e sociais.

A peregrinação percorrerá todo o território nacional por três rotas: a primeira é liderada por Delcy Rodríguez, presidenta encarregada, a segunda por Diosdado Cabello, ministro da Justiça, e a terceira por Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento.
“Falo aos povos dos Estados Unidos, da Europa e aos seus governos: já basta de sanções… Não é uma esmola, a Venezuela está reivindicando seus direitos. Essa é uma condição para que possamos nos desenvolver sem restrições”, expressou a presidenta encarregada durante uma concentração de trabalhadores petroleiros em Maracaibo. Ali também se reuniu com os setores políticos, econômicos e sociais, que fizeram seus próprios apelos pelo fim do bloqueio.
Por sua vez, Diosdado Cabello, desde Táchira, junto com produtores agropecuários, projetou um cenário de prosperidade econômica caso cessem as restrições internacionais. Algo semelhante fez Jorge Rodríguez no estado Amazonas: “Deixamos de lado o que nos divide para buscar o que nos une: o desejo de que a Venezuela expresse todo o seu potencial econômico.”
Em todas as mobilizações, os discursos incluíram expressões de repúdio aos gritos de “Fora a macaca!” entoados em referência a Delcy Rodríguez na véspera, em Madri, durante uma concentração realizada pela opositora María Corina Machado. Em um comunicado oficial, a Embaixada da Venezuela também condenou o episódio, classificando-o como um ato de racismo e misoginia.
100 dias à frente do governo
Na noite de domingo (19), Delcy Rodríguez dirigiu uma mensagem à nação na qual fez um balanço de seus primeiros 100 dias à frente do governo bolivariano. Destacou que o produto interno bruto cresceu 9%, que a petroleira estatal produz 1,1 milhão de barris de petróleo por dia e que espera que até o fim do mês alcance 1,2 milhão.
Manifestação em Caracas pede mediação dos EUA por aumento salarial e eleições – 16/04
Organizações sindicais e aposentados entregaram um documento no dia 16 de abril na embaixada dos Estados Unidos em Caracas, no qual solicitam a mediação do governo do presidente Donald Trump junto às autoridades venezuelanas para que executem um aumento geral de salários e pensões, assim como a convocação de “eleições livres”.
A convocação da manifestação anunciava uma marcha até a sede diplomática estadunidense, no entanto, isso não ocorreu. A direção da organização Coalizão Sindical Nacional, que reúne sindicatos de trabalhadores e aposentados do setor público, decidiu fazer uma concentração na praça Alfredo Sadel, localizada no exclusivo bairro de Las Mercedes, e depois enviar uma comissão até a embaixada, cuja sede fica perto do ponto de concentração, para protocolar um documento. O texto foi então recebido pelo pessoal de segurança, já que a equipe de Laura Dogu já não se encontra no local. Dogu anunciou um dia antes que sua missão na Venezuela havia terminado e que nos próximos dias chegaria John Barrett para substituí-la.
Carlos Salazar, porta-voz da Coalizão Sindical, havia dito que se dirigiriam ao governo dos Estados Unidos no entendimento de que este tem a capacidade de exercer pressão sobre o governo da presidente encarregada, Delcy Rodríguez, e também de que Washington mantém controle sobre os recursos produzidos pela venda de petróleo venezuelano.
Embora em um primeiro momento a convocação tenha sido apresentada como uma ação reivindicatória, na prática demonstrou ter matizes políticos. Além dos grupos sindicais, compareceram à concentração algumas organizações que se identificaram como familiares de políticos presos e outras pessoas que simplesmente se declaravam opositoras ao governo chavista.
Isso se refletiu na diversidade de palavras de ordem que se ouviram na manifestação. Enquanto alguns gritavam por “salários dignos”, outros pediam “eleições já”. Também se viram bandeiras da Venezuela junto a bandeiras dos Estados Unidos e cartazes que diziam frases como “SOS, presidente Trump: recebo menos de um dólar por mês”, ou “Senhor Trump: já tem o petróleo, agora cumpra com os venezuelanos: eleições já!”
