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Foto: UNRWA / X

Wisam Zoghbour: Passam de 160 os ataques de Israel contra casas e escritórios de jornalistas palestinos

Zoghbour fez denúncia nesta quinta-feira (20), durante participação virtual no relançamento do livro “Genocídio Isola Israel: Desafio é Criar o Estado da Palestina”
Guilherme Ribeiro
Diálogos do Sul Global
Bauru (SP)

Tradução:

“As forças de ocupação destruíram cerca de 88 instituições e escritórios de mídia, e 80 casas pertencentes a jornalistas”, denunciou o jornalista palestino Wisam Zoghbour nesta quinta-feira (30). 

Zoghbour fez a denúncia durante sua participação virtual no relançamento do livro “Genocídio Isola Israel: Desafio é Criar o Estado da Palestina”, de Nathaniel Braia e Nilson Araújo de Souza. O evento aconteceu no Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP) e contou com a presença de lideranças políticas e comunicadores da causa palestina.

Segundo o membro do Secretariado-Geral do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, os ataques de Israel contra alvos da mídia mataram cerca de 30 familiares de jornalistas:

“Os jornalistas palestinos trabalham em condições extremamente difíceis e complexas, onde as forças de ocupação os coloca na mira para assassinato, prisão e destruição de suas instituições”.

Zoghbour lembrou que a ofensiva contra os jornalistas viola a Resolução 2222 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê proteção internacional para jornalistas em zonas de conflito, mas destacou que, apesar dos desafios, esses profissionais “continuam seu trabalho e missão jornalística com profissionalismo, expondo os crimes da ocupação ao mundo”.

Confira o discurso na íntegra e, a seguir, a transmissão completa do relançamento do livro “Genocídio Isola Israel: Desafio é Criar o Estado da Palestina”:

Em primeiro lugar, expressamos no Sindicato dos Jornalistas Palestinos nosso agradecimento e apreço aos organizadores deste evento, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, representado pelo seu presidente Tiago Tange, e o Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo, representado pelo seu presidente Nilson Araújo de Souza, por nos convidarem a participar desta celebração. 

Agradecemos também a todos os participantes deste evento, em especial ao embaixador do Estado da Palestina no Brasil, Ibrahim Al-Zeben, Eduardo Viné, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas, Claude Hajjar, da Federação das Entidades Árabe-Americanas, Emir Mourad, da Confederação Palestina para a América Latina e Caribe, Ualid Rabah, da Federação Árabe Palestina, Amyra El-Khalili, do Movimento de Mulheres pela Paz na Palestina, ao professor Claudio Fonseca, do Sindicato dos Profissionais de Educação do Ensino Municipal de São Paulo, aos autores do livro “Genocídio Isola Israel: O Desafio é Criar um Estado Palestino” e a todos os jornalistas, escritores e líderes presentes.

Eu, jornalista Wisam Zoghbour, membro do secretariado-geral do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, da valente Faixa de Gaza, falo em nome do Sindicato dos Jornalistas Palestinos e em nome do Sr. Nasser Abu Bakr, presidente do Sindicato, que representa todos os jornalistas palestinos, especialmente na Faixa de Gaza, que aqui enfrentam uma guerra de extermínio pelas forças de ocupação.

É uma grande honra falar em nome do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, que representa jornalistas palestinos em todos os lugares, especialmente os jornalistas na amada Gaza, testemunhas dos mais hediondos crimes que a mídia já presenciou na história, resultando na morte de mais de 140 jornalistas e trabalhadores da mídia. É uma honra para nós participar desta celebração de relançamento do livro “Genocídio Isola Israel: O Desafio é Criar um Estado Palestino”, dos autores Nathiel Braia e professor Nilson Araújo de Souza, que destaca a natureza do regime racista e apoia a luta do povo palestino por sua libertação e direito à autodeterminação.

Participo, hoje, deste grande evento, enquanto nos despedimos de mais um mártir do jornalismo palestino. 140 jornalistas foram mortos pelas forças de ocupação, a sangue-frio, e dezenas de jornalistas ficaram feridos, mas suas feridas não os impediram de continuar seu trabalho. Enquanto isso, as forças de ocupação continuam a política de desaparecimento forçado de dezenas de jornalistas e impedem a divulgação das circunstâncias de suas prisões. As forças de ocupação destruíram cerca de 88 instituições e escritórios de mídia, e 80 casas pertencentes a jornalistas, resultando na morte de cerca de 30 familiares de jornalistas. Continuam a privar os jornalistas palestinos de equipamentos de segurança, como coletes à prova de balas e capacetes, e impedem a entrada de jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza.

Os jornalistas palestinos trabalham em condições extremamente difíceis e complexas, onde as forças de ocupação os coloca na mira para assassinato, prisão e destruição de suas instituições, escritórios e casas, em clara violação da Resolução 2222 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê proteção internacional para jornalistas em zonas de conflito.

A Ocupação não se contenta com isso e continua a cortar a eletricidade, interferir nas comunicações e na internet, impedir a entrada de combustível, e destruir instituições e escritórios de mídia e equipamentos dos jornalistas na Faixa de Gaza desde o dia 7 de outubro passado, afetando negativamente o trabalho dos jornalistas e sua capacidade de documentar e expor crimes de genocídio. Isso obrigou os jornalistas a trabalharem em hospitais, centros e acampamentos de acolhimento.

Esses crimes e medidas israelenses contra jornalistas palestinos e agências estrangeiras que operam na Faixa de Gaza visam intimidá-los, silenciá-los e impedi-los de continuar seu papel profissional e humanitário de documentar e expor crimes de genocídio contra o povo palestino e transmitir seu sofrimento e narrativa ao mundo. 

Consideramos, no Sindicato dos Jornalistas Palestinos, que o Prêmio “Liberdade de Expressão” da UNESCO, concedido este ano aos jornalistas palestinos na Faixa de Gaza, é um merecido reconhecimento e homenagem aos jornalistas palestinos em Gaza, que continuam seu trabalho e missão jornalística com profissionalismo, expondo os crimes da ocupação ao mundo, apesar dos grandes sacrifícios que fizeram e continuam a fazer desde o início da guerra em Gaza em outubro passado.

Este prêmio é um reconhecimento ao profissionalismo e sacrifício dos jornalistas palestinos e uma condenação à ocupação pelos crimes de genocídio contra o povo palestino em geral e os jornalistas em particular. É também um tributo aos espíritos dos mártires e feridos da imprensa. 

O Sindicato dos Jornalistas Palestinos continuará apoiando os jornalistas com todos os recursos disponíveis, documentando os crimes contra eles e acompanhando-os no Tribunal Penal Internacional até que os criminosos de guerra sejam responsabilizados e obrigados a respeitar o direito internacional e a Carta dos Direitos Humanos, proporcionando proteção internacional para os jornalistas.

De Gaza valente, do povo palestino em geral e dos jornalistas palestinos em particular, envio uma mensagem de amor e apreço ao povo brasileiro em geral e aos jornalistas brasileiros em particular, por sua participação conosco neste evento, que é em prol do Estado da Palestina, seu povo e seus jornalistas. Esperamos o seu apoio e solidariedade para transmitir nosso sofrimento e expor os crimes de guerra de genocídio que continuam sendo cometidos contra o povo palestino em geral e os jornalistas palestinos em particular, e para perseguir os criminosos de guerra, para que sejam punidos por seus crimes.

Jornalista Wisam Zoghbour, membro do Secretariado-Geral do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, da Faixa de Gaza, 20 de junho de 2024.

Edição de texto: Alexandre Rocha

Transmissão do relançamento do livro “Genocídio Isola Israel: Desafio é Criar o Estado da Palestina”:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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