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Além de proposta de trégua natalina à Ucrânia, Rússia reitera abertura a diálogo de paz

Putin se diz disposto a negociar caso Kiev “aceite as novas realidades territoriais”
Juan Pablo Duch
La Jornada

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Em razão do Natal ortodoxo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou nesta quinta-feira (5) ao ministro de Defesa, Serguei Shoigu, declarar um baixar fogo durante 36 horas a partir do meio dia desta sexta-feira, hora de Moscou, em toda a linha de frente na Ucrânia, informou o Kremlin.

Segundo o comunicado, Putin, que se diz profundamente crente – acedeu à petição formulado a ele pelo Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kiril, de estabelecer uma trégua de um dia e meio para que os fiéis possam celebrar o sábado o Natal, que para os ortodoxos corresponde a 7 de janeiro, de acordo com o calendário juliano. 

Assim indica o documento: “Em vista de que na zona de combate reside um grande número de pessoas que professam a religião cristã ortodoxa, exortamos à parte ucraniana a declarar um regime de baixar fogo para que todos possam comparecer nos templos na véspera (na noite de sexta-feira) e no dia de Natal (no sábado)”.

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Em efeito, pela manhã se difundiu uma mensagem do máximo hierarca do Igreja Ortodoxa Russa na qual pede a “todas as partes envolvidas” a estabelecerem uma trégua natalina: “Eu, Kiril, Patriarca de Moscou e de todas as Rússias, peço a todas as partes envolvidas neste conflito fratricida a decretarem um baixar fogo durante a celebração de Natal”. 

É a primeira vez, em mais de dez meses de guerra, que o titular do Kremlin concorda em estabelecer uma breve trégua, mas não é claro que ela se produza, embora tão só seja por 36 horas, no caso de que a Ucrânia não faça o mesmo. 

O primeiro comentário ao pedido do Patriarca Kiril desde Kiev veio por parte do assessor do Escritório da Presidência Ucraniana, Mykhailo Podolyak, em funções de porta-voz extraoficial, e não foi muito favorável ao qualificá-lo de “armadilha cínica e elemento de propaganda”.

Agora, o presidente Volodymyr Zelensky tem que mover uma ficha nesse tabuleiro virtual de boas intenções, que de nenhuma maneira são unilaterais e dependem do que faça o opositor: se aceita a proposta, é ficar mal diante de sua clientela ao reconhecer uma nobre iniciativa do rival; se não o faz, é dar motivos ao adversário para que o desqualifique como um insensível.

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Nas batalhas de declarações que se travam de modo paralelo, nos campos de batalha, Putin disse estar disposto a negociar a paz caso a Ucrânia “aceite as novas realidades territoriais”.

É uma variação do que vem dizendo no sentido de que a paz só chegará quando Kiev aceitar as condições de Moscou, que no dia de hoje são inaceitáveis para Zelensky ou qualquer outro que chegue a ocupar a presidência ucraniana: renunciar, definitivamente, a quase 20% de seu território, juntando a Criméia com as quatro regiões anexadas em setembro, o corredor terrestre que o Kremlin quer para unir a península com o que considera o resto do território russo.

Putin se diz disposto a negociar caso Kiev “aceite as novas realidades territoriais”

Kremlin
Segundo Putin, a Rússia está aberta a um diálogo sério sempre e quando as autoridades de Kiev cumprirem nossas exigências

Putin tornou a se mostrar favorável a “negociar”, sob as condições de que ele ponha, em uma conversação telefônica com seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan – o qual chamou para sondar, no contexto favorável do Natal ortodoxo – a possibilidade de retomar as negociações para um arranjo político da guerra na Ucrânia.

A Turquia tenta ter um papel de protagonista em um ano no qual haverá eleições cruciais para o futuro político de Erdogan, além de seguir sendo uma espécie de ponte de diálogo entre a Rússia e o Ocidente, incluída a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), da qual é membro. 

O Kremlin, na breve nota que distribuiu para a imprensa sobre as conversações dos mandatários, destacou: “À luz da disposição manifestada pelo presidente Recep Tayyip Erdogan para a mediação da Turquia para um arranjo político do conflito, Vladimir Putin confirmou novamente que a Rússia está aberta a um diálogo sério, sempre e quando as autoridades de Kiev cumprirem nossas exigências, bem conhecidas e muitas vezes formuladas, assim como aceitem as novas realidades territoriais”.

Juan Pablo Duch | La Jornada


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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