Entre o salarial e o político
A Coalizão Sindical Nacional é a mesma organização que realizou uma marcha no último 9 de abril visando chegar até o Palácio de Miraflores, mas foi interceptada pela Polícia Nacional Bolivariana. Justamente um dia antes, Delcy Rodríguez anunciou em uma mensagem à nação que no próximo 1º de maio será realizado um “aumento responsável” do salário mínimo, embora não tenha detalhado valores.
A entidade não declarou ter uma filiação política clara, mas protagonizou as mobilizações opositoras mais destacadas na Venezuela desde 3 de janeiro, nas quais misturam demandas trabalhistas com palavras de ordem políticas. Nessa mesma linha, fizeram um chamado para uma nova manifestação em 30 de abril — um dia antes de ser anunciado o aumento salarial prometido pelo governo.
“Fazemos um chamado, desde hoje, a todos os trabalhadores, à cidadania, para que nos acompanhem neste 30 de abril rumo a Miraflores. Todos nas ruas acompanhando esta marcha porque vamos pedir salários e eleições livres e justas neste país para termos um governo com credibilidade e legitimidade”, disse José Patín, dirigente da Coalizão Sindical.
Acordo com PDSVA vai permitir à Chevron aumentar produção de petróleo na Venezuela – 13/04
No dia 13 de abril, a estatal de hidrocarbonetos Petróleos de Venezuela (Pdvsa) e a petrolífera estadunidense Chevron assinaram um acordo de troca de ativos entre uma licença de exploração marítima de gás por outra de exploração de petróleo pesado na Faixa do Orinoco.
O ato foi realizado no Palácio de Miraflores, na presença da presidenta encarregada Delcy Rodríguez e do subsecretário de hidrocarbonetos e energia geotérmica dos Estados Unidos, Kyle Haustveit. Rodríguez agradeceu à Chevron por ser exemplo de uma empresa “comprometida com a Venezuela que, nos piores momentos, nas piores dificuldades, não foi embora e hoje dá mostras claras de continuar avançando.”

Na prática, a Chevron devolve uma licença de exploração de gás no campo Loran, um jazimento marítimo compartilhado com Trinidad e Tobago. Em seu lugar, adquire uma licença de exploração de petróleo pesado no campo Ayacucho 8 da Faixa do Orinoco. Com isso, expande sua participação na empresa mista Petropiar, cujos campos são contíguos. Da mesma forma, a Chevron elevará sua participação para 49% na empresa conjunta PetroIndependencia.
O presidente da Chevron Venezuela, Javier La Rosa, disse que, com isso, somando as três empresas mistas que administram com a Venezuela, consolidam a maior produção de petróleo do país.
Disse, além disso, que a troca de ativos executada constitui “o primeiro passo nesta nova etapa” e que o segundo passo “virá com a implementação da nova Lei de Hidrocarbonetos”, a qual, assegurou, acelerará a produção de petróleo na Venezuela.
O campo Loran foi explorado pela Chevron há alguns anos e foi confirmado que continha mais de 7 trilhões de pés cúbicos de reservas de gás; no entanto, não chegou a ser desenvolvido. Trata-se da porção venezuelana de um jazimento compartilhado com Trinidad e Tobago chamado Loran-Manatee.
Segundo a Reuters, espera-se que o campo Loran seja adjudicado à Shell, cuja participação na Venezuela nos últimos anos tem estado concentrada em gás e que já administra a porção trinitária deste jazimento transfronteiriço. Também se espera para os próximos dias a visita de uma delegação de Trinidad e Tobago a Caracas para retomar relações e avançar nos negócios conjuntos de gás, o que criará um marco após anos de tensões entre o governo de Nicolás Maduro e o da primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar.
Rumo a uma Venezuela sem sanções
Delcy Rodríguez disse durante a assinatura do convênio que o governo venezuelano insiste na necessidade de que Washington retire completamente as sanções à Venezuela. Dirigiu-se à embaixadora estadunidense em Caracas, Laura Dogu, que estava presente no encontro, e assegurou que faz constantemente essa solicitação. “Sempre digo à embaixadora, devemos avançar rumo a uma Venezuela sem sanções, devemos fortalecer a segurança jurídica para os investidores.”
