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A União cívico-militar derrotou o golpe, diz Maduro em discurso para milhares em Caracas

"O que vão fazer agora", questiona o presidente venezuelano, que teve discurso transmitido ao vivo no Brasil
Mariane Barbosa e Vanessa Martina Silva
São Paulo (SP)

Tradução:

Diante de uma multidão de pessoas que se reuniu nas ruas de Caracas neste sábado (23), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou, em discurso de cerca de uma hora, que “o golpe de Estado fracassou, a união cívico-militar derrotou o golpe de Estado” e questionou: “o que vão fazer agora?”.

O discurso do mandatário foi transmitido ao vivo, com tradução simultânea por diversos veículos brasileiros, como a GloboNews e a Record TV. “Eu me pergunto: 'a minoria da oposição que tomou o caminho do golpismo: até quando vocês vão prejudicar o país? Vão seguir inventando joguetes de desestabilização?'”.

Com relação ao autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, Maduro questionou o fato de a oposição ainda não ter convocado eleições se tinha a prerrogativa de fazê-lo, por ser interino. 

Ajuda humanitária

A nova polêmica envolvendo a Venezuela tem como pano de fundo a ajuda humanitária enviada pelos governos de Estados Unido, Canadá e Brasil e que, segundo Guaidó, deveria ingressar no país latino-americano até o prazo limite de hoje. 

"O que vão fazer agora", questiona o presidente venezuelano, que teve discurso transmitido ao vivo no Brasil

Reprodução Facebook
Mobilização pela Paz em Caracas, Venezuela

A esse respeito, Maduro ressaltou a desconfiança de que o conteúdo dos pacotes entregues contenham alimentos em condições sanitárias irregulares e ressaltou a máxima: “Donald Trump, tire suas mãos da Venezuela!”. 

“Eles queria tomar o nosso país, mobilizar o nosso país, tomar as nossas riquezas por mais de 100 anos. E sempre digo: os problemas que nós temos na Venezuela deve ser resolvido aqui, em casa, sem o exterior, sem ameaças. Estamos do lado certo da história, defendendo o direito constitucional, a integridade e soberania da nossa terra”, disse.

E apontou a interrogante “o que há por trás da ajuda Venezuela? A tentativa de humilhar a Venezuela. Comida podre, que surgiu do exército gringo, uma comida podre, cancerígena, que não sabiam o que fazer com ela, duas pessoas já morreram por ter comido aquilo”.

Brasil

Por outro lado, o mandatário ressaltou que a ajuda brasileira é bem-vinda. “Brasil, vamos pagar todo açúcar, carne, leite em pó, arroz e tudo o que quiserem vender para nós. Mas vamos pagar porque somos bons pagadores. Podem trazer que eu compro”.

Na mesma linha, ressaltou que a ajuda humanitária enviada pela União Europeia também será recebida, mas vão pagar por isso. “Não seremos mendigos de ninguém”” afirmou. 

E finalizou: “Aqui estamos mais conscientes, mais decididos para seguir defendendo a nossa pátria, seguir enfrentando Donald Trump. As minhas chaves, nesse momento histórico, é a lealdade. A outra chave é a consciência. Defender a verdade, com amor. A outra chave, é manter-se mobilizado, com mais e mais povo nas ruas. A Venezuela vai ganhar a paz, a Venezuela vai ganhar seus direitos de existir”.

Rompimento com a Colômbia

Durante o discurso, Maduro anunciou ainda o rompimento das relações políticas e diplomáticas com a Colômbia e deu o prazo de 24 horas para que todo o pessoal diplomático deixe o país.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Mariane Barbosa e Vanessa Martina Silva

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