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Acusação de influência russa em atos pró-Palestina demonstra delírio da política nos EUA

A cumplicidade da cúpula política bipartidária, com algumas exceções, no crime de guerra contra o povo palestino é verdadeiramente incrível.
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Anunciaram que já tinham nos livrado da insanidade estadunidense a partir da derrota de Trump, que marcou um convite a um retorno à “normalidade” e a volta dos “adultos” ao comando. Porém, o resultado foi que só iniciaram uma insanidade maior e bipartidária, onde os internos tomaram o controle, convencidos de que estão sãos.

A cumplicidade da cúpula política bipartidária, com algumas exceções, no crime de guerra contra o povo palestino – enquanto justificam tudo isso com um menu de palavras, incluindo “paz” e “defesa” – é verdadeiramente incrível. Este foi o marco do Dia da Lembrança do Holocausto. Para nutrir o delírio, a democrata e ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi acusou, neste domingo (28), que o movimento pelo cessar-fogo nos Estados Unidos é promovido pela Rússia e que pedirá ao FBI para investigar se Putin o está financiando.

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Enquanto isso, o presidente democrata, Joe Biden, decide participar do concurso da direita de quem pode ser “mais duro” contra os migrantes que se atrevem a passar pela fronteira. Diz que, se lhe dessem autoridade, “fecharia a fronteira agora mesmo” para arrumar tudo isso.

Seu competidor, Trump, continua ganhando neste jogo onde as peças são milhares de famílias migrantes, reiterando que não só fechara a fronteira com seu muro, como também conduzirá deportações massivas de imigrantes como “nunca visto”. Adverte também que, se eleito, haverá abordagens policiais massivas contra imigrantes e proibições sobre a entrada de muçulmanos de vários países.

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O ex-presidente continua declarando que todo ataque e crítica contra ele provêm de um governo controlado por “comunistas”, “socialistas” e “anarquistas”. Afirma que haverá uma limpeza profunda do governo de todos que não foram leais (a ele), e que os julgamentos por seus gravíssimos delitos, incluindo uma tentativa de golpe de Estado e até violação sexual, são politicamente motivados.

Invariavelmente, Trump afirma que um ataque contra ele “é um ataque contra a América”, além de advertir publicamente que, se ganhar novamente a Casa Branca, as Forças Armadas serão usadas para suprimir dissidências e protestos contra ele, e haverá violência política, outra vez, se perder.

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A cumplicidade da cúpula política bipartidária, com algumas exceções, no crime de guerra contra o povo palestino é verdadeiramente incrível.

Foto: Flickr
Enquanto políticos republicanos e democratas falam de paz, abrem frentes de guerra não só contra a Rússia, mas também China, Irã e Cuba




Controle de armas e guerras

Ao mesmo tempo, enquanto a Casa Branca realizou na semana passada um evento focado sobre a falta de controle das armas de fogo, ressaltando que as balas são a causa número um das mortes de crianças nos Estados Unidos, o país continua sendo o maior provedor de armas no mundo, com mais de 40% do mercado global.

Enquanto os políticos de ambos os partidos falam de paz, abrem frentes de guerra não só contra a Rússia, mas também China, Irã, Cuba, e até ameaçam intervenções militares no México e em qualquer outro país que não se submeta às diretrizes de Washington.

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Enquanto falam de direitos humanos e da lei internacional, são cúmplices de um genocídio e realizam a execução estatal da pena de morte – agora com nitrogênio – denunciado pela ONU como um castigo cruel.


Restrição de direitos

Enquanto falam de direitos civis e democracia, em mais de 14 estados há novas leis para limitar o voto, e a direita tenta promover medidas para suprimir o direito pleno ao sufrágio em 47 estados; no último ciclo escolar, foram detectados quase 700 tentativas de censura contra um total de 1.915 livros nas bibliotecas e escolas públicas do país.

Em 24 dos 50 estados, foram promulgadas leis anulando ou severamente limitando, e criminalizando, o direito fundamental das mulheres ao controle de seus próprios corpos (em três estão suspensas essas leis por ações judiciais). Isso, sem falar da situação dos direitos civis e econômicos dos afro-estadunidenses, latinos e indígenas do país.

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Milhões se recusam a aceitar as condições da insanidade estadunidense, e não deixam que os encarregados continuem adiante sem atos massivos de dissidência, desobediência civil e resistência. É claro que são qualificados de “loucos” pelos encarregados.

Será este o ano em que estes “loucos lúcidos” vão conseguir começar a frear os alucinados do poder e abrir as saídas de emergência?

Bônus Musical

The Animals – We Gotta Get Out of this Place

David Brooks | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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