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Vítimas da violência no México e nos EUA se unem contra armamentismo estadunidense

Segundo aponta o deputado democrata Jesús Chuy García, descontrole sobre armas cria um rio de ferro que gera muita violência no México e outros países da América Latina
Nova York

Tradução:

Na última quinta-feira (13), vítimas e ativistas contra a violência armada do México e dos Estados Unidos, incluindo uma das mães dos 43 estudantes desaparecidos de Ayotzinapa e a mãe de uma jovem assassinada em Uvalde, Texas, se apresentaram junto com legisladores democratas e organizações sociais para lançar uma nova “Agenda binacional pela Paz e Justiça”.

O deputado federal Jesús Chuy García, de Chicago, denunciou, em entrevista coletiva com os integrantes da nova rede, que “o que estão criando os fabricantes e traficantes de armas é um rio de ferro que gera muita violência no México e em países da América Central. Ele acrescentou que, neste país, como pai, amigo e vizinho durante 50 anos em Chicago, conheceu muitas pessoas feridas ou assassinadas pela violência armada”.

Para o deputado García, o problema é transfronteiriço. “Muita gente em meu distrito tem família no México e estão preocupados com a segurança de seus entes queridos”, apontando que a violência dos cartéis continua aumentando. Essa violência, destacou, é alimentada por armas que vêm dos Estados Unidos. Indicou que as causas principais desse tipo de violência tanto no México quanto nos Estados Unidos são o enfoque principal dessa nova rede binacional.

Em entrevista coletiva em frente ao Capitólio em Washington, García deu a palavra a Cristina Bautista, mãe de Benjamín Ascencio Bautista, um dos 43 estudantes desaparecidos da escola normal de Ayotzinapa em 2014. Ela resumiu diante da mídia e dos legisladores a já bem conhecida história dos fatos na desaparição dos estudantes, com evidências de que foi “um crime de Estado” e o que qualificou como o fracasso do governo em chegar ao fundo do caso. “Como mães e pais, não podemos esquecer nossos filhos, exigimos a apresentação com vida”, declarou.

“Hoje nos encontramos aqui para que o governo dos Estados Unidos saiba, porque os Estados Unidos vendem as armas e essas armas foram utilizadas em 26 de setembro de 2014”, afirmou. Acrescentou: “não somos os únicos, há milhares e milhares de famílias que buscam entes queridos, alguns aqui nos Estados Unidos. Nossa dor é nossa raiva”.

Entre os reunidos em 11 de junho estava Kimberly Rubio, mãe de Lexi, que tinha 10 anos de idade quando foi assassinada junto com outros 20 estudantes em Uvalde, Texas, em 24 de maio de 2022. “Um jovem de 18 anos armado com uma arma de fogo comprada legalmente entrou em uma escola e começou a matar estudantes. Demorou 77 minutos para que 276 policiais confrontassem um único adolescente armado. Temiam a arma, é a arma”.

Po Murray, uma das porta-vozes da Newtown Actions Alliance, organização formada depois que 26 crianças e seis professores foram assassinados em dezembro de 2012 na escola primária de Sandy Hook em Newtown, Connecticut, acusou diretamente os fabricantes das armas usadas lá e em tantos outros assassinatos múltiplos. “Armas de guerra, os rifles AR-15 em particular, são as armas mais desejadas pelos assassinos múltiplos, aqueles que disparam nas escolas, e pelos cartéis de droga”, declarou. “Desde a tragédia de Sandy Hook, outros 13,7 milhões de AR-15 foram fabricados. A indústria de armas ganhou 11 bilhões de dólares”. Concluiu que “a indústria de armas e o lobby das armas estão matando nossos filhos nos Estados Unidos e além de nossas fronteiras. Isso pode cessar se os legisladores decidirem optar pelas vidas em vez dos lucros das armas”.

Murray viajou ao México com a organização Global Exchange – que está organizando essa rede binacional – para se reunir com outras famílias vítimas da violência das armas. Instou a apoiar projetos de lei no Congresso, incluindo o Stop Arming Cartels Act e o chamado Acta ARMAS, que buscam impor maiores controles à venda desses artefatos. “As armas agora são a maior causa de morte de nossos filhos nos Estados Unidos e agora é a causa número um de mortes de menores de idade no México. Os fabricantes de armas estadunidenses têm as mãos ensanguentadas”.

“Esta é a primeira vez que vítimas de Uvalde, Sandy Hook, Ayotzinapa e outras vítimas de assassinatos em massa se reúnem em Washington para chamar à ação legislativa com o propósito de pôr fim à violência armada de ambos os lados da fronteira”, declarou Marco Castillo, codiretor executivo da Global Exchange.

Em outra parte do Capitólio, em 12 de junho, foi realizada uma audiência perante o comitê de Assuntos Exteriores da câmara baixa, onde, entre outras coisas, foi abordado o tema do tráfico de armas. O deputado democrata de maior escalão no comitê (os republicanos têm a maioria na câmara), Joaquín Castro, perguntou ao secretário assistente de Estado Todd Robinson, encarregado de assuntos de narcóticos e aplicação da lei, sobre a origem das armas empregadas pelos cartéis no México, América Central e Caribe, ao que confirmou que “a maioria das armas de fogo empregadas por criminosos na região provêm dos Estados Unidos”.

Castro sublinhou que a pergunta é importante porque seus colegas frequentemente se limitam a falar dos perigos reais dos cartéis, mas não abordam o fato de que “eles são armados com dispositivos estadunidenses” e que é necessário fazer mais para frear o tráfico ilegal de armas para mãos criminosas.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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