Em um ato anterior, também em 13 de abril, Rodríguez havia afirmado que, como resultado das sanções impostas ao país, a indústria venezuelana de hidrocarbonetos perdeu 642 bilhões de dólares.
General Padrino assume o Ministério da Agricultura
Ainda em 13 de abril, Rodríguez designou o general-chefe Vladimir Padrino López como novo ministro da Agricultura Produtiva e Terras. “A partir de agora, assume o compromisso de impulsionar a produção agrícola para garantir o abastecimento nacional e contribuir para o novo modelo econômico diversificado do país”, escreveu nas redes sociais.
Até três semanas atrás, Padrino foi ministro da defesa da Venezuela. Permaneceu nesse cargo por pouco menos de 12 anos, abrangendo quase a totalidade do governo de Nicolás Maduro e sendo o ministro que acumulou mais anos em exercício na história recente do país.
No dia 18 de março passado, dois meses e meio após a agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos, Rodríguez destituiu Padrino López e o substituiu pelo general Gustavo González, que vinha desempenhando o cargo de chefe da guarda presidencial desde que a presidenta encarregada assumiu o posto. Nesse mesmo momento, foi renovado todo o alto comando militar venezuelano.
Excluída de sanções dos EUA, Rodríguez afirma: “Passo rumo à normalização” – 01/04
A presidenta interina Delcy Rodríguez reagiu à retirada de seu nome da lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), dos Estados Unidos, avaliando a medida como “um passo na direção da normalização e do fortalecimento das relações” entre os dois países.
Rodríguez publicou uma mensagem nas redes sociais minutos após o Departamento do Tesouro tornar pública a decisão de excluí-la do amplo grupo de autoridades venezuelanas sancionadas desde o primeiro governo de Donald Trump.
Na mesma mensagem, a sucessora de Nicolás Maduro expressou confiança de que isso represente um avanço rumo ao “levantamento das sanções vigentes” sobre a Venezuela, “permitindo construir e garantir uma agenda de cooperação binacional efetiva em benefício” dos povos.

Os Estados Unidos aplicam, desde 2015, um regime de sanções contra a Venezuela com a intenção de pressionar o governo do então presidente Nicolás Maduro. As medidas coercitivas, tanto contra indivíduos quanto contra instituições, empresas e entes estatais, foram significativamente ampliadas em 2019. Naquele momento, a Ofac impôs um bloqueio agressivo à estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), proibindo empresas estadunidenses e estrangeiras de comprar petróleo venezuelano.
Após a agressão militar dos EUA em 3 de janeiro, que resultou em 100 mortos e no sequestro do presidente Nicolás Maduro, levado a Nova York, Washington e Caracas passaram a estabelecer uma relação centrada nos recursos naturais da Venezuela, por meio de um esquema de licenças sobre as sanções impostas à PDVSA que, segundo o próprio presidente Donald Trump e sua equipe, garantem o controle estadunidense sobre a comercialização do petróleo venezuelano.
Governo prepara tomada da Citgo
O governo venezuelano está se preparando para assumir o controle dos conselhos de administração das subsidiárias estadunidenses da PDVSA, incluindo a refinaria e comercializadora de combustíveis Citgo Petroleum, segundo fontes citadas pela agência Reuters.
De acordo com a reportagem, a presidente interina Delcy Rodríguez ainda não concluiu sua lista de membros do conselho para que o Departamento do Tesouro conceda a autorização individual, após alguns dos nomes sugeridos não terem sido bem recebidos nos Estados Unidos.
No fim de março, uma delegação do governo venezuelano desembarcou em Washington com a missão de reabrir a embaixada, após sete anos de ruptura das relações diplomáticas entre as administrações de Nicolás Maduro e Donald Trump.
