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A manchete que ninguém deu: EUA, único país da América que limita viajar

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

cuba_viajar

Correm rios de tinta e muitos milhões de bits na Internet chamando a atenção sobre o fato de que, os cubanos já podem viajar livremente a qualquer país do mundo, com o único requisito  de que se lhe outorgue visa.

A poucos surpreende que o governo cubano não tenha implementado algum requerimento adicional para viagens aos Estados Unidos, de onde foram organizados atos terroristas que custaram milhares de vidas. Onde se implementa um programa para estimular a deserção de profissionais de saúde; país que gasta mais de 20 milhões de dólares por ano para financiar grupos que operam no interior da ilha a favor da intenção estadunidense de “mudar o regime”; país que impõem um bloqueio econômico que durante décadas tem suscitado o rechaço da comunidade internacional, inclusive entre os aliados de Washington.

Nem mesmo aqueles que manejam uma lupa imensa para, segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano, verificar e magnificar tudo o que ocorre em Cuba toda vez que convém aos interesses do inimigo, se detém diante da evidência de que com a nova política migratória cubana Estados Unidos fica como o único país de todas as Américas que limita as viagens de seus cidadãos, que continuam proibidos de viajar a Cuba.

Enquanto a indústria midiática pergunta aos dissidentes sua opinião sobre as novas regulações migratórias, ninguém fala com os centenas de milhares de estadunidenses que estão proibidos de ir a Cuba. Tampouco informam que aos poucos autorizados a viajar o Departamento de Tesouro dos EUA exige um plano pormenorizado de cada viagem à Ilha, incluindo nos grupos de viajantes uma pessoa com funções de vigilância. No caso dos professores universitários são obrigados a submeter-se a interrogatório por parte de advogados da universidade antes e depois da viagem, além de assinar uma declaração juramentada.

Para cúmulo, todo cidadão estadunidense que, cumpridos esses requisitos consiga desembarcar em Cuba, está sujeito a um limite diário de gastos e proibido de regressar ao país com qualquer souvenir cubana, seja um simples charuto. Os grandes meios não entrevistarão a um só desses estadunidenses cujos direitos constitucionais de viajar para onde queira foram violados, e nem darão a manchete, obvia no jornalismo clássico: “Estados Unidos: Único país das Américas que limita as viagens de seus cidadãos”, porque em situações como esta, como diria Galeano, “a lupa se distrai e não vê outras coisas importantes que os meios deixam de informar”.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Revista Diálogos do Sul

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