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Agricultores indianos lideram greve histórica contra governo de Narendra Modi

Desde novembro de 2020 os agricultores protestam contra as leis do setor aprovadas há exatamente um ano, por iniciativa do governo de direita
Redação AbrilAbril
AbrilAbril
Lisboa

Tradução:

A bharat bandh (greve nacional) convocada pela Samyukta Kisan Morcha (SKM) – uma organização que reúne mais de 40 sindicatos de agricultores – foi apoiada pela grande maioria dos partidos da oposição, várias centrais sindicais nacionais, comissões de trabalhadores, organizações de estudantes, de jovens e mulheres, organizações da diáspora e também por alguns governos estaduais, como aconteceu em Kerala, Tamil Nadu, Andhra Pradesh e Punjabe.

O shutdown (encerramento) de dez horas, revela o Newsclick, teve impacto nacional e, decorrendo de forma pacífica no geral, enviou uma “mensagem forte” ao governo de Narendra Modi.

“A resposta ao apelo à greve foi mais abrangente que antes… Foi histórica e sem precedentes”, frisou a SKM num comunicado, acrescentando que “o povo da Índia está cansado da posição inflexível, irracional e egoísta de Modi sobre as reivindicações legítimas dos agricultores em luta”.

Desde novembro de 2020 que os agricultores protestam contra as leis aprovadas há exatamente um ano, por iniciativa do governo de direita, liderado pelo Partido Bharatiya Janata (BJP).


Para os agricultores indianos e as organizações que os representam, essas leis fomentam a corporatização do setor, abrindo a porta às grandes empresas do agronegócio, eliminam os preços mínimos garantidos, reduzem os rendimentos e põem em causa a própria sobrevivência do setor.

Ao longo dos dez meses de luta, as mobilizações dos agricultores serviram para expressar outras preocupações, reivindicações e exigências, ligadas às camadas populares na Índia. As privatizações de empresas estatais, a inflação, o aumento dos preço dos combustíveis, o desemprego e a repressão sobre quem se manifesta foram algumas delas.

Greve com impacto nacional

Ao longo desta segunda-feira, manifestações, concentrações, cortes de vias rodoviárias e ferroviárias foram promovidos pelos agricultores em vários estados, com o apoio de outros setores de atividade.

Nalguns distritos, por todo o país, os transportes pararam e o comércio fechou, como aconteceu nos estados vizinhos do Punjabe e Haryana, e, com menos abrangência e força, no de Madhya Pradesh.

Crescimento das lutas sociais na Índia demonstra potencial da classe trabalhadora no país

Em Tamil Nadu, o Newsclick avança que mais de 50 mil pessoas vieram para as ruas em solidariedade com os agricultores em luta, com o apoio de todos os partidos de esquerda, do governo estadual e da grande maioria dos sindicatos.

Na cidade de Madurai, S. Venkatesan, deputado do Partido Comunista da Índia (Marxista), liderou o protesto, exigindo a revogação das leis danosas para o setor e o fim da alienação do património do Estado, que o governo de Modi está a entregar aos privados.

Em Bengala Ocidental, a adesão à greve foi enorme nas zonas rurais, com os piquetes no activo desde madrugada, enquanto no estado de Maharashtra houve grande impacto nalgumas zonas (onde se registaram cortes de estradas e grandes manifestações), incluindo subúrbios de Mumbai.

A bharat bandh teve grande impacto igualmente nos estados de Gujarate, Bihar e Odisha, com cortes de estradas, greves nos transportes, encerramento de lojas e de mercados, e fez-se sentir nos estados de Andhra Pradesh, Telangana, entre outros.

“Esta greve deixa claro que não se trata de um protesto centrado nos estados do Norte da Índia e apenas nos agricultores”, sublinhou Ashok Dhawale, presidente do Sindicato dos Agricultores de Toda a Índia (AIKS).

O Partido Comunista da Índia (Marxista) congratulou-se com o êxito da greve, sublinhando na sua conta de Twitter (onde publicou múltiplas imagens da jornada de luta), que a “bharat bandh convocada pela SKM foi um sucesso grandioso e histórico”.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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