Em 17 de março, a Reuters informou que Delcy Rodríguez havia decidido ratificar Asdrúbal Chávez, primo do falecido presidente Hugo Chávez, como presidente da Citgo, embora até o momento não haja confirmação oficial dessa decisão. Chávez foi nomeado por Maduro para o cargo em 2018, mas nunca assumiu a função porque Washington lhe negou o visto necessário para viajar aos Estados Unidos.
Venezuela e EUA fecham acordo sobre minerais críticos – 04/03
A presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, recebeu no dia 3 de março, no Palácio de Miraflores, o secretário do Interior dos Estados Unidos, Douglas Burgum, com quem conversou sobre projetos conjuntos nas áreas de petróleo e mineração.
Rodríguez explicou que o encontro abordou uma agenda voltada à mineração, tanto de minerais metálicos quanto não metálicos, estratégicos e não estratégicos. Além disso, adiantou que no dia 5 de março também será revisada a agenda energética, já iniciada em fevereiro passado com o secretário de Energia, Christopher Wright.
Ela comentou ainda que o governo apresentará nos próximos dias ao Parlamento venezuelano uma ampliação da Lei de Minas, que incluirá “os modelos bem-sucedidos da Lei de Hidrocarbonetos”. Rodríguez pediu antecipadamente aos deputados colaboração para dar celeridade à aprovação do instrumento legal e, assim, “apresentar oportunidades de investimento e desenvolvimento na área da mineração”.
Por sua vez, Burgum afirmou que as oportunidades de colaboração e sinergia entre ambos os governos “não têm limites” e que o que isso pode significar para os dois povos é “realmente assombroso”.
Ele destacou que a Venezuela não é apenas “extremamente rica em petróleo e gás, mas também em minerais críticos” e que, com uma longa história de colaboração entre a produção venezuelana e investimentos estadunidenses, “as oportunidades são maiores do que nunca”. Também assegurou que os presidentes Donald Trump e Delcy Rodríguez eliminarão “trâmites burocráticos para que o investimento de capital flua”.
Burgum acrescentou que, nesta visita, está acompanhado por “duas dezenas de empresas dos Estados Unidos, entre as maiores e mais importantes do mundo nos setores de minerais e mineração”.
“Muitas delas já trabalharam anteriormente na Venezuela, representam milhões de dólares em investimento e milhares de empregos bem remunerados e estão ansiosas para começar”, afirmou.
Nesse sentido, Rodríguez acrescentou que, ao conversar com os empresários privados estadunidenses, trocaram informações sobre fluxos de investimento para a Venezuela, bem como sobre a incorporação de novas tecnologias para desenvolver a indústria.
Os minerais críticos constituem um conjunto de materiais — como lítio, níquel, cobalto e terras raras — considerados estratégicos por seu alto valor econômico em diversas indústrias, particularmente na tecnológica, além de sua escassez diante de uma demanda crescente.
Troca de mensagens
Enquanto ocorria a visita de Douglas Burgum a Miraflores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede Truth Social uma mensagem elogiando a presidenta encarregada da Venezuela.
“Delcy Rodríguez, que é a presidenta da Venezuela, está fazendo um excelente trabalho e colaborando muito bem com os representantes estadunidenses. O petróleo está começando a fluir e o profissionalismo e a dedicação entre ambos os países são algo muito gratificante de ver”, escreveu o chefe da Casa Branca.
Minutos depois, Rodríguez respondeu ao gesto de Trump nas redes sociais:
“Agradeço ao presidente Donald Trump a disposição de seu governo para trabalhar conjuntamente em uma agenda que fortaleça a cooperação binacional em benefício dos povos dos Estados Unidos e da Venezuela.”
Delcy Rodríguez nomeia vice-chanceler – 23/02
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou no dia 23 de fevereiro um reordenamento dos vice-ministérios que compõem a chancelaria venezuelana, incluindo a nomeação de Oliver Blanco, militante da oposição, como vice-chanceler para Europa e América do Norte, o que o credencia para coordenar as relações com os Estados Unidos.
Em redes sociais, Rodríguez descreveu Oliver Blanco como um “jovem venezuelano das relações internacionais que teve militância partidária opositora e mantém um firme compromisso com o país”. Acrescentou que “a Venezuela se beneficiará de seu compromisso e profissionalismo”.
