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A crise na Itália é ideológica e ética

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

A população protesta, porém o poder da máfia se expande
A população protesta, porém o poder da máfia se expande

Gabriela Motta*

A corrupção na Itália é consequência de uma crise ideológica e de valores éticos. Não há confiança das pessoas nos políticos por que se sabe que quando assumem o poder começam a roubar fundos do Estado, contribuições da cidadania.

Um cidadão dizia: faz parte do DNA desses ladrões chamados políticos, seja de direita, de esquerda e de centro direito. Queremos ver com clareza que é o que fazem com nossas contribuições e por essa razão se exige que se realizem as investigações pertinentes pela Procuradoria do Estado, aos conselheiros das regiões, das províncias e entidades comunais.
Em 9 de agosto o Tribunal de Apelação de Milão confirmou a condenação a quatro anos de cárcere imposta a Berlusconi pelo caso Mediaset. El Cavallieri foi acusado de desviar 7.300 milhões de euros entre 2002 e 2003, com faturas falsas para venda de direitos de televisão para exibição de filmes. Também foram condenados a prisão Daniele Lorenzanbo e Gabriella Galleto, altos executivos de Mediaset e o produtor estadunidense Frank Agrama, sócio oculto que aumentou artificialmente os valores das faturas.
Já transcorreram mais de 100 dias da posse do atual governo de emergência da coalizão entre o primeiro ministro Letta (PD) e o partido PDL de Berlusconi. O PSL quer a queda antecipada do atual governo por causa do IMU (imposto pela primeira casa). Segundo estudos, a queda antecipada do atual governo custaria a cada família italiana 388 euros e sobretudo danos à situação econômica e social do país bem como riscos para a Eurozona.
O governo Letta foi formado depois de uma desastrosa tratativa para formar o governo por que o PD não obteve suficientes votos no Senado, só na Câmara de Deputados. Isso por uma lei eleitoral feita pela anterior governo de Berlusconi, o chamado “porcellum”. Nem o Movimento 5 Estrelas, nem o SEL (de esquerda) quiseram tomar parte do atual governo o que não deixou alternativa ao PD que a de formar o governo com Berlusconi. Uma grande confusão à italiana. Como se pode deduzir Itália se encontra num abismo aos caprichos do senhor Berlusconi que já foi condenado pelo Tribunal por ter roubado o fisco através da Mediaset TV. Na realidade um grande caos.
Na atualidade essa corrupção parece um problema antropológico absurdo como é o caso recente de peculato, de subtração de fundos pelo PDL (partido de Berlusconi) na região do Lazio, que tem como capital Roma, por parte do chefe do partido e chefe da Comissão de Balanços, Franco Fiorito (atualmente preso). Sequestraram 1,3 milhões de euros, uma mansão em Circeo, bairro de Roma e três automóveis (que comprou com fundos do PDL do Lazio), sete contas correntes em bancos na Itália e quatro no estrangeiro. Franco Fiorito declarou que esse dinheiro lhe correspondia por que estava dedicado à atividade política. Segundo a Procuradoria de Roma o ex chefe do grupo subtraiu recursos que foram para as contas de Fiorito além de investimentos imobiliários.
O governo Monti formou o conselho comunal de Reggio Calabria (Junta do PDL, prefeito Demetrio Arena) em associação com delinquentes da andragheta (máfia da Calábria). É a primeira vez na história da Itália que uma municipalidade capital de Província se vê sob intervenção. Tudo teve início em dezembro de 2010, com uma investigação sobre Orsola Fallara, dirigente do Bureaux de Finança, suicidando-se depois de ser surpreendido pilhando 700 mil euros. O ministro do Interior, Anna Maria Cancellieri declarou que foi uma decisão sofrida mas necessária para que Reggio Calabria possa encontrar serenidade e acrescentou que o governo estará a seu lado para resolver a grave situação financeira da municipalidade.
Outro caso emblemático é do assessor Domenico Zambetti, da região da Lombardia, que teria recebido 11.500 votos nas eleições de 2010 ao ser eleito como assessor depois de um acordo com a andragheta. Ele teria pago à máfia calabresa 200 mil euros. A denúncia do promotor é que Zambetti teria comprado votos da andragheta, especificamente quatro mil votos que foram determinantes para sua eleição na Lombardia. Este caso pode ser considerado como o de maior infiltração da andragheta na política do Norte de Itália. A “cosca calabrese” lhe deu o voto a troco de vantagens económicas ilícitas, os contratos e sobretudo em relação à EXPO de 2015 que será realizada em Milano.
O partido de Berlusconi (PDL) está se desintegrando pela corrupção e seu representante máximo declarou que não se apresentará para novas eleições. Uma novidade é o Movimento de Grillo (famoso cômico italiano) que começou a denunciar a atividade medíocre do governo de Berlusconi e em menos de um ano conseguiu 12% das preferências. É um movimento que tem criticado a corrupção de políticos e também do atual governo que está aumentando os impostos, ampliou o número de anos necessários para aposentadoria, existe uma forte desocupação entre os jovens e o mais preocupante é que o Estado não promove investimentos para criar novos postos de trabalho. Na Itália a desocupação está em torno de 10% e entre os jovens em 30%.
*Colaboradora de Diálogos do Sul – de Piza, Itália


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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