Professores fazem greve de 48 horas para denunciar desmonte na educação argentina

Macri é acusado de abandonar a manutenção de escolas e pelas tentativas oficiais de privatizar a educação pública

Uma multitudinária marcha de docentes chegou, na última quarta-feira (6), à Praça de Maio, na capital Buenos Aires. Os professores protestaram contra a paralisação das negociações salariais por parte do governo. De acordo com os grevistas, houve 90% de adesão à manifestação, o que fez com que 18 das 23 províncias do país não tivessem aulas. 

Diante da massiva mobilização, o governo da província de Buenos Aires, comandado por María Eugenia Vidal, do partido Proposta Republicana, o mesmo do presidente Mauricio Macri, ameaçou cortar o ponto dos grevistas. 

Leia também:
Diálogos do Sul lança campanha de assinaturas colaborativas no Catarse 

Na marcha estiveram delegações de todas as províncias cuja situação é insustentável, segundo denunciaram; também participaram os Sindicatos de Docentes Privados e as universidades. 

As negociações salariais (paritárias) foram encerradas em 2017, e por isso os ingressos dos docentes sofreu uma forte baixa. Os professores exigem negociações salariais depois de estabelecer que 80 por cento de seus integrantes estão vivendo abaixo da linha da pobreza devido à queda dos salários e o crescente processo inflacionário. 



Sonia Alesso, dirigente da Confederação de Trabalhadores da Educação da República Argentina (CTERA), que encabeçava a marcha sustentou que chegaram a dizer ao presidente Mauricio Macri que “não queremos voltar às etapas mais críticas de nossa pátria, quando os professores estavam abaixo da linha da pobreza; a isso nos levou este governo”.

Outra grave denúncia é a situação de abandono de escolas na província de Buenos Aires e as tentativas oficiais de privatizar a educação pública

Neste contexto e assediado por escândalos de corrupção e graves prognósticos econômicos que chegam do exterior, o governo de Macri enfrentou nesta quarta-feira outra alta do dólar que chegou a 42 pesos.

A isto se acrescentam os problemas na frente interna quando um forte setor da União Cívica Radial (UCR) a principal aliada do Cambiemos, quer discutir a continuidade desta coalisão. Inclusive se fala da proposta de um candidato próprio para as próximas eleições presidenciais, e na província de Córdoba o candidato radical vai por conta própria. 

De acordo com vários analistas, o setor importante do tradicional partido reúne figuras muito conhecidas como Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín, Federico Storani e Juan Manuel Casella, entre outros, ex-funcionários dessa administração, à qual correspondeu iniciar o retorno à democracia 1983 dando fim à mais cruenta ditadura que existiu no país entre 1976 e esse ano. 

O descenso de Macri cada vez mais acelerado pelas diferenças e demandas que nunca foram discutidas com a UCR, decisões como o regresso ao Fundo Monetário Internacional (FMI) y tantas outras, inclusive de política exterior, que revoltaram em primeiro lugar uma boa parte da juventude radical e de sua direção mais tradicional.

A revista Forbes advertiu recentemente que a Argentina está a “um passo do colapso econômico”. A situação tem piorado notavelmente e o dólar continua disparando quando já a desvalorização era no ano passado de 50 por cento, acrescenta Forbes. 

Recentemente, se noticiou que mais de cem mil pessoas deixaram de pagar obras sociais privadas, que os argentinos deixaram de comprar mais de cem mil medicamentos por dia, e que o desemprego aumenta de hora em hora. O país está despencando.

Tradução: Beatriz Cannabrava

Recomendadas para você

Comentários