Blanco é internacionalista e é conhecido por ter militado na juventude da Ação Democrática (AD), uma das principais formações políticas do antichavismo. Em 2016, atuou como chefe de comunicações da Assembleia Nacional quando esta esteve sob o comando de Henry Ramos Allup, dirigente da AD que, ao assumir a presidência do Parlamento, prometeu retirar Nicolás Maduro do poder “em seis meses”.
Essa declaração incendiou o cenário político venezuelano da época e desencadeou uma série de acontecimentos que levaram às “guarimbas” (protestos violentos antichavistas) de 2017, que deixaram mais de 140 mortos e culminaram na criação da Assembleia Nacional Constituinte, que na prática substituiu em funções a Assembleia Nacional de maioria opositora.
Diante da surpresa gerada pela inusitada nomeação, Oliver Blanco publicou um comunicado nas redes sociais afirmando que sua designação “expressa a possibilidade de abrir espaços para distintas visões a serviço do país” e que é guiado pela “convicção de que a Venezuela pode superar a confrontação e reencontrar-se na construção de um futuro melhor”.
O jornalista Mauricio Rodríguez assumirá como vice-chanceler para a América Latina, em substituição ao já nomeado Rander Peña, que passa a ocupar o cargo de vice-ministro de Comunicação Internacional, em substituição a Camilla Fabri. Andrea Corao deixa o despacho de Europa e América do Norte para atuar agora como vice-ministra para Ásia, Oriente Médio e Oceania.
Venezuela pede na ONU libertação de Maduro
Durante o 61º Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, Suíça, o chanceler Yván Gil pediu “a libertação imediata, por parte do governo dos Estados Unidos, do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores”.
Ele explicou que a posição da Venezuela em relação aos Estados Unidos é que, no último 3 de janeiro, a soberania do país foi gravemente violada por um ataque militar injustificado e ilegal que resultou na perda de mais de 100 vidas e no sequestro do mandatário.
“Apesar dessa agressão, o governo bolivariano decidiu abrir canais de diálogo e cooperação bilateral com o governo dos Estados Unidos, mantendo uma postura firme na defesa de sua soberania, igualdade e respeito”, afirmou, acrescentando que essa abordagem busca resolver diferenças e “prevenir futuras agressões unilaterais”.
O chanceler venezuelano também exigiu o fim de todas as medidas coercitivas unilaterais, ressaltando que “não apenas são contrárias ao direito internacional, como também têm violado direitos humanos econômicos, sociais e culturais de milhões de venezuelanos e venezuelanas”.
Visita a campo petrolífero – 12/02
A presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, e o secretário de Energia dos Estados Unidos, Christopher Wright, visitaram no dia 12 de fevereiro o campo petrolífero e as instalações de produção da empresa Petroindependencia, empresa mista entre a Petróleos de Venezuela (Pdvsa) e a Chevron, na qual a companhia estadunidense possui 34% de participação.
Wright adiantou que serão investidos 100 milhões de dólares para atualizar os equipamentos e aumentar a produção dessa empresa localizada no estado oriental de Monagas. Além disso, assegurou que a Chevron pode elevar sua produção de petróleo para até 300 mil barris diários no curto prazo.
A Petroindependencia está localizada na Faixa Petrolífera do Orinoco, uma área que abrange 55.314 quilômetros quadrados e se estende ao sul dos estados de Guárico, Anzoátegui, Monagas e Delta Amacuro, ao longo das margens do rio Orinoco, o mais extenso do país. Essa região concentra 87% das reservas venezuelanas, o que a torna “a maior reserva de petróleo do mundo”, segundo a Pdvsa.
A Chevron, única empresa estadunidense que atualmente opera na Venezuela, produz hoje cerca de 200 mil barris de petróleo venezuelano por dia, o equivalente a um quinto da produção total do país. Wright afirmou que a Chevron poderia duplicar sua produção em 12 ou 18 meses e até quintuplicá-la em cinco anos.
Acrescentou que as vendas de petróleo venezuelano controladas pelos Estados Unidos já totalizaram mais de 1 bilhão de dólares até o momento e que, nos próximos meses, deverão gerar outros 5 bilhões.
A presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, afirmou que se sente “muito contente de que o caminho com os Estados Unidos seja uma agenda de respeito, uma agenda de cooperação no marco de nossa soberania”, e que a agenda energética possa avançar “dentro do marco das leis internacionais e das leis da Venezuela”.
Wright chegou no dia 11 de fevereiro a Caracas para desenvolver uma agenda de trabalho com o governo venezuelano centrada nos interesses petrolíferos dos Estados Unidos no país. Delcy Rodríguez assegurou, após receber o funcionário da Casa Branca no Palácio de Miraflores, que ambos os países caminham para estabelecer uma “relação produtiva de longo prazo”.
Aprovação da Lei de Anistia é adiada
A Assembleia Nacional iniciou no dia 12 de fevereiro a segunda discussão da Lei de Anistia pela Convivência Democrática, cujo principal objetivo é libertar centenas de pessoas com processos judiciais relacionados a episódios de violência política ocorridos nos últimos 27 anos.
No entanto, apenas os seis primeiros artigos da lei foram aprovados, e a comissão responsável pelo projeto solicitou o adiamento da discussão até o dia 17 de fevereiro, a fim de ampliar o debate sobre pontos centrais nos quais ainda não havia consenso entre setores do chavismo e da oposição. Em particular, o impasse ocorreu em relação à redação do artigo 7º, que vincula o benefício da anistia para pessoas foragidas à sua apresentação perante a Justiça.
Delcy Rodríguez: “Não recebemos ordens” – 26/01
A presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, dirigiu-se no dia 26 de janeiro ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para afirmar que obedece apenas ao povo da Venezuela e que este “não recebe ordens de nenhum fator externo”. Bessent havia declarado mais cedo naquele mesmo dia que a liderança venezuelana deveria ver as imagens do presidente Nicolás Maduro sendo sequestrado em 3 de janeiro para entender que deveria “seguir as ordens dos Estados Unidos”.
Durante uma reunião com empresários petrolíferos nacionais e estrangeiros, no contexto da consulta pública sobre a reforma da Lei de Hidrocarbonetos, Rodríguez pediu permissão aos presentes para responder ao que qualificou como uma provocação e declarações “pouco pertinentes e ofensivas” por parte do alto funcionário da Casa Branca.
“O povo da Venezuela não aceita ordens de nenhum fator externo. O povo da Venezuela tem governo, e este governo obedece ao povo; não temos outro fator externo a quem obedecer”, afirmou a presidenta encarregada.
Ela também assegurou que o governo que lidera não teme nenhum poder estrangeiro e que tem plena consciência das ameaças pessoais que recebe desde o próprio 3 de janeiro, assumindo-as quando, no dia 5, tomou posse como presidenta encarregada diante do sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Da mesma forma, afirmou que tampouco teme manter relações de respeito com os Estados Unidos, “mas devem ser relações baseadas no respeito — respeito à legalidade internacional, ao mínimo respeito humano nas relações interpessoais e à dignidade e à história da Venezuela”.
Maior investimento privado
A presidenta encarregada adiantou alguns dados sobre as expectativas de investimento estrangeiro privado. Disse prever um aumento de 55% nos investimentos no setor de hidrocarbonetos em 2026.
“No ano passado o investimento foi de quase 900 milhões de dólares, e para este ano foi firmado e projetado um investimento de 1,4 bilhão de dólares”, precisou.
A reforma debatida na Assembleia Nacional busca reimpulsionar a indústria petrolífera e atrair investimentos para aumentar a produção. Próxima de sua aprovação definitiva, a proposta pretende fortalecer a figura dos Contratos de Participação Petrolífera, que permitirão a empresas nacionais e estrangeiras associarem-se ao Estado e executar operações de exploração e extração com maior flexibilidade, sob um esquema previsto na Lei Antibloqueio, legislação especial criada para enfrentar as sanções impostas pelos Estados Unidos.
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