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Alvo de novas acusações, Trump ameaça com "morte e destruição" caso processos avancem

Promotor distrital que encabeça ação mais recente tem recebido múltiplas ameaças de morte, muitas delas racistas
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Na tragicomédia política em torno à primeira acusação criminal contra um ex-presidente na história do país, anunciada na semana passado, a figura mais honesta e valente é uma estrela da pornografia, Stormy Daniels, a qual não oculta (literal e figurativamente) nada e é especialista em judô verbal quando é atacada.

Perguntada se teme estar em uma corte como potencial testemunha contra Trump em um julgamento, respondeu: “eu o vi nu, não é possível que seja mais aterrador vestindo roupas”. Repete sua agora famosa frase de que seu encontro sexual com o então empresário em 2006 foi “os piores 90 segundos de minha vida”. 

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Muitos insistem que é pouco importante este caso contra o golpista Trump. Vale sublinhar que a acusação criminal não é por pagar dinheiro em troca de silêncio sobre uma aventura sexual extramatrimonial (embora enfrente outro julgamento por violação sexual esperado para o próximo mês).

Até onde se sabe – as acusações seriam reveladas nesta terça-feira (4) quando Trump seria fichado em Manhattan – uma parte da acusação gira em torno de uma fraude de contabilidade pela forma em que se ocultaram os gastos, algo que Trump fez em toda a sua vida como empresário. 

O ponto aqui, insistem alguns, é que se um cidadão comum enfrentaria acusações penais por um delito parecido, por que não um ex-presidente? Ou seja, isto se trata de que “ninguém está acima da lei” (apesar do longo histórico de impunidade das cúpulas políticas e econômicas do país).

Promotor distrital que encabeça ação mais recente tem recebido múltiplas ameaças de morte, muitas delas racistas

La Jornada
Talvez, embora seja exceção, haveria um tantinho de justiça se este delinquente ficasse fora do poder e até na prisão




Madre Teresa

O agora delinquente em chefe sempre afirma que é o homem mais inocente da história. Declarou esta semana que a acusação contra ele é “um ataque contra nosso país” e que com isso os “Estados Unidos são agora um país de terceiro mundo, uma nação em declive sério” (bem, às vezes pode ter um tantinho de razão).

É como uma paródia de Mussolini, mas nada engraçada, já que ele foi comandante em chefe do país mais poderoso do mundo e que agora está em campanha para reocupar esse posto. 

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O delinquente em chefe tem demonstrado sua capacidade de desatar violência política e o espetáculo judicial é um assunto de segurança pública tanto local como nacional. Desde que se anunciou a acusação, o promotor distrital que encabeça o caso tem recebido múltiplas ameaças de morte, muitas delas racistas (ele é afro-estadunidense) e anti-semitas, reportou o NY Daily News.

“Ouça, títere culero de George Soros, se quer ir pelo presidente Trump, vem por mim também. Recorde que estamos em todas partes e temos armas”, foi uma das mensagens. Trump e seus aliados acusaram falsamente o financeiro e filantropo Soros de haver doado fundos para eleger o promotor distrital, parte da narrativa neofacista da velha teoria da conspiração de que atrás dos seus inimigos estão “judeus ricos” que “controlam tudo”. 

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Mas depois incluem o financeiro judeu anticomunista em um elenco realmente extraordinário de “inimigos”, incluindo o movimento Black Lives Matter, os “antifa”, junto com uma salada de anarquistas, comunistas, socialistas, maoístas, democratas de esquerda radical e sem falar dos imigrantes invasores do país, entre outros.

Trump, que difundiu uma foto dele com um bastão de beisebol junto à cabeça do promotor, e suas repetidas ameaças de que haverá “morte e destruição” se prosseguiram os casos contra ele (há outro, local, e dois federais que poderiam culminar em outras acusações criminais graves), tudo indica que há um convite aberto à violência política para defender o grande inocente.

“As coisas estão mal, as pessoas erradas estão na prisão e as pessoas erradas estão fora da prisão; as pessoas erradas estão no poder, e as pessoas erradas estão fora do poder…” dizia o historiador Howard Zinn. Talvez, embora seja exceção, haveria um tantinho de justiça se este delinquente ficasse fora do poder e até na prisão. Mas isso dependerá mais dos movimentos de resistência democrática do que de um juiz. 

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David Brooks | Correspondente do La Jornada em Nova